40 anos de odontologia de Naldo (série memórias)

Em: 11 de fevereiro de 2026

Um estudioso egípcio assim explicava no escrito “Amanhecer para cegos noturnos” de uma enciclopédia árabe, o valor da palavra escrita: “O escrito é imperecível”. Por isso os originais do livro de Rozenaldo Tavares da Silva, intitulado, “40 anos de Odontologia” não é somente um registro memorialístico e comemorativo da turma de odontologia da Universidade do Amazonas formada em 1971. Não é somente uma leitura sobre a faculdade, as amizades, os mestres, a estrutura técnica e científica a compor toda a formação acadêmica do referido curso. Esta leitura é antes de tudo uma canção. Como a dos pássaros. Pois estes – todos sabem – nunca esquecem as notas de seu canto. “Naldinho”, como todos conhecemos desde a infância teve a extrema sensibilidade de acrescentar a cada página um canto único. É indivisível. Como soem ser os de horas altas. Com a visão do valor do sagrado. A cada página foi adicionada uma panorâmica pulsátil da Manaus-cheia-de-graça dos anos setenta. Redesenhou sua geografia. Evidenciou hábitos e a cultura de então. Contextualizou vida universitária e a profissional com a cidade ainda em ebulição social, com a implantação da Zona Franca em 1967. Modelo que tirou a todos nós, os legítimos manauenses de uma economia de marasmo pós-derrocada da opulenta fase gomífera. Nós que nascemos nos anos cinqüenta, bem sabemos do significado de encontrar-se encapsulado numa região onde contávamos apenas com a criatividade, com o frugal em matéria de alimento, saúde, educação e bens de consumo. Nesses anos, muitos foram aves de arribação. Procuraram outros rincões. Para melhoria de vida ou para estudos superiores. Mas nós, manauenses, os genuínos, aqui ficamos perseverantes como aquelas lâmpadas que ardem em santuários. Até que a universidade como um ÉPHETA abriu os olhos para a luz. Cheia de vida, abriu vagas até para os chamados “excedentes” de cursos de outras capitais do país. Por isso, por essa constância em atitudes e de caráter, 1971 é um ano para não se esquecer. Foi o ano da colação de grau da “Turma Djalma Batista” de Odontologia. Para esse dia superlativo levou no peito não só a família, mas cercou-se dos elementos vitais da terra, como o Teatro Amazonas, monumento indispensável naquele instante da célebre frase: “A ti também Rozenaldo Tavares da Silva…” proferida pelo reitor Dr. Aderson Dutra à hora do juramento e da aposição da toga sobre a cabeça de cada formando. Era como ser roçado pela asa do sagrado, ou seja, naquele momento foi uma emoção religiosa de “religare”, unir, ao sentir-se irmanado como os demais nesse sonho realizado da construção intelectual de um ramo importante do saber humano. Do livro, emerge o Rio Negro Clube, hoje centenário, como palco da festa de formatura. O “Canto da Alvorada” restaurante referência das reuniões e banquetes da sociedade local. Eleito como reduto pós-festa na madrugada comemorativa. O “Mercado Grande” como chamavam os da Manaus infante ao mercado Adolpho Lisboa, foi a estação final no refazer das forças. Os mingaus e as sopas tradicionalíssimas e não poderiam faltar como complemento substancial da alma manauense. Escrever páginas memoriais na opinião de Gasset, não significa evocação saudosista, mas uma reconstrução intelectual do ontem. Rozenaldo escreveu também com a intenção de transmitir lições de vida aos pósteros. Para que aprendam através de sua experiência. E saibam do equilíbrio que deve haver entre o SER e o TER. Aí está o poder que encerram os livros. A palavra escrita é sempre viva. Por isso às vezes amada ou temida quando vem à lume. No mundo auto-suficiente, hedonista  de egos inflados e glacial, surge algo feito com o coração. Que não se move em ritmo matemático, mas pulsa, e vibra, e crê… Surge como exposição do valor supremo do sagrado. O Livro que “NALDINHO” escreveu e logo depois ofereceu um  Brunch aos convidados do Novotel em Dezembro de 2011. Odontólogo de nível elevado pediram para fazer-lhe o prefácio gostei demais de fazer porque NALDINHO amigo de infância, nós vizinhos partilhávamos com os outros amigas e amigos de todas as conversas de Rozenaldo. Partiu para o alto há 2 anos coisa muita sentida pela turma de amigos quase da mesma idade. NALDINHO aí vai para geração de hoje teu escrito e o que pensávamos de ti…

 

CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de  Aparecida-SP

 

 

Carmen Novoa

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