NOLT: NEW OLDER LIVING TREND. Traduzindo: NOVA TENDÊNCIA DE VIDA PARA IDOSOS. É sério que essa geração nova pensa que velhos e idosos são sinônimos de inutilidades? Alguns jovens nos rotulam, os idosos, como seres humanos carregados de ideias ultrapassadas. Mas, será que essas gerações sabem definir, realmente, o que são ideias ultrapassadas? Recordemos que a História é cíclica e tudo se repete. Lembram do slogan, ou bordão, ou nome de programa de TV chamado “Vale a pena ver de novo”? Eu já ouvi essa expressão, mas desconheço do que se trata. E os tais remakes que surgem por aí? Pois bem, a sociedade valoriza o passado, mesmo que as pessoas não assumam isso. Então, em muitas situações, causa espanto quando se vê, em sala de aula de faculdades, alunos com mais de 60, 70 anos. Causa espanto a mancebos desprovidos de ideias de inclusão e sociabilidade. Ou seja, esses moços, espantados, são preconceituosos, no mínimo. E aqueles pós-adolescentes que estudam e produzem dissertações e teses sobre a vida de um idoso? É provável que esses moleques, garotos, piás, nunca tenham assistido uma propaganda, das antigas, sobre uma bebida, onde se dizia: “Eu sou você, amanhã”. Ou seja, quando essas gerações novas nos criticam ou tentam nos entender, eu reflito e concluo que um dia eles “cairão na real.” E verão, com os próprios olhos e sentimentos o que nós, os atuais idosos, passamos, e engolimos de desaforos, vindo de guris cujos pais nós formamos, educamos, e por eles lutamos, ao longo da nossa juventude. “Surge então o NOLT— New Older Living Trend — pessoas que seguem vivendo com propósito, curiosidade e vontade de evoluir.” Penso que essa frase, está repleta de preconceitos. Que dizer que velhos não devem ter propósito na vida e, quando os possuem, são rotulados de NOLT? Então idosos não devem ser curiosos, não gostam de aprender, não gostam de estudar? Tenha santa paciência! Oxalá que todas as faculdades tenham considerável parcela de docentes acima de 60 anos. Daí, a sociedade iria entender que diplominhas aqui e ali são inúteis, se comparados com as experiências da vida. Um garoto de 27 anos, com Doutorado em História, produziu uma Tese com foco em determinada etnia da Amazônia, mesmo sem nunca ter ido àquela região. Será que tal conhecimento, criado por leitura de fontes diversas, se compara ao conhecimento de um ancião, nativo da etnia em comento? Perdoem-me se o exemplo é radical, mas, é, apenas, para ilustrar o artigo e o tema em si. ”Os NOLT voltam a estudar, aprendem novas tecnologias, fazem cursos, iniciam uma segunda ou até terceira graduação. Muitos abrem novos negócios, empreendem, mudam de carreira ou transformam antigos sonhos em projetos reais. Não esperam mais “o tempo passar”; fazem o tempo acontecer.” Incrível tanta perda de tempo nesse texto! Uma gigantesca emissora de TV no Brasil, foi implantada pelo seu criador, após os 60 anos de idade! E isso, em meados do Século XX! Alguns juvenis pensam que após os 60 anos, estamos improdutivos e apenas esperando a morte chegar! Ledo engano! “São pessoas que cuidam da saúde, da mente e das emoções. Viajantes, leitores, voluntários, criadores, líderes de grupos, mentores e aprendizes ao mesmo tempo. Encaram desafios com maturidade, mas também com coragem — aquela coragem que só quem viveu bastante desenvolve.” Será que essas gerações novatas sabem, de verdade, o significado de coragem? Eu digo, saber de verdade mesmo. “Os anos não são vistos como peso, mas como bagagem. Experiência não é limite, é diferencial. Eles erram menos por medo e tentam mais por consciência. Sabem que recomeçar não é voltar ao início, é avançar com mais sabedoria.” Bem, este acumulado de palavras é a posição de alguém, que, com certeza, desconhece o que é maturidade, experiência acumulada, muitas memórias produzidas, muitos “filmes já vistos”. “Chamá-los de NOLT é reconhecer que envelhecer mudou. É afirmar que essa fase da vida não é sobre encerrar capítulos, mas sobre escrever os mais autênticos. Porque viver bem depois dos 60 não é exceção — é tendência”. Desisto! Sem comentários! Só quem sabe definir o que é a velhice, o crepúsculo final da vida, é quem está nela. Enquanto nossos netos gostarem de ouvir histórias do vovô, o mundo estará salvo! As gerações que me antecederam trabalhavam até que o corpo desistisse. Sempre foi assim. Idosos produtivos sempre existiram no nosso Brasil. Mas, como não formaram estatística e não foram pesquisados, não foram considerados. Simples assim. Mas, como sou idoso e velho, abuso da minha “licença poética” ao ser ancião. Isso me permite cometer alguns deslizes, perdoáveis, por ser velho. Mas, jamais esquecer de gelar a cerveja! E a vida segue!















