O Brasil encontra-se a menos de 30 dias das eleições gerais de 2026. As urnas clamam por eleitores cidadãos brasileiros que não somente farão escolhas políticas, mas julgarão o destino do próprio Brasil. Assim, elegerão aqueles políticos que terão que enfrentar enormes problemas que afetarão a vida de todos os brasileiros, seja na economia, na política e no social, no mínimo nos próximos quatro anos.
Observou-se que nos debates não entram planos de governo, questões importantíssimas tanto para o período de mandato quanto para o futuro do país e para o estado. Também, se constatou que as campanhas ficaram muito fracas, sem interesse para o eleitor, parecendo que os votos já estão decididos sem opções de mudanças por adesão ou convencimento. No entanto, a polarização exposta fraturou o tecido social gravemente, sem possibilidades de se identificar possíveis caminhos para o futuro do país.
O que acontecerá em 04 de outubro a nação julgará o sistema maior, chamado Brasil, pois o tecido social se esgarçou e saturou dessa polarização, entre o caminho para o abismo que ora o país caminha, e o conservadorismo “extremo” que o outro lado identifica como “bolsonarismo”. Independentemente do que irá acontecer as eleições estarão envoltas pela esperança mesclada pelo medo em última instância.
O Brasil precisa mudar de rumo, o eleitor consciente sabe disso.
Os resultados a serem colhidos são positivos, negativos, nulos, brancos e abstenções, pois o cidadão pode optar em ir votar ou não, no Brasil o ato de votar é obrigatório, mas alguns optam por não ir votar.
Visto assim, os candidatos direcionam para temáticas que mais interessam aos eleitores, corrupção, segurança, saúde, etc e até programas sociais. Não se assiste nenhuma pesquisa que direcione a preocupação do eleitor para as questões sobre a crise climática. Enquanto as campanhas se desenrolam na indiferença de temas climáticos nem marcam os grandes impactos do aquecimento global, haja vista, parecer se está totalmente em mundos desconectados.
Os políticos de todos os matizes não se posicionam sobre os temas ambientais, é porque não existem demandas dos eleitores sobre os mesmos, mas para a sociedade em geral esse debate é estratégico para o país.
Os programas de governo dos candidatos à Presidência e ao Governo de Estado do Amazonas abordam a crise climática de formas muito diferentes, indo desde metas rígidas de redução de emissões até o foco em infraestrutura urbana e saneamento básico.
Alguns candidatos trazem metas numéricas diretas para cortar gases do efeito estufa e zerar o desmatamento, enquanto outros focam o discurso em energias renováveis, biocombustíveis e crédito de carbono sem detalhar cortes profundos. Também enfatizam que a pauta ambiental deve passar por investimentos em saneamento básico e modernização urbana para proteger áreas vulneráveis, contrapondo-se a modelos que exigem maior intervenção estatal na regulamentação ecológica.
De modo geral, programa de governo à Presidência da República do Brasil, a pauta da crise climática representa um eixo estratégico que conecta a imagem internacional do país, a segurança econômica e a proteção social contra desastres extremos, como se tem visto na região do NEPAL e CHINA.
Mais do que uma preocupação puramente ecológica, o tema hoje dita a viabilidade de investimentos estrangeiros e a soberania nacional.
O Brasil busca se posicionar como superpotência ambiental. O compromisso com o clima é o principal cartão de visitas para destravar acordos comerciais (como o Mercosul-União Europeia) e atrair investimentos externos. Os planos focam na regulamentação de títulos verdes e créditos de carbono, transformando a preservação da Amazônia e do Cerrado em ativos financeiros para o país.
Propostas para expandir fontes solar e eólica, além de incentivar combustíveis do futuro (como o hidrogênio verde) e biocombustíveis (etanol e biodiesel).
O desafio de conciliar a produção de commodities com o desmatamento zero. Os programas costumam propor o financiamento de práticas agrícolas de baixo carbono (Plano ABC+) e a recuperação de pastagens degradadas para evitar a abertura de novas fronteiras na floresta.
Foco em proteger comunidades periféricas, ribeirinhas e indígenas, que sofrem os impactos climáticos de forma desproporcional (racismo ambiental). Fortalecimento de órgãos de fiscalização (como Ibama e ICMBio) e uso de tecnologia de monitoramento por satélite para zerar o desmatamento ilegal.
Quanto à região amazônica nos programas dos candidatos à Presidência representam o ponto central do debate sobre a crise climática, com a floresta deixando de ser tratada apenas como um santuário ecológico e passou a ser discutida sob a ótica da economia verde, soberania e sobrevivência social.
Algumas candidaturas focam no compromisso de zerar o desmatamento até 2030, sendo que suas propostas envolvem a asfixia financeira de criminosos ambientais, o fortalecimento de órgãos como Ibama e ICMBio e a criação de novas Unidades de Conservação e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
Por outro lado, defendem que o combate ao desmatamento ilegal deve ocorrer por meio da regularização fundiária e do zoneamento econômico. O argumento é que dar títulos de terra aos produtores rurais locais gera responsabilidade e reduz a criminalidade, combatendo as invasões sem travar a expansão do agronegócio legal.
Programas focam no financiamento de cooperativas locais e produtos da floresta (como açaí, castanha e manejo sustentável de madeira). A meta é estruturar Núcleos de Desenvolvimento para manter a floresta em pé gerando renda. Há forte apelo para transformar a capacidade de absorção de carbono da Amazônia em ativos financeiros negociáveis globalmente, atraindo capital privado estrangeiro.
Propostas para expandir concessões de parques nacionais e infraestrutura turística, defendendo que o turismo sustentável é economicamente mais rentável do que a degradação da floresta.
Devido às secas severas históricas que isolam comunidades inteiras nos rios amazônicos, os planos de governo começaram a incluir propostas de adaptação climática na logística de sobrevivência. Isso inclui a previsão de orçamento federal para a compra de frotas de ambulâncias e embarcações públicas fluviais de grande porte para garantir o transporte de doentes, mantimentos e água potável durante os períodos de vazante extrema.
Embora a Amazônia seja lembrada pela floresta, a maior parte de sua população vive em áreas urbanas que sofrem com baixos índices de saneamento básico e alta vulnerabilidade a desastres. Os programas propõem a destinação de verbas federais para obras de drenagem, transição para “infraestruturas verdes” e proteção de encostas para mitigar as enchentes severas que atingem as periferias das capitais do Norte.
Quanto, especificamente ao Amazonas, o debate eleitoral para o governo do estado foca em como transformar recursos federais e internacionais em soluções para crises severas, como a seca histórica dos rios e as queimadas.
Candidaturas defendem o uso de recursos federais prioritariamente para consolidar o ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico) e expandir a assistência técnica no interior. A meta é estruturar frentes de emprego ligadas ao desenvolvimento sustentável e à bioeconomia, permitindo que a população ribeirinha e os produtores gerem renda mantendo a floresta em pé.
Outras propõem direcionar verbas de cooperação e do orçamento federal para subsidiar a produção agrícola sem o uso do fogo. A ideia é modernizar a agricultura familiar de subsistência na Região Metropolitana e no interior, oferecendo maquinário alternativo às queimadas tradicionais.
Por outro lado, também objetivam a prioridade para o uso de repasses federais concentra-se em obras de saneamento, dragagem de rios e infraestrutura urbana nas cidades do interior afetadas pelo isolamento da seca.
Ressalte-se que Entidades civis locais criticam que, a bancada federal do Amazonas destina poucos recursos diretos do orçamento para o clima (com raras exceções focadas em gestão hídrica e brigadas de incêndio), dependendo quase que totalmente de repasses diretos do Executivo Federal.
Estranho a falta no debate eleitoral da crise climática ambiental que passa atualmente o mundo e o Brasil provocada pelo EL NIÑO, expõe a fragilidade das propostas políticas para enfrentar o avanço dos eventos extremos.
(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]







