O campo amazonense não cabe mais na imagem de uma produção isolada pela distância. Por trás dos rios, das estradas e das dificuldades logísticas existe uma economia que movimenta crédito, gera renda, sustenta cadeias produtivas e busca novos mercados. É nesse ponto que a Exposição Agropecuária do Amazonas, a Expoagro, realizada pelo Governo do Amazonas, ganha outra dimensão. Mais do que uma feira, tornou-se um espaço de encontro entre produtores, empresas, instituições financeiras, técnicos e compradores, colocando em evidência uma atividade que permanece espalhada por todo o interior.
Os dados mais recentes ajudam a dimensionar essa transformação. Em 2025, a edição movimentou R$ 224,4 milhões, recebeu cerca de 180 mil pessoas e reuniu 580 expositores. Mas a dimensão da feira não está apenas no movimento financeiro ou no público. Está também na capacidade de aproximar conhecimento e oportunidade. A programação incorporou a qualificação profissional, com 55 cursos que alcançaram mais de 600 produtores, técnicos, estudantes, pesquisadores e empreendedores, enquanto aproximadamente R$ 147,1 milhões em operações de crédito circularam durante a programação, conforme o balanço do Governo do Amazonas. A Expoagro, assim, deixou de ser apenas uma vitrine de animais, máquinas e produtos rurais para se transformar em um ponto de encontro entre quem produz e quem pode ajudar essa produção a crescer.
A trajetória ajuda a entender essa mudança. Depois de seis anos sem realização, entre 2013 e 2018, a Expoagro foi retomada em 2019, sob a iniciativa do então governador Wilson Lima, movimentando mais de R$ 78 milhões. Em 2022, chegou a R$ 147 milhões e, em 2023, ultrapassou R$ 192 milhões. De 2019 a 2025, a movimentação acumulada alcançou aproximadamente R$ 891,4 milhões, conforme dados apresentados pelo Governo do Amazonas. O crescimento não deve ser confundido com uma expansão equivalente da agropecuária estadual, mas revela a capacidade crescente da feira de concentrar agentes, investimentos e negócios ligados ao campo.
O significado desse movimento aparece com mais clareza quando colocado diante do cenário brasileiro. O Ministério da Agricultura e Pecuária registrou US$ 169,2 bilhões em exportações do agronegócio em 2025, equivalentes a 48,5% das exportações nacionais. O Amazonas participa dessa economia por uma lógica própria, com agricultura familiar, pecuária, piscicultura, fruticultura e extrativismo. Seu desafio não é reproduzir os grandes modelos agrícolas do país, mas transformar suas cadeias produtivas em atividades mais eficientes, organizadas e capazes de agregar valor. Nesse processo, produzir é apenas uma parte da equação. É preciso financiar, beneficiar, transportar e encontrar mercado.
A geografia torna essa equação particularmente complexa. Os 62 municípios amazonenses estão distribuídos por um território de dimensões continentais, com diferentes condições de infraestrutura e transporte. Para muitos produtores, levar a produção até Manaus representa uma etapa relevante do custo da atividade. O crédito também se torna decisivo. A Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) aplicou mais de R$ 56,5 milhões no agronegócio em 2025, distribuídos em 2.981 operações, enquanto a própria Expoagro concentrou aproximadamente R$ 147,1 milhões em operações de crédito. A feira, nesse sentido, aproxima uma ponta que produz de outra que pode financiar a expansão dessa produção.
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por sua vez, ajudam a enxergar a realidade que a Expoagro concentra durante alguns dias. A Produção Agrícola Municipal e a Pesquisa da Pecuária Municipal permitem acompanhar produção, produtividade, valor das lavouras e tamanho dos rebanhos nos municípios amazonenses. A feira concentra essa realidade em Manaus, enquanto as estatísticas mostram sua dimensão espalhada pelo interior. Essa diferença é importante porque impede que a Expoagro seja confundida com o próprio tamanho da agropecuária estadual.
É justamente aí que está a relevância da Expoagro. Seus números não representam sozinhos o tamanho da agropecuária amazonense, mas revelam a capacidade de reunir quem produz, financia, fornece tecnologia, presta assistência e compra. A feira não elimina os gargalos de logística, escala e comercialização, mas cria uma circunstância rara no Estado, na qual diferentes partes de uma cadeia produtiva podem se encontrar no mesmo espaço. Quando uma exposição passa a revelar não apenas o que o campo produz, mas a capacidade econômica que existe por trás dessa produção, ela deixa de ser somente uma feira e passa a funcionar como um retrato das possibilidades do Amazonas.
A 48ª Expoagro será realizada de 16 a 23 de agosto de 2026, no Parque Multiúso Dr. Eurípedes Ferreira Lins, em Manaus. Mais do que uma agenda de oito dias, a nova edição chega como consequência de uma política que passou a olhar para o campo com atenção estratégica, visão que encontra no governador Roberto Cidade um defensor da valorização da produção rural como instrumento de desenvolvimento econômico e social, reconhecendo na produção rural uma frente de geração de renda, oportunidades e desenvolvimento. É quando o poder público compreende que proteger quem produz é também proteger a economia, a renda e o futuro do Estado. E, ao abrir espaço para que o campo amazonense mostre sua força, a Expoagro não apenas celebra aquilo que já foi construído. Anuncia, diante do Amazonas e do Brasil, a dimensão do que ainda pode ser construído.















