Já foram 196 milhões aplicados do PPBio da Suframa. Desse total, no mínimo, uns R$ 10 milhões foram para o caixa da ONG IDESAM só por coordenar o programa. Meus artigos, assim como o meu Blog Thomaz Rural, estão abertos ao IDESAM para me enviar o CPF de algum produtor, indígena, ribeirinho, quilombola, pescador e afins que tenham recebido recursos financeiros de projetos aprovados no âmbito do PPBio. Quero o CPF, produto que ele forneceu, valor unitário (kg) e a quantidade. Quero ver se essa bioeconomia da Suframa e da Ong IDESAM estão funcionando para quem preservou a floresta em pé ou só para poucos. Em 2027, com novos 24 deputados estaduais, é importante abrir uma CPI para checar esses dados do PPBio. A indústria merece saber se o recurso está chegando na ponta.
A verdadeira bioeconomia obrigatoriamente precisa transformar a vida de quem está na ponta: o agricultor, o ribeirinho, o extrativista e o indígena.
A Ong Idesam, que entrou na justiça contra o asfaltamento da BR-319, já coordena o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) da SUFRAMA há quase dez anos, utilizando recursos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) das indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM). A grande questão que precisa ser respondida é: onde está a transparência exata desse programa?
- Queremos saber os nomes, CPFs e os valores reais que os caboclos e fornecedores locais estão recebendo por abastecer com matéria-prima os projetos do PPBio;
- Sabemos que a ONG retém um bom percentual no caixa para gestão dos projetos, mas e o produtor? O que chega para ele cobriu sequer o seu custo de produção?
- A Suframa está cobrando e fiscalizando se os resultados desses projetos estão, de fato, aterrissando nas comunidades tradicionais? As indústrias que financiam a conta certamente querem saber o destino de cada centavo.
Como amazonense, jornalista e gestor federal que caminhou pelo interior e conhece de perto as nossas necessidades, afirmo: já passou o tempo das meias respostas e do silêncio. Não podemos aceitar uma bioeconomia que funcione apenas para intermediários, enquanto quem verdadeiramente produz a matéria-prima segue esquecido. Exercer a cidadania amazonense hoje é exigir que a bioeconomia seja um modelo de desenvolvimento sólido e transparente, e não apenas uma vitrine sustentável que sustenta intermediários enquanto o caboclo, o verdadeiro guardião da nossa terra, continua esquecido à margem do rio.















