Luzes de agosto

Em: 19 de agosto de 2026

De início falo de meu aniversário dia 15 de agosto. Era feriado santo. Era dia do dogma de fé de N. S. Assunção. Explicando melhor porque muitos confundem Assunção tem o significado de que Maria mãe de Deus foi levada aos céus pelos anjos e está de corpo e alma ao lado de seu filho Jesus. Já Jesus deu-se o processo da Ascenção levou-se por seu próprio poder divino. Ele não deixaria sua mãe experimentar a corrupção do corpo “pós-morten”. Seria uma coisa indigna. Ela estava apenas em dormição assim dizem os teólogos.

Saramago em sua autobiografia “Pequenas memórias” sentenciou: “Deixa-te levar pela criança que fostes”. Vou, portanto falar sobre as luzes de agosto. Era iniciar o mês e o sol surgia mais cedo no horizonte. Ardente, expulsava as sombras e assim tinha mais tempo para acordar as flores e os pássaros daqueles dias da Manaus-infante. Um cântico de luz para dias considerados como aziagos. E o adágio popular confirmava essa superstição com o “agosto, mês de desgosto”. Ainda mais se nele houvesse uma sexta-feira treze. Em agosto, na Manaus-do-eu-criança, ocorriam muitos incêndios e a ele era atribuído os sinistros. Jamais pelo causticante verão! Jamais pela imprudência ou negligência de uns! Sempre a asa negra do azar pairando sobre esses trinta e um dias temidos.! No entanto, para mim, era um agosto absoluto. Pleno. Sem limites para alegrias simples Era o agosto do meu nascer. E ele recendia ao aroma de angélicas… Até hoje seu perfume penetrante atravessa as fronteiras inexpugnáveis do tempo passado e rasga o véu do templo de minha memória olfativa e surgem trazidas do Careiro pelas mãos ternas de tio Urbano e se acomodam nos vasos espalhados na casa-de-sobrado-do-eu-criança. No dia de meu nascimento, a casa enchia-se de amigos – sem distinções de classes – desde os que moravam em casa bonita aos que moravam em casas flutuantes no igarapé devasso a lamber o barranco da Jonathas Pedrosa. À mesa, galinhas assadas, pernil, maionese, vatapá e somente guaraná Andrade (Ah! Guaraná Andrade, já premiado no exterior, centenário e dos melhores, tinha como maiores acionistas meu pai Elias e tio David. Por isso, a imposição do “somente guaraná Andrade”). Um bolo confeitado coroava a mesa e um “parabéns a você” era cantado com a linguagem das angélicas. Sim, as angélicas, eram o símbolo da simplicidade. E nós, manauenses, ainda éramos cultores do singelo. Aos presentes recebidos estava agregado aquele idioma universal dos sentimentos genuínos. Hoje, língua morta. O esperanto que uns poucos tentam reviver. Não importava que vivêssemos às escuras, (quando a energia elétrica cedia lugar às velas, lampiões, “Aladdins” e lamparinas) Éramos iluminados! E tínhamos luz no olhar! Não importava a carência de tudo! Do trigo, obrigando a filas nas padarias. Da falta de carne e da galinha ser comida de rico. Estávamos saciados! A saciedade vinha do espírito do coletivo que nos animava. Não importava que em nossas comemorações e brincadeiras infantis não houvessem vídeo games e brinquedos eletrônicos! Que não houvessem essa profusão exagerada de balões coloridos do agora, que a criançada estoura com os pés sem piedade, no final de cada festa. Balão, para a menina-de-agosto era coisa sagrada. Bastava um só! E branco. Como os sentimentos verdadeiros. Balão era para ser tratado com carinho, colocado ao lado da cama e acalentado dia após dia, até a fantasia efêmera da infância morrer em nossos braços já adultos. O fato de ter nascido no dia quinze – dia santo e feriado para os cristãos católicos tornava esse tempo, transcendental como a Assunção da Virgem, essa, a legítima Senhora do dia quinze. Era minha ação primeira. As sete horas da manhã, o sol acordando o Leste e nós rumo à missa de preceito a Virgem Assunta aos céus na Igreja de Santa Teresinha. O certo e que fui uma menina como Quintana. Solitária. Única filha. Sem irmãos, sem avós. Uma família diminuta, mas feliz. No colégio, tinha o apelido de “Bolão” por ser gorda até a adolescência. O nome de batismo foi engolido. Hoje seria discriminação e exclusão. Dos jogos esportivos, das festas escolares e juninas. Refugiava-me num local também solitário e deserto, mas carregado de luz: A biblioteca da escola. Amalgamávamo-nos. Ela era, Vésper solitária na imensidão dos espaços. Cintilava! E eu não percebia que a constância dos livros e da leitura legaram ao meu íntimo para sempre as cintilações de Vésper. Essas são as minhas luzes deste mês que o sol incensa em portais de épocas decisivas. Teço parágrafos. Nunca epílogos. E como os pássaros de agosto também não esqueço o próprio cântico baixo um sol de Justiça.

 

Dogmas de Fé- Da Igreja Católica

Quero neste artigo Falar sobre Do dogma de fé Do dia 15 / 08 / 1950 Promulgado nesse ano por Papa Pio X (Dez) Assunção de Nossa Senhora Aos céus Ela Foi Levada em corpo e alma aos Alto Por seu Por Anjos. Seu filho Jesus Não deixou sua mãe Do MAGNIFICAT “Todas as gerações me chamarão de bem aventurada” (Por ser mãe de Deus ) Consta em todas as bíblias cristãs Todas! Dogma de fé Tem uma característica importante. Você acredita ou não. Mais os com fé Tamanha Creem. Mas se fizerem Prosélitos contrariando o dogma, serão penalizados Com excomunhão. Comigo no meu curso de teologia Cujos mestres vinham do sul, Um deles falou contra esta Verdade de fé Todos ficaram calados. Eu a única que contestei. Ele, admirado Calou-se de Imediato depois, Muito depois vim a saber que João Paulo II  Passou a viajar em toda a América Houveram excomunhão aos renitentes. E a Teologia da Libertação que não visava o evangelho De amor de Jesus mas tinha um quê Comunista, foi diluída por ele. “Tu és Pedra E sobre esta Pedra edificarei minha igreja E nada maligno Prevalecerá sobre ela”

*CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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