“O conhecimento entra pelas pontas dos dedos.” A frase resume a dimensão prática essencial à aquisição de saber com habilitação profissional. Esse caminho, menos valorizado na educação brasileira desde os anos 1990, encontra no Amazonas uma tradição sólida que continua a florescer.
No Amazonas a semente da educação profissionalizante foi lançada ainda antes do primeiro Ciclo da Borracha, em 1873, com o Instituto de Educandos Artífices, no bairro que hoje carrega seu nome. O instituto durou apenas até 1877, a ideia foi retomada em 1910, no auge da borracha, com a Escola de Aprendizes Artífices, instalada no Centro de Manaus, onde funciona hoje sua sede como Instituto Federal do Amazonas, Ifam.
Atualmente, o Ifam forma artífices do Ensino Médio ao Doutorado, em 17 unidades — três na capital. Recebe jovens, muitos vindos do interior ou de classes menos favorecidas, e os habilita nas tecnologias demandadas pelo Polo Industrial de Manaus. Dessa estrutura também nascem oportunidades educacionais no interior do estado, com cursos e projetos que beneficiam as potencialidades locais.
Como breve capítulo dessa longa trajetória, o Ifam está estabelecendo um curso de Tecnologia em Automação Industrial na unidade do Distrito Industrial, o Ifam-CMDI. A decisão surgiu em resposta às demandas relatadas por representantes da indústria em pesquisa sobre os cargos mais demandados pelo PIM. Em seguida a administração do Ifam consultou a comunidade acadêmica, e esta demonstrou preferência pelo curso de Tecnologia em Automação Industrial. Ou seja, é clara a convergência: empregadores querem e estudantes desejam essa formação.
Na semana passada o Ifam realizou audiência pública para debater este cenário. Participaram comigo na composição da mesa o pesquisador e desenvolvedor Rafael Nunes, o empresário do PIM e ex-aluno do Ifam-CMDI Luciano Benitah, e a doutora Ana Emília Diniz, representando o Conselho de Engenharia. Todos concordamos que o Ifam-CMDI está preparado para ofertar o curso de Tecnologia em Automação Industrial e suprir essa necessidade estratégica.
Minha fala, que reafirmo aqui, destacou o papel da automação no presente e no futuro da indústria amazonense. O Polo Industrial de Manaus carece de profissionais com conhecimentos específicos, capazes de lidar com tecnologias refinadas e resolver problemas imediatos do chão de fábrica. Cursos longos de graduação muitas vezes apresentam o estado-da-arte do conhecimento, mas frustram o jovem que, ao trabalhar no PIM, se depara com restrições de escopo. O curso de Tecnologia, em contraste, é direto: dá logo o “mão na massa”, ainda na instituição, e por ser mais breve, viabiliza a aprender pelas pontas dos dedos em contato real com a produção, com os jovens indo mais rapidamente ao ambiente profissional.
Por óbvio, o cumprimento deste objetivo com formação ao nível de Tecnologia não pode ser em si mais uma limitação de escopo. Sobretudo agora que a indústria transita da produção em massa padronizada para abordagens de maior otimização e inteligência. A prática profissional mais imediata na indústria deverá auxiliar os jovens tecnólogos a se tornarem engenheiros, mestres e doutores melhores que se não tivessem iniciado pelo curso de Tecnologia. Ou que localizem com maior perspicácia as oportunidades no ambiente corporativo, tendo ainda a clareza que os ambientes corporativo e acadêmico devem ser complementares. Somente assim conseguiremos agregar valor e consolidar as melhores competências. Afinal, este é o objetivo de todos nós.







