O Legado de S. João Paulo II

Em: 26 de agosto de 2026

Sempre admirei os povos que sabem manter suas tradições, sua cultura, sua raízes com aquele ânimo do sopro do Gênesis, com a fé brotando pelos poros da alma  Esses alargam pouco a pouco seus horizontes. E por vezes conseguem, com essa esperança, “essa secreta voz da imortalidade” (Bécquer), ultrapassar fronteiras e até eliminar culturas de outrem feitas na maioria das vezes com a luta exaustiva da ancestralidade. Manaus há decênios perdeu para Parintins o Maior Festival Folclórico, que merecia capas das revistas de maior renome nacional como a “Manchete” e “O Cruzeiro”. Perdeu seu posto de cidade atenta a sua própria identidade social porque deslumbrou-se com o poderio econômico advindo da instalação da Zona Franca em 1967. Seus horizontes perdidos no compromisso com seu “eu” de cultura e urbanidade sã. Tudo culminado com o desenvolvimento midiático televisivo. Passou-se a adorar a serpente desenvolvimentista em lugar da “Senhora de Nossos Primeiros Cantares”, Com todo esse cosmopolitismo alienante e Individualista, passamos de terra receptadora de migrantes enraizados para um corredor de passageiros fugazes e voláteis. Que vão e voltam conforme seus interesses. E pior.

 

Nós os aplaudimos em detrimento de nossas “Canções de Berço”. No entanto, tenho também profunda admiração por sementes que germinam como os bíblicos grãos de mostarda. Que ao passar do tempo e com a fecundidade da alma dos homens da terra formam ramagens espessas onde se abrigarão todas as aves dos nossos sublimes cantares. Falo aqui do legado de 1980. Esse grão de mostarda que João Paulo Il deixou em nossa terra. Primeiro ao sagrar a Catedral de Nossa Senhora da Conceição como símbolo-primeiro da cidade em similitude à Catedral da Sé de São Paulo (a que Dom Odilo Scherer refere-se como” Igreja-mãe, pelo que representa e por haver testemunhado momentos fundamentais na história do Brasil”).

 

0 segundo legado foi o “maior contingente de população religiosa’ na missa campal da Bola da Suframa. O terceiro, a procissão fluvial de São Pedro tradicionalíssima já com quase 70 anos, hoje é imitada pelos interioranos como prova de que fundamentais são esses caminhos líquidos de nosso Estado feito águas lustrais da fé rumo ao transcendental. No entanto, a maior herança que o papa santificado a 27de abril (2025) deste ano ofereceu a Manaus iniciou-se ao nominarem um conjunto residêncial de João Paulo Il. Depois a instituição da comunidade Católica João Paulo Il, porque é considerado o mais carismático pontífice que a Igreja Católica já possuiu. A igreja do conjunto, construída a duras penas, recebe o mesmo nome sendo o papa padroeiro do lugar. A igreja foi fundada em 2005, logo após sua morte. E o nome foi sugestão do então bispo auxiliar Dom Sebastião Bandeira. Existe a área missionária João Paulo Il no bairro Jorge Teixeira, que “são comunidades cristã-católicas espalhadas em vários lugares da periferia”. “Cito como fonte extensa reportagem jornalística mostrando a maciça procissão feita em seu louvor e o ineditismo de ser a primeira Igreja do Brasil a receber o nome de Igreja São João Paulo ll. Eis o legado Quando em 2010escrevi artigo no Em Tempo para Dom Sebastião Bandeira falei de seus portais da Esperança: que ele os abriu com um verbo: compartilhar. E apostou que para solução de problemas da Grande Manaus o que falta não é riqueza. O que falta é o amor. Esse impulso que a teologia chama de missão de serviço. Razão do bem querer. Herança dos santos e. de heróis. P.S- HOJE EXISTEM?.

Carmen Novoa

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