O pacto civilizatório em crise: guerras, polarização e extremismo na era digital

Em: 14 de maio de 2025

O pacto civilizatório é um conceito que remonta ao Iluminismo e representa o acordo tácito de priorização da cooperação, do respeito às leis e da ética como pilares da convivência humana. No entanto, temos testemunhado uma crise aguda desse pacto: crimes de guerra, extremismo político, violência digital e discursos de ódio.
A persistência de conflitos na Ucrânia, Síria e Gaza evidencia a fragilização do direito internacional. Massacres de civis, uso de armas químicas e destruição de infraestruturas críticas violam repetidamente convenções internacionais. Instituições como o Tribunal Penal Internacional enfrentam dificuldades para julgar criminosos de guerra devido aos vetos geopolíticos. A impunidade não apenas deslegitima a justiça global, como também normaliza a barbárie.
A democracia, sistema que depende do debate racional, sofre com a radicalização ideológica. Nos Estados Unidos e no Brasil, temos exemplos concretos dos custos sociais e econômicos da polarização política. Além disso, as redes sociais vêm sendo usadas para amplificar discursos simplistas e mentirosos, substituindo o diálogo por confrontos. Essa dinâmica dificulta acordos mínimos e essenciais para a coesão social. Assim, quando a política se torna uma guerra identitária, o pacto civilizatório perde seu terreno comum.
Grupos políticos extremistas, supremacistas brancos e extremistas religiosos sabem explorar crises socioeconômicas e medos coletivos para aumentar seu território de dominação e seus fluxos financeiros. A desigualdade e a exclusão alimentam ainda mais narrativas reducionistas, que culpam “o outro” por problemas estruturais e complexos.
O uso da internet, especialmente das redes sociais, potencializa essa polarização pela disseminação de informações falsas e manipuladas. Infelizmente, os algoritmos priorizam o engajamento por meio de conteúdos sensacionalistas e teorias conspiratórias. A chamada “câmara de eco” digital reforça preconceitos e isola usuários em bolhas, dificultando a empatia.
Portanto, a crise ética atual é um chamado para a reinvenção do pacto civilizatório. É urgente desenvolver respostas multilaterais baseadas em sistemas democráticos de escuta e no fortalecimento do bem-estar global de forma equitativa: fortalecer instituições internacionais, regulamentar as redes sociais e investir em educação crítica.
Para os jovens, é crucial reconhecer seu papel na construção de uma esfera pública mais inclusiva, em que a tecnologia sirva à empatia, não à divisão. Reacender os ideais de cooperação mútua e justiça social é a única forma de evitar que a civilização regrida à lei do mais forte.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Search