Dando sequência ao artigo da semana passada, prepare-se para descobrir mais seis finalistas do The Earthshot Prize 2025, cujas soluções visionárias prometem revolucionar a forma como cuidamos do planeta. Entre eles, estão soluções que vão do reaproveitamento radical de edifícios à reinvenção da moda e da economia circular. Quem tem mais chance de conquistar o prêmio mais cobiçado da sustentabilidade no dia 5 de novembro de 2025, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro?
Terceira área: Reviver Nossos Oceanos
3.1 Bonds for Ocean Conservation (EUA)
Esta é uma coalizão iniciada pela Debt for Nature Coalition (https://www.debtfornature.org/) e que conta com apoio de seis organizações ambientais de peso: Conservation International, The Nature Conservancy, The Pew Charitable Trusts, Rewild, Wildlife Conservation Society e World Wildlife Fund.
Em grande síntese, a solução cria “títulos azuis” que convertem dívidas de países em investimentos para conservação marinha e resiliência costeira, beneficiando tanto ecossistemas quanto economias locais. Segundo o The Earthshot Prize (TEP), até o momento, a Coalizão já mobilizou mais de US$ 1,4 bilhão para conservar cerca de 3 milhões de km² dos ecossistemas mais preciosos e vulneráveis do planeta, com projetos realizados com sucesso em Seicheles, Belize, Barbados, Gabão, Galápagos, Bahamas e Amazônia Equatoriana.
Até 2030, a meta é dobrar esse impacto, liberando mais de US$ 3 bilhões para ações de conservação e clima em todo o mundo, um verdadeiro tsunami de proteção que impulsiona o progresso e resgata a vitalidade dos oceanos.
3.2 The High Seas Treaty (Holanda)
Liderada por Rebecca Hubbard e a High Seas Alliance (https://highseasalliance.org/), a solução impulsiona a implementação do Tratado do Alto Mar, considerado o primeiro acordo internacional para proteger áreas oceânicas fora de jurisdição nacional.
Segundo o TEP, nos bastidores, a High Seas Alliance, possui uma coalizão formada por mais de 70 grupos da sociedade civil, e tem trabalhado incansavelmente ao lado de governos, povos indígenas, comunidades locais de todo o mundo e cientistas para mobilizar o apoio internacional.
O objetivo é criar Áreas Marinhas Protegidas globais e democratizar a governança oceânica. Já alcançou apoio de mais de 60 países (Brasil ainda não ratificou) e poderá garantir proteção real a 60% dos oceanos até 2030.
3.3 Matter (Reino Unido)
A Matter (https://matter.industries/) é uma Startup sediada em Bristol, cidade do Reino Unido conhecida pela inovação verde. Basicamente, ela desenvolveu o Regen, um filtro de microplásticos que pode ser instalado em máquinas de lavar, tanto de indústrias têxteis quanto de residências. A tecnologia retém até 90% das partículas que iriam aos oceanos, ajudando a combater uma das maiores fontes invisíveis de poluição marinha, bem como reduzir a emissão do carbono e melhorar a qualidade da água.
Bem, ao que parece, nesta área, a competição está bem acirrada com grandes chances da Bonds for Ocean Conservation ser a vencedora, pois apresenta um conjunto mais robusto de evidências de impacto, com um feito de escala sistêmica inédita na história das finanças ambientais.
A integração de mecanismos econômicos e ecológicos, somada à sua expansão a países em desenvolvimento, atende ao viés de transformação planetária priorizado pelo prêmio.
Quarta área: Construir um mundo livre de desperdícios
4.1 ATRenew (China)
A ATRenew (https://www.atrenew.com/en-us/) é plataforma que coleta, avalia e revende eletrônicos usados por meio da economia circular, big data e IA.
Segundo o TEP, seu diferencial é escala e a velocidade. No centro de suas operações está o Matrix, um sistema movido por IA capaz de classificar, testar, controlar a qualidade, avaliar e precificar até 100 mil dispositivos por dia.
Em apenas cinco anos, a empresa já processou 150 milhões de eletrônicos, o equivalente a todos os smartphones do Reino Unido e da França juntos, e supervisionou o descarte ecológico de 1 milhão de aparelhos, evitando quase 155 toneladas de poluição eletrônica.
Com uma rede que abrange mais de 2.000 pontos de venda, oito centros regionais de operação e parcerias de revenda com consumidores, a ATRenew construiu um poderoso modelo de economia circular, estando presente na China, no Japão e na Suécia, e em expansão para o Sudeste Asiático e a América Latina.
4.2 Lagos Fashion Week (Nigeria)
A Semana Fashion de Lagos (https://lagosfashionweek.ng/) está na sua 15ª versão e tem se tornado referência na África, reunindo compradores, consumidores e a mídia para conhecer as coleções mais recentes de designers durante quatro dias, realizada na capital da moda, Lagos, na Nigéria.
Diferente de outros eventos, a Lagos Fashion Week une criatividade e responsabilidade socioambiental. Cada designer deve provar seu compromisso com práticas sustentáveis, desde a origem dos tecidos até a produção e transporte das peças, garantindo ética, transparência e sustentabilidade em toda a cadeia da moda.
Além disso, outro diferencial inovador está além das passarelas, pois o evento investe em transformações estruturais de longo prazo, por meio de programas de capacitação que fortalecem cadeias produtivas locais, revitalizam o artesanato tradicional africano e reaproveitam resíduos como matéria-prima de valor. Assim, o evento não apenas lança tendências, mas redefine o futuro da moda africana, inspirando marcas a adotar práticas conscientes durante todo o ano, e não apenas sob os holofotes.
4.3 Quay Quarter Tower (Austrália)
O Quay Quarter Tower, em Sydney, é um marco de engenharia e arquitetura sustentável que deveria inspirar gestores públicos e empresários da construção civil no Brasil. Inaugurado em 1976, o edifício parecia ter chegado ao fim de sua vida útil, mas, em vez de ser demolido, foi ressignificado.
Uma coalizão visionária de arquitetos, engenheiros e construtores transformou o arranha-céu em um símbolo global de reaproveitamento estrutural inteligente. O empreendimento foi liderado pelos dinamarqueses da 3XN, em parceria com BVN, BG&E, Arup e Multiplex,
O projeto foi concluído em 2022 e preservou 65% da estrutura original e 98% do núcleo, evitando a emissão de mais de 12 mil toneladas de carbono. O resultado é um edifício duas vezes maior, mais eficiente e inovador, com área útil ampliada de 45 mil para 102 mil m², capacidade para 9 mil pessoas e a instalação da primeira retrofit de elevadores duplos do mundo. Um exemplo concreto de que sustentabilidade e alta performance podem coexistir na verticalização das cidades.
Então para concluir, nesta área, creio que a ATRenew possui métricas que impressionam pelo alcance e eficiência: 150 milhões de eletrônicos processados, 155 toneladas de poluição evitadas e um sistema de IA, o Matrix, capaz de processar 100 mil dispositivos por dia. Enquanto Lagos Fashion Week é inovadora na moda ética e o Quay Quarter Tower é uma referência em retrofit arquitetônico, a ATRenew ultrapassa ambos pela capacidade comprovada de reduzir um dos tipos de lixo mais críticos da era digital: o e-lixo. Sua escalabilidade intercontinental reforça o caráter catalisador exigido pelo TEP.















