Quase tudo em previsão é olhar para o passado. Nele estão as estruturas e eventos que permitem compreender a natureza dos fenômenos. As estruturas são as condições normais de temperatura e pressão. Para a economia amazonense, fortemente baseada no Polo Industrial, sua estrutura é o mercado interno brasileiro. Ele se comportando de tal forma, levará o desempenho do Polo para tal direção. Daí as projeções seguem no detalhamento da estrutura, os componentes do mercado interno brasileiro que direcionam o desempenho do PIM. São exemplos o PIB nacional, inflação, confiança do consumidor, taxa de juros, crédito, emprego, renda etc.
Eventos podem ser fatos específicos frequentes, como mudanças de tecnologias, ou surpreendentes, como pandemias e guerras. Em 2026 teremos dois eventos que supomos influenciar positivamente o desempenho do PIM. Copa do Mundo e eleições presidenciais. Tudo o mais constante, são dois eventos que pensamos direcionar o desempenho do PIM para o território positivo. Destaque à Copa impulsionando vendas de TVs, receptores e telefones celulares. Vejamos como.
Começamos pela última Copa em que fomos campeões, 2002. Estrutura em recessão econômica, não houve demanda e a venda de TVs decaiu 2% ante o ano anterior. Com câmbio depreciado, o faturamento em dólares reduzira em 5%. Até a produção de receptores caíra, em 5%. Um pesar particular que aquele foi o ano de início da produção das TVs de LCD, com 357 unidades. Demanda tivesse sido elevada provavelmente as fabricantes teriam antecipado o lançamento desta tecnologia.
Em 2006 a Copa ocorreu na consolidação da TV Digital, e da convivência das três tecnologias: Cátodos, LCD e Plasma. O volume de vendas de TVs aumentou em 15%, para 12,6 milhões. Câmbio fortalecido fez o faturamento em dólares aumentar em 34%, para US$ 3.19 bilhões. Receptores colaboraram, com aumento de 29% no volume de vendas.
2010 foi ano de recuperação das estruturas após a recessão de 2008. Nas TVs, aumento de 22% no volume de vendas e de 56% no faturamento em dólares. Primeiro passo da consolidação da tecnologia LCD, que quase duplicou o volume de vendas. Receptores colaboraram novamente, com aumento de 30% ante 2009, e mais que o dobro da Copa anterior. E os telefones celulares consolidando a era dos smartphones aumentaram as vendas em 12%.
A Copa do 7 a 1 já sentia dores de nova recessão, que perduraria até fins de 2016. Os receptores registraram recorde de volume, 14 milhões e faturamento de US$ 1.14 bilhão. O volume de celulares vendidos diminuiu em 12%. E de TVs aumentou em apenas 0,3%, no recorde que beliscou 15 milhões.
Em 2018 o mercado se recuperava da recessão, e 2017 era base forte de comparação. As vendas de TVs aumentaram em apenas 5%. 2022 foi o pós-pandemia, sem recuperação plena. Celulares aumentaram tímidos 4%.
Para 2026 a tendência é de retomada. As bases de comparação estão fracas para TVs e celulares. TVs tiveram boas vendas em 2024, mas devem cair cerca de 10% em 2025. Celulares devem registrar a terceira queda seguida no volume de produção, indo abaixo de 12 milhões. O mercado interno brasileiro está no quinto ano de inflação contida e ganhos de empregabilidade. Cenário perfeito para consolidar tecnologias, como multitelas, flips e mini-LED. Seremos campeões!







