Panorama Econômico – Agosto/2025

Em: 20 de agosto de 2025

A economia do Amazonas apresenta, em agosto de 2025, um quadro de resiliência com sinais mistos entre os principais indicadores. O setor de Comércio e Serviços — que respondeu por 43,84% do PIB estadual no 1º trimestre — manteve tração relevante: o faturamento acumulado no ano alcançou R$ 134,98 bilhões até maio, com R$ 28,07 bilhões apenas em maio, em valores reais (2024 fechou em R$ 315,03 bilhões). Esse patamar confirma atividade elevada, mas também sugere desaceleração setorial em alguns nichos, exigindo atenção à composição da demanda.
No varejo, os dados do IBGE mostram estabilidade no curto prazo e ganhos modestos no horizonte mais longo. O volume de vendas do varejo restrito variou 0,0% de maio para junho, avançou 0,6% ante junho/2024, acumula +1,9% no ano em relação ao mesmo período de 2024, e +3,5% em 12 meses. No varejo ampliado, houve recuo de -1,9% no mês e de -1,4% na comparação interanual, embora o acumulado do ano em relação a 2024 (+2,6%) e dos últimos 12 meses (+5,7%) siga positivo. Em síntese, há demanda, porém com maior seletividade do consumidor e diferenciação por categorias.
Nos serviços, o dinamismo é mais amplo: o volume cresceu 0,3% no mês de junho, 4,1% ante junho/2024, acumula +2,2% no ano (versus 2024) e +7,9% em 12 meses. O turismo se destaca como vetor de expansão, com +2,8% de maio para junho, +14,2% na comparação de junho/2025 com junho/2024, +11,8% no ano (versus 2024) e +8,7% em 12 meses. Esses números irradiam efeitos para hospedagem, alimentação, transporte e economia criativa, abrindo espaço para arranjos produtivos locais, pacotes integrados e maior capilaridade de serviços voltados à experiência do visitante.
No front fiscal, a arrecadação de ICMS de Comércio e Serviços caiu -0,6% no 1º semestre versus 2024; em junho, -7,5% interanual e -2,8% frente a maio. A projeção para 2025 indica decréscimo de -1,3%, com sazonalidade desfavorável em março. O pano de fundo macroeconômico segue desafiador: Selic em 15,0% a.a. encarece o crédito e contém investimentos; o IPCA marcou 0,26% em julho, com 12 meses em 5,23% (acima da meta); o câmbio permanece volátil (PTAX a R$ 5,41 em 12/08) e pressiona custos importados, com impactos relevantes na ZFM. As bolsas seguem voláteis, embora com alguma recuperação recente.
Os termômetros de confiança e consumo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) adicionam nuances importantes. O Índice de Confiança do Empresário (ICEC) atingiu 116,6 em julho/2025 (acima do nível de otimismo), com +2,46% no mês, mas -2,2% frente a julho/2024. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) ficou em 118,7, crescendo +1,45% no mês e recuando -1,49% na base anual — sinal de consumo presente sustentado, porém com base de comparação mais forte em 2024. Em paralelo, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (PEIC) indica 85,1% de famílias endividadas (abaixo de junho, 85,4%, mas acima de julho/2024, 79,1%), o que recomenda cautela com prazos e ticket médio, dado o menor espaço para alavancagem do consumo.
No mercado de trabalho, o saldo permanece favorável e ajuda a sustentar a demanda: o estoque formal em Comércio e Serviços atingiu 385.977 vínculos em junho/2025 (recorde), +0,30% no mês, +4,5% ante junho/2024 e +1,9% frente a dezembro/2024; o setor responde por 68,2% do emprego formal estadual. As admissões superaram desligamentos em 1.227 vagas no mês, reforçando uma base de renda que, embora pressionada pelo crédito caro, tende a estabilizar o fluxo de consumo ao longo do segundo semestre.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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