Sea-Air: Valiosa oportunidade por Chancay

Em: 27 de novembro de 2025

Muitas oportunidades são percebidas ao vencer estranhezas. A de agora vem do contraste entre dados de Logística e Comércio Exterior do Amazonas. Pela plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, de janeiro de 2023 a agosto de 2025 o Amazonas importou por via aérea 60 mil toneladas. Pela Agência Nacional de Aviação Civil, ANAC, os números são bem superiores: 80 mil toneladas. Por que será esses números não batem?.

Bases diferentes sempre trazem números diferentes. Trago do ComexStat valores já reduzidos para excluir itens que não são insumos típicos do Polo Industrial de Manaus. Sobretudo, a ANAC forma seus dados preocupando-se mais com os dados de transporte que de comércio. Por exemplo, importa-lhe mais os dados da carga bruta, e o ComexStat é carga líquida.

Nos detalhes das origens a estranheza aumenta. Para o ComexStat, 83% das nossas importações aéreas vem da Ásia. Primeiro China, com 29 mil toneladas, depois Vietnã, com 7,5 mil toneladas. Os outros países asiáticos importantes para o fornecimento do PIM na via aérea são Japão, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia, Hong Kong e Taiwan. No ranking geral de importações aéreas os países não asiáticos relevantes são Estados Unidos, em terceiro lugar, Alemanha em décimo primeiro e México em décimo segundo. Para a ANAC, contudo, quase a totalidade de nossas importações vêm dos Estados Unidos. Da Ásia teria vindo menos de 1%. Como explicar?

O modal aéreo é indispensável para trazer ao PIM os insumos de maior valor agregado. Seu valor médio por Kg é de US$ 230. O valor médio por Kg das importações por via aquaviária é US$ 4,50. Em correspondência, o frete aquaviário é muito mais barato: US$ 0,3 por Kg, enquanto o aéreo é em média US$ 13 por Kg. O modal aquaviário, além de mais arriscado para os insumos de maior valor agregado, exige um investimento adicional de armazenamento e prolonga os ciclos operacionais, o que força a escolha pelo modal aéreo para muitos insumos de Eletroeletrônicos e Informática.

Aqui a explicação: Hoje não há rotas aéreas diretas da Ásia para Manaus. Importadores do PIM usam resíduos das muitas rotas da Ásia para os EUA, onde costumam fazer uma travessia bioceânica, da Califórnia para a Flórida, para depois virem a Manaus. O modal aquaviário não está livre de ineficiências, com boa parte das viagens tendo que passar por São Paulo antes de virem a Manaus.

Vencida a estranheza, vemos a oportunidade: No Peru há uma das maiores estruturas logísticas da costa pacífica nas Américas: O porto de Chancay. Ele pode ser um instrumento de flexibilização das fronteiras entre os modais aéreo e aquaviário do PIM. Uma alternativa seria a modalidade “Sea-Air”, em que um primeiro trajeto seria feito pelo modal aquaviário, desde os portos asiáticos, e de Chancay a carga seria direcionada ao aeroporto de Lima, de onde viria a Manaus.

O “Sea-Air” por Chancay absorveria parte do que hoje vem totalmente pelo aquaviário, aceitando certo aumento do frete a contrapartida de redução no tempo de transporte. Obviamente não se excluiria opção integralmente aérea com vôos da Ásia que usariam o aeroporto de Lima como escala. Isso reduziria de imediato o custo de aquisição dos insumos que hoje passam pelos EUA. Estranheza pronta para ser resolvida.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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