Lí seu belo artigo sobre o título “Abismos Sociais”, onde v. as. fala sobre o perfume francês “L’Air Du Temps”, e seu escrito gostoso de ler abordando a arte de “Morrer em Silêncio” e “Obesos Famélicos”, da Editora Lince, lembrando a história de que em plena Revolução Russa o alto clero ortodoxo reunia-se a portas fechadas para discutir qual a cor dos paramentos de suas celebrações pomposas, tive von ade de prestar-lhe o “Tributo à Violeta Branca” cujos versos guardo em minha mente até hoje:
“Faço um poema breve e justiceiro ao toque de recolher”. Parafraseio-a, com v. permissão. “Carmen é uma violeta, uma rosa, Humílima, culta, inteligente sábia, bonita, como o rito da própria flor. Uma pétala escondida nos inquietos ritos superiores aos tempos e às distâncias. Ao toque de recolher pelas ruas desertas, passa meu poema mensageiro, formulo decretos e executo castigos e anuncio redenções.
“Cantem agora tuas plenitudes, Melodiem hoje tuas horas altas e felizes, Untem portais com o sangue das estrelas. Meu poema salvador mostra êxodos, tece libertações, Poupa da morte os primogênitos de versos e luz”.
“Faço um poema breve e exterminador de estrofes cortantes, letais como lâminas de arcanjos, se para tuas tantas rimas, tanta incandescência houver, também, tantas sombras e tanto a esquecer”.
Tanto “Abismos Sociais” quanto o “Tributo à Violeta Branca” mostram a mesma face de uma mulher inconformada com o supérfluo nosso de cada/dia, com o caráter iônico, carregado da energia negativa da fome no mundo, símbolo da indiferença das sociedades apáticas e frias do Primeiro Mundo em relação aos outros países do Quarto Mundo e seus mapas caótico.: do Magrebe africano, sem esquecer do Ocidente asiático e a América Central com seus Haitís a exportar a fome:, e a miséria para todo continente Sul..
É triste lembrar dos famintos da Somália, da África, e de tantos milhares, milhões, que secam e morrem no mais triste silêncio e na mais deplorável solidão. Percebi seu lamento quando abordou o tráfico internacional de rins, e pedaços de seu corpo, na África, a preços irrisórios.
Seu apelo é forte. “Enquanto nos trajamos com os paramentos embevecidos com a policromia do poder e glórias terrenais deveríamos nos lembrar de olhar ao nosso derredor os fossos feitos de casebres em guerra da sobrevivência condigna”.
Parabéns, ilustre Carmen Novoa. Enquanto vemos enormes “abismos sociais” por todos os lados paira na nossa mente uma vontade de segredar poesias tecidas como túnicas inconsúteis para recordar da brevidade da vida e dos lamentos que a todos virão com a certeza de que um dia também faremos, como aqueles de tão longe, nossa última e solitária viagem pelo azul quando plangerão tristes violinos nos fazendo lembrar quão triste é, ao peregrino, a voz de um ano na sua solidão. Cumprimentos do Rui Barbosa da Costa, da Afeam. Grande amigo do casal Ricardo e Carmen.
CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP







