Alcançando as convenções evidencia-se que cada ser humano é uma usina de pensamentos, de idéias, fantasias, imagens mentais, desejos e emoções. Diariamente, essa usina está em plena atividade, seja em pessoas de qualquer idade, mesmo idosos ou crianças, intelectuais ou iletrados, diretores de cinema ou expectadores, esportistas ou torcedores. Sucede, é impossível interromper o processo de construção de pensamentos. Nem os mais experientes psiquiatras, psicoterapeutas, filósofos, monges budistas conseguem zerar sua construção intelectual e emocional.
O que você pensa determina o que você sente. O que você sente determina o que você registra em sua memória. O que você registra determina os alicerces de sua qualidade de vida. Quem quer cuidar de sua saúde psíquica deve em primeiro lugar gerenciar o que pensa.
Una pessoa inteligente aprende com seus erros; uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros. Quem aprende com os erros dos outros não precisa acidentar-se, fragmentar-se e ferir-se, pelo menos não com frequência. Ser inteligente é importante: ser sábio é essencial.
Quem acredita em destino elimina o “eu” como diretor do script de sua história. É um fatalista, que pouco reage, repensa e muda sua rota. Há fatos e circunstâncias incontroláveis, mas o destino não é, frequentemente, inevitável, e sim uma questão de escolha. Quem faz escolhas e assume suas consequências escreve sua própria estória, constrói seus próprios caminhos.
Ao cabo do viver, a grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe. Os que pensam o contrário serão contaminados pelo orgulho. deixarão de ser construtores de novas vidas, passarão a ser repetidores de dados. Serão filhos do tédio e amantes da mesmice, e não desbravadores de novos espaços.
Nos comunicamos com o mundo pela internet, mas temos grande dificuldade de falar com nós mesmos. Dominamos a tecnologia para viajar para outros planetas, mas não para conquistar os espaços onde nasce a timidez, floresce a ansiedade, cultiva-se o medo e semeia-se o sentimento de culpa. Exploramos mundos distantes, mas não nossos próprios mundos.
Tente parar de pensar com toda sua força e habilidade . Experimente jogar fora de sua memória alguém que o perturbou. Não terá êxito. Até a tentativa de interrupção já é, em si, um pensamento.
Quantas vezes desejamos deletar um pensamento tolo, uma preocupação estúpida, uma ideia angustiante, uma emoção fóbica, e simplesmente falhamos ? Motivo: eles não foram produzidos pelo “eu”, pelo gestor psíquico, mas por outros fenômenos que leram as janelas da memória. É o caso da obsessões ou ideias fixas.
A meio-caminho das convenções, pensar não é somente uma decisão consciente do “eu”, que pensa o que quer, quando e como quer. Nada é tão complexo em nossas mentes quanto isso. Pensar também depende de fenômenos inconscientes que não controlamos. Portanto, nesse sentido, podemos fizer que pensar é o destino inevitável do Homo sapiens.
Técnicas como parar de pensar, de distrair, negar, disfarçar, que sempre foram usadas ao longo da história humana por todos os povos, inclusive na atualidade, frequentemente não tem êxito; ao contrário expandem a ansiedade e aceleram os pensamentos. As melhores técnicas, como já se viu, dependem de treinamento, entre elas o oso maciço da arte da críitica, da dúvida, da impugnação, do confronto analpitico, do grito silencioso no palco da mente. E cada pessoas deve exercitá-las de acordo com sua própria capacidade e habilidade.
Você é um espectador passivo dos pensamentos angustiantes ou um ator ativo que exerce um silêncio proativo no campo psíquico? A grande maioria dos humanos é de espectadores frágeis, não sabem o que fazer com o lixo psíquico. Como vimos, deveríamos ensinar as crianças, desde a mais tenra infância, a criticar e confrontar em sua mente tudo que as aprisiona. Não ensiná-las é uma falha educacional gritante. Essa técnica é tão importante como aprender a andar e falar.
Por que pensar é o destino inevitável do Homo sapiens? Por que controlamos a matéria, os processos nas empresas, a direção de um veículo, mas não controlamos facilmente os pensamentos, as emoções e as imagens mentais? Essa é uma questão psicológica, sociológica e fisosófica crucial. Poucos pensadores se atreveram a entrar nessa área. Opina-se que essa é a última fronteira da ciência.
É de se sustentar que pensar é uma atividade multifocal. Além do “eu”, como ator principal, há três outros atores coadjuvantes que vasculham e leem as janelas do córtex cerebral e produzem o mundo dos pensamentos e das emoções, seja quando estamos acordados ou dormindo, nos sonhos. São eles: o gatilho da memória, a janela ou âncora da memória e o autofluxo. Eles transformam a mente humana num fonte borbulhante de construções psíquicas.
Ainda aparentemente seja um pouco complicado entender esse processo, se confiarmos em nossa capacidade intelectual e nos concentrarmos, poderemos compreender o suficiente para descobrir ferramentas e usá-las para promover nossa saúde psíquica e expandr os horizontes de nossa inteligência. É bom sabermos que somos mais complexos e complicados do que imaginamos. Simplifiquemos as explicações, mais adiante. (Continua).
—
É advogado (OAB/AM 436). Contato: bosco @jackmonthadvogados.com.br.















