Enquanto o Amazonas comemora a vitória de mais uma batalha para a manutenção das alíquotas interestaduais do ICMS, o economista e conselheiro consultivo do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia), José Laredo, ressalta a importância de se manter o alerta para novas investidas dos Estados do Sul e Sudeste contra o modelo ZFM. Laredo ressalta também a importância da união dos políticos em torno da votação e os riscos não só econômicos, como ambientais, que uma modificação no modelo pode trazer.
Jornal do Commercio – Como avalia a importância desta manutenção da alíquota de 12% para o Amazonas?
José Laredo – É uma conquista importante em relação a essa ameaça que ronda o PIM. Mas conseguimos vencer parcialmente. Temos que ter em vista que essas discussões ainda precisam ser aprovadas pelo plenário. Não podemos esquecer dos pontos positivos dessa votação e nem de que os políticos de São Paulo ainda devem se movimentar em relação ao resultado. Mas de qualquer maneira dá um grande alívio aos agentes econômicos do Estado.
JC – Qual seriam esses pontos positivos?
Laredo – Assim como aconteceu aqui, acredito que irá haver uma união dos opositores do modelo, os demais Estados capitaneados por São Paulo não vão se manter inativos em relação a ZFM. Com certeza eles vão sempre se movimentar tendo em vista a defesa para o Estado de São Paulo, em detrimento de quem mora aqui. Isso é natural, essa disputa interestadual. Nós acabamos de assistir uma união de políticos opositores em defesa dessa ameaça que paira sobre o modelo e isso é produtivo e pode fortalecer o polo industrial para os próximos embates. Acredito que isso possa trazer muitas vantagens políticas e econômicas para o polo, desde que essa união permaneça.
Não quer dizer que não irá haver outras discussões como sempre houve nesses 46 anos de existência do modelo.
JC – Você ressaltou a importância de continuar defendendo o modelo em virtude da próxima votação no plenário e de possíveis novos ataques. Quais os impactos que essa incerteza pode causar no PIM.
Laredo – Alguns dos melhores discursos de defesa que eu ouvi hoje tocaram em um ponto que venho defendendo a muito tempo que é a preservação ambiental. Todos os brasileiros querem que a Amazônia seja preservada, inclusive é um paradigma internacional. Jamais iriam aceitar depredar a floresta Amazônia. O senador Braga ressaltou que aqueles que estão retirando as vantagens da Zona Franca de Manaus depois não podem reclamar se o povo partir para depredação dos recursos naturais como alternativa ao que existe aqui de negócio oferecido pelo PIM. Essa é uma posição que eu defendo.
JC – Você acredita que a questão ambiental preocupa tanto quando a situação econômica?
Laredo – As duas situações são preocupantes. O que deve ficar claro é que a perda de arrecadação, redução de incentivos e outros fatores resultantes das vantagens econômicas que o Amazonas tem, iriam afetar o Estado de várias maneiras diferentes. Com certeza, a manutenção da ZFM do jeito que ela está, com as vantagens atuais, incluindo o ICMS interestadual de 12% nos dá uma vantagem. Mas tenho certeza que o resto do país concorda que as vantagens da ZFM é uma precondição para manutenção da floresta em pé, da preservação de 98% do que nós temos no Estado.
JC – Um dos discursos dos senadores opositores ao modelo era que ele deixou o Amazonas dependente das vantagens e mantê-las só iria aumentar essa dependência. Como vê isso? A Zona Franca precisa de uma reformulação?
Laredo – Sobre a necessidade de repensar o modelo, acho absolutamente correto. Tanto é que estamos através do Corecon promovendo um seminário no dia 23 de maio, na Federação das Indústrias às 14h, onde será feito um debate sobre sugestões e propostas para melhorar a administração e a gestão do modelo. O que nós precisamos fazer daqui para frente para mantermos o que temos é melhorarmos a performance do modelo, com novas fábricas, novos empregos, etc.
Nós defendemos que a solução está aqui dentro mesmo. Nós mesmos é que temos que achar a solução. Não há pessoas com maior conhecimento do Amazonas do que nós, que aqui trabalhamos e fazemos com que esse modelo dê certo, gere emprego e renda.







