“Não estou insatisfeito com o PT”

Em: 21 de dezembro de 2012
Esta semana, o deputado federal Francisco Praciano (PT) esteve em Manaus para participar da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas).
Esta semana, o deputado federal Francisco Praciano (PT) esteve em Manaus para participar da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas).

Esta semana, o deputado federal Francisco Praciano (PT) esteve em Manaus para participar da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas). Na ocasião, ele falou com o Jornal do Commercio sobre as recentes denúncias de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e negou que pretende deixar a sigla. Além disso, ele também criticou a proposta do governo federal em unificar a alíquota do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para todos os Estados e não descartou uma participação do PT na gestão do tucano Artur Neto em Manaus.

Jornal do Commercio – Deputado, uma proposta do governo federal, apresentada no último mês de novembro, para acabar com a chamada “guerra fiscal” entre os Estados seria unificar em 4% a alíquota do ICMS. O senhor concorda com esta unificação?
Francisco Praciano – É uma questão complicadíssima. Quando começou a Zona Franca nós tínhamos isenções em cima de impostos altos. O IPI era de 30%. Quem tinha isenção de 30%, era uma beleza. Agora, isenção sobre 5% começa a complicar. Se você tem o ICMS “x” e abaixa para 4% no Brasil todo, aparentemente a gente não perde. E se houver perdas, haverá fundos de compensação para essa perda financeira. Entretanto, tem outra perda que não é tangível, que é a perda da atratividade. Talvez seja melhor para os investidores ficar junto dos centros consumidores, em São Paulo ou em grandes centros que tenham uma infraestrutura completa e uma logística mais fácil do que vir aqui e pedir uma isenção de 4%. Então, essa história do ICMS só traz prejuízo para a Zona Franca, na minha opinião. Isso torna o investimento na Zona Franca menos atrativo.

JC – Este ano surgiram muitas denúncias de corrupção envolvendo o seu partido, o PT. Além disso, o senhor, por diversas vezes, se mostrou insatisfeito com as decisões que o diretório regional da legenda tomou para as eleições municipais deste ano aqui em Manaus. Como está hoje a sua situação dentro do partido?
FP – Não estou insatisfeito com o PT. Eu fico constrangido, preocupado, tentando reagir contra fatos que envolvem o PT. Ninguém no PT está confortável com a história do mensalão. Ninguém no PT está confortável com o “Escândalo Rose” (Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete regional da Presidência da República em São Paulo, a quem o Ministério Público Federal acusa de formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção passiva e falsidade ideológica) e outros escândalos que têm aparecido envolvendo o PT e outros partidos. Agora, o caso do PT realmente me deixa constrangido e preocupado porque eu estou pensando em começar a discutir dentro do partido uma certa reação para a defesa da instituição. O PT não é só companheiros envolvidos em escândalos. O PT é uma instituição que colaborou com a redemocratização do país, com a luta do trabalhador, com o direito dos trabalhadores, produziu vários elementos importantes dentro da política, como o orçamento participativo, a transparência, a questão da ética, teve o (ex-presidente) Lula com grandes programas sociais e esse partido não pode ver suas bandeiras queimadas. Mas, eu não vou sair do partido. Não tenho a menor intenção em sair do partido. Eu tenho que lutar dentro dele.

JC – Então o senhor pensa em disputar um novo mandato como deputado federal?
FP – [Pensativo] Acho que a gente vai discutir isso nesses próximos dois anos.

JC – E como o senhor analisa a participação do PT na nova configuração política de Manaus, cujo prefeito eleito é do PSDB, partido que faz forte oposição ao PT?
FP – Não sei. Isso aí é um problema do prefeito se vai convidar alguém. Eu tenho uma posição: nunca pedi um cargo. Sou um deputado federal sem cargo. Não trabalho nem com emendas. Não condiciono meu comportamento nem a recursos, nem a cargos. Eu sempre sugiro dentro do partido que se o governo não for do PT tente-se colaborar, mas não precisa ser “governo”.

JC – Caso haja um convite, o PT irá aceitar?
FP – Isso é uma decisão que cabe ao partido, não a mim. Eu não faço parte da direção, inclusive.

JC – Qual é a sua expectativa com relação à administração do prefeito Artur Neto?
FP – Torço para que ele faça o melhor possível. A cidade de Manaus está precisando de uma prefeitura moderna e dinâmica, que ataque seus pontos críticos. Quais são os pontos críticos? A questão da água: tem que ser resolvida logo, e dá para resolver. E a questão do transporte coletivo, que não está perto de soluções perfeitas, mas dá para melhorar e avançar bastante na qualidade do serviço.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar