“Pelo Amazonas, contra São Paulo”

Em: 20 de março de 2013
“Ou os tucanos paulistas mudam de postura, ou tucanos do Amazonas mudam de partido”
“Ou os tucanos paulistas mudam de postura, ou tucanos do Amazonas mudam de partido”

Em contundente discurso proferido no pequeno expediente da sessão de ontem (19) da Assembleia Legislativa, o presidente regional do PSDB, deputado Arthur Bisneto, mandou um ultimato ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB): ou os tucanos paulistas mudam de atitude em relação ao Estado do Amazonas e à Zona Franca de Manaus ou os tucanos amazonenses mudam de ninho e vão buscar outra legenda para disputarem as eleições de 2014.
“Não aturamos mais a briga de São Paulo contra o Amazonas, é preciso colocar ordem nisso tudo”, expressou Bisneto da tribuna, não deixando dúvidas de que o prefeito de Manaus, Arthur Neto, uma das maiores lideranças nacionais do PSDB, abandonará a sigla se o governador paulista não mudar seu comportamento sobre a “guerra fiscal” contra a ZFM.
Segundo explicou ao Jornal do commercio, as divergências entre o prefeito manauense e Geraldo Alckmin aumentaram depois que Alckmin denunciou o Amazonas no Supremo Tribunal Federal contra a lei 2.826/2003, que sustenta a atual política de incentivos fiscais daquele Estado e que prejudica a ZFM. “Isso tudo se aprofundou com as nossas discussões por conta da questão dos tablets e da criação das ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação). Então, ou o PSDB se comporta com respeito ao Amazonas ou terá que aguentar as consequências”, disse.
De acordo com Bisneto, o PSDB hoje é um partido controlado nacionalmente por caciques do Centro-Sul, Sul e Sudeste e esclareceu que, apesar do bom relacionamento com o senador mineiro Aécio Neves, os tucanos amazonenses não possuem afinidades com os tucanos sob a liderança de Alckmin, em São Paulo.
Bisneto diz não ter esperança de que os paulistas mudem de posicionamento quanto ao Amazonas, sobretudo com o acirramento da polêmica em torno da guerra fiscal e dos benefícios da partilha referente ao ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). E avisou que se a situação permanecer, Arthur Neto deixará o partido.“Compreendo que um governador defenda seu Estado, mas um projeto nacional tem que vislumbrar o País e não se deslumbrar na praia de Ipanema.Se houver uma polêmica interna mais grave, nós vamos nos insurgir”, alfinetou, ressaltando que o PSDB “não deveria existir mais no Amazonas e ele só existe aqui por causa da grande liderança de Arthur Neto. Nossa pátria é o Amazonas, depois é o país, o país que não é apenas São Paulo”.

PSB

Arthur Bisneto não quis adiantar nada ao JC sobre o futuro de Arthur Neto e dele próprio caso deixem o PSDB. Considerou bastante prematura a questão, preferindo aguardar o curso dos acontecimentos. “Por enquanto, estamos preocupados com a discussão nacional do PSDB sobre o nosso Amazonas, que é o que nos interessa de fato”, observou.
Na Câmara Municipal, o vereador Marcelo Serafim, um dos principais líderes do PSB no Estado, também acha cedo para especulações e afirmou desconhecer qualquer articulação sobre o possível ingresso de Arthur Neto e seus liderados no PSB, presidido pelo ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa. Arthur pertencia ao partido quando disputou o governo estadual em 1986 pela coligação “Muda Amazonas”, da qual distanciou-se a partir de 1989. Na ocasião, ele exercia seu primeiro mandato à frente da Prefeitura de Manaus e queria apoiar a candidatura do senador paulista Mário Covas (PSDB) à Presidência da República.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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