Embora reconheça a importância do pacote de benefícios anunciado pela presidente Dilma Rousseff (PT) ao Estado do Amazonas, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa afirma que, se o pacote tiver objetivos eleitoreiros, fracassará no mesmo nível do fiasco que foi a intervenção do ex-presidente Lula no primeiro turno das eleições municipais em Manaus. Àquela altura do processo eleitoral, Lula desferiu ataques diretos ao diplomata Artur Neto, o que, de acordo com números das pesquisas realizadas pouco antes de 7 de outubro, indignou a população e resultou no triunfo acachapante do candidato tucano.
Desta vez é a atual presidente da República que desembarcará na próxima segunda-feira em Manaus para anunciar a construção de sete novos aeroportos de médio porte no interior do Estado, além da reforma de mais 18 e a liberação de recursos federais da ordem de R$ 276 milhões para a construção de um anel viário, que ligará 30 quilômetros de vias interligadas à avenida das Torres aos sistemas BRT e monotrilho.
No dia 22, a presidente participará de um comício na capital para tentar fortalecer a campanha da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), em grande desvantagem na disputa com Artur Neto (PSDB) para suceder o atual prefeito Amazonino Mendes (PDT). “Antes de tudo, reconheço a relevância do pacote federal, inclusive o anel viário, que interligará diretamente o Aeroporto Eduardo Gomes ao Distrito Industrial sem passar pelo centro da cidade, o que vai melhorar o trânsito em Manaus. Eleitoreiras ou não, as obras na capital e no interior serão importantes para o Amazonas”, diz o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB).
No entanto, ele afirma que a presidente Dilma, para não associar seu pacote de benefícios à campanha de Vanessa Grazziotin, deveria aguardar o encerramento das eleições. “Assim, ela não contaminaria algo que é tão importante para o Estado com interesse eleitoreiro, e ela se pouparia de um grande constrangimento político depois que a população manauara provou, no primeiro turno, que não aceita imposições de líderes de renome nacional que não residem aqui. O ex-presidente Lula e a senhora Dilma não moram na cidade de Manaus”, adverte Ramos, assegurando que Dilma corre o risco de “ser sócia da derrota de Vanessa, pois o socorro federal não salvará Vanessa da derrota final”.
“Chantagem”
Para o líder do PPS na Aleam, deputado Luiz Castro, Dilma Rousseff, em princípio, não pode se submeter à chantagem como a que protagonizou Lula no primeiro turno do pleito eleitoral em Manaus. “Esperamos que ela não entenda a política a partir de uma visão coronelista e venha a Manaus trazer boas novidades em gratidão à votação que obteve em 2010 aqui no Estado”, destaca o parlamentar, lamentando o comportamento de Lula contra Artur Neto. “Lula esquece que, quando processado pela Justiça Militar no início da década de 80, e julgado em Manaus, Artur prestou-lhe a maior solidariedade e deu-lhe, até mesmo, logística para se defender contra as injustiças que lhe foram assacadas”.
Castro lembrou ao Jornal do Commercio que Lula não só foi injusto com Artur Neto, mas também com o ex-prefeito Serafim Corrêa e com o deputado federal Henrique Oliveira, pertencentes, respectivamente, ao PSB e PR, da base aliada de Dilma Rousseff no Congresso Nacional. “O ex-presidente Lula, portanto, cometeu um grave erro político e, além do mais, agrediu Artur aqui em sua casa, que é Manaus. Sinceramente, gostaria de saber quem influenciou Lula de forma tão negativa, sabe lá que corda deram nele”, lamentou.
“Socorro de Dilma não salvará Vanessa”
Em: 18 de outubro de 2012
Ex-presidente Lula também tentou interferir no primeiro turno, mas não teve êxito em Manaus
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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