O Amazonas criou empregos com carteira assinada pelo quarto mês seguido, em abril. As admissões (+18.497) superaram os desligamentos (-16.533) por uma vantagem de 1.964 vagas, o equivalente a um acréscimo de 0,41% sobre o estoque anterior. Foi um saldo superior ao de março (+1.547), mas correspondeu a pouco mais da metade da marca de igual período de 2022 (+3.715), sendo o número mais baixo para o mês desde o começo da pandemia. Com Manaus (+1.303) concentrando a maior parte da oferta, as contratações foram carreadas novamente pelos serviços, enquanto a construção foi o único setor onde as demissões foram a regra.
A alta proporcional de criação de postos de trabalho celetistas no Estado (+0,41%) perdeu mais uma vez para os números das médias nacional (+0,42%) e da região Norte (+0,52%). O mercado de trabalho amazonense encerrou o quadrimestre com expansão de 1,01% e geração de 4.787 novas vagas, além de também seguir no azul no acumulado dos últimos 12 meses (+6,38% e +28.718). O estoque –que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos –chegou a 479.585 ocupações. Os números foram extraídos da base do ‘Novo Caged’, e foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência, nesta quarta (31).
O Brasil como um todo também teve mais admissões (+1.865.279) do que desligamentos (-1.685.274). O somatório de novas vagas chegou a 180.005 e configurou alta de 0,42%. Veio, entretanto, mais fraco do que março de 2023 (+195.171), e também menos encorpado do que o dado de 12 meses atrás (+196.966). Em quatro meses, foram criados 700.258 postos de trabalho em todo o país, situando o estoque brasileiro em 43.144683 vínculos empregatícios –o maior desde abril de 2022. Todas as cinco regiões brasileiras avançaram nas contratações, assim como os cinco setores econômicos.
Vale ressaltar que a oferta de empregos formais ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os números mais recentes do IBGE mostram que o Amazonas encerrou o primeiro trimestre de 2023 com o nível de desocupação estatisticamente estabilizado em um patamar elevado e 200 mil pessoas na fila do desemprego –o equivalente a 10,5% de sua força de trabalho. Apenas 54,2% (1,70 milhão) da população amazonense “apta ao trabalho” (14 anos ou mais) tinha ocupação remunerada, sendo que 57,2% 974 mil) dessas vagas não contavam com carteira assinada. O desempenho do segundo trimestre de 2023 só será divulgado em agosto.
Serviços na frente
Diferente do ocorrido no mês anterior, nem todas as cinco atividades econômicas fecharam abril com mais admissões do que desligamentos no Amazonas. Os serviços seguiram na liderança do ranking, com alta de 0,39% e criação de 1.948 empregos celetistas, com acréscimo superior ao de março (+844). Os destaques vieram das atividades administrativas e serviços complementares (+418), e de atividades profissionais, científicas e técnicas (+317), entre outras. No acumulado do ano, o setor gerou 5.753 vagas (+2,67%) no Estado.
O mês da Páscoa não foi suficiente para embalar o grupo que reúne “comércio e reparação de veículos”, que gerou apenas 27 (+0,02%) postos de trabalho em abril. Foi um dado muito mais modesto do que o de março (+415) –que não teve datas comemorativas. As contratações foram a regra apenas no atacado (+79), em sentido contrário ao verificado no varejo (-11) e no segmento de “reparação de automóveis e motocicletas” (-41). Com isso, o saldo segue negativo em 782 vagas (-0,72%) no acumulado do ano.
A indústria subiu para uma distante segunda posição, mas abriu apenas 101 vagas (+0,08%), em ritmo inferior ao de março (+161). As contratações foram puxadas pela indústria de transformação (+109), especialmente nas linhas de produção de “outros equipamentos de transporte” (+298). Mas, o volume de cortes em equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-595) foi maior. Os segmentos de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (+9) e a indústria extrativa (+6) tiveram números inexpressivos e a divisão de eletricidade e gás (-23) voltou a tombar. Em quatro meses, a alta da indústria amazonense foi de 0,27% (+328).
A agropecuária emendou um segundo mês de alta, ao criar 41 ocupações formais (+0,07%), sendo impulsionada pela pecuária (+15) pelas atividades de apoio ao setor (+16). Em sentido contrário, a construção interrompeu dois meses de números positivos, para eliminar 153 postos de trabalho (+0,66%). O recuo foi puxado pelo subsetor de serviços especializados para construção (-270), embora a construção de edifícios (+96) e as obras de infraestrutura (-21) tenham desempenhado bem. De janeiro a abril, o setor extinguiu 365 vagas (-1,56%). De janeiro a abril, a agropecuária eliminou outras 147 vagas (-3,07%) e a construção extinguiu outras 365 (-1,56%).
“Tempos de incerteza”
O presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, não se surpreendeu com os números positivos dos serviços, mas avalia que, além de sofrerem influência das taxas de juros e endividamento do consumidor, os “acanhados indicadores” do comércio são produto de “tempos de incerteza” para os investidores. “Não temos políticas públicas definidas que propiciem um ambiente de negócios que gere mais postos de trabalho. As dúvidas em relação à reforma Tributária e a CPI têm gerado desânimo. Propiciar segurança jurídica aos que arriscam para empreender deve ser uma preocupação do governo”, frisou.
Já o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, estranhou os números, ao lembrar que o Amazonas foi uma das poucas unidades federativas com desempenho positivo no mercado imobiliário, no primeiro trimestre, conforme a CBIC. Mas, avalia que o cenário federal de indefinição pode ter contribuído para isso. “É um efeito cascata. O Amazonas é muito focado no Minha Casa Minha Vida, que ainda não teve suas regras definidas. Além disso, a inadimplência e os juros estão altos. Desse jeito, a tendência é que as obras sejam entregues e que não tenhamos lançamentos, até que as normas estejam mais claras”, alertou.
No entendimento do presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), é natural que exista um arrefecimento nos números de empregos do setor, após o imediato aumento inicial que se deu após os meses mais duros da pandemia. De acordo com o dirigente, os dados estão “absolutamente” dentro do esperado e não há sinais de revés na tendência de alta nas contratações da indústria.
“Nossas expectativas são de que os indicadores continuem em gradativa ascensão, até encontrar um ponto de estabilidade. Ressalto que questões econômicas e estruturais ainda inibem uma retomada plena. A desconfiança do consumidor, o nível de endividamento, o processo inflacionário e a alta taxa de juros básico continuam a permear o complexo cenário econômico”, arrematou.







