A continuada desvalorização do Real perante o dólar americano começa a deixar os empresários do comércio em alerta. Nesta semana, o preço da moeda americana aqui no Brasil superou os R$ 2,25, mesmo patamar registrado durante a crise financeira de 2009.
O gestor de comércio do Grupo Ramsons, Marcelo Salum, classificou como preocupante a curva ascendente que vem sendo registrada no preço do dólar. Segundo ele, 25% do mix de produtos das lojas são compostos por produtos importados como aparelhos de ar-condicionado, aparelhos de som, eletroportáteis, eletrodomésticos e informática.
“Noventa por cento do meu mix de notebooks são importados então isso acaba influenciando negativamente quando vamos fechar o câmbio”, reclamou.
Apesar da preocupação, Marcelo Salum diz que até o momento não houve necessidade de repassar esse custo ao consumidor, mas diz que caso a subida continue, os reajustes de preços aos consumidores serão inevitáveis.
“Passamos a ter problemas a partir do momento que o preço do dólar bateu os R$ 2,00. Antes disso estava administrável, agora a situação é preocupante. Ainda não repassamos estes custos aos consumidores, mas obviamente, se essa alta continuar galopante da maneira que está teremos que analisar de uma outra forma”, revelou.
Turismo
Já no turismo, a expectativa era de que o dólar barato atraísse uma maior quantidade de turistas estrangeiros para o Brasil. No entanto, o setor ainda não sentiu os reflexos do enfraquecimento do Real. De acordo com Arlínia Viana, recepcionista do Lord Hotel Manaus, não houve variação no número de reservas, nem nos preços.
Prejuízos por enquanto só mesmo nas casas de câmbio. De acordo com o empresário do setor Mário Cortez, desde que o Dólar deu os primeiros sinais de valorização, o movimento na sua loja caiu 70%. Mas de acordo com o empresário, existe uma expectativa de desvalorização da moeda americana frente ao Real.
“Com o Dólar alto o movimento cai porque as pessoas esperam baixar. Na sexta-feira chegamos a registrar R$ 2,27 no comercial, mas fechamos com R$ 2,24. Nós aguardamos que ele caia mais”, avaliou. Mas apesar da baixa registrada na última sexta-feira, o acumulado da semana foi de alta.
No último mês de abril, o Brasil apresentou um déficit de US$ 5,6 bilhões com o turismo, segundo dados do Banco Central. Enquanto os turistas estrangeiros deixaram US$ 2,5 bilhões no país. O brasileiro que viajou ao exterior gastou US$ 8,1 bilhões.
Dólar à vista acumula avanço de 5,7% na semana
Depois de ter começado o dia em alta e voltar a bater em R$ 2,27, o dólar perdeu força após nova intervenção do Banco Central e a fala de um membro do banco central americano, sinalizando que o corte nos estímulos econômicos nos EUA pode não ser acontecer tão cedo quanto se imaginava.
O dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- fechou em leve alta de 0,39%, cotado em R$ 2,260 na venda. Na semana, a moeda acumulou avanço de 5,66%. Já o dólar comercial -utilizado no comércio exterior- caiu 0,62%, para R$ 2,244.
A moeda americana abriu o dia em alta de quase 1%, o que estimulou o Banco Central a intervir novamente no mercado de câmbio. Por volta das 11h15 (horário de Brasília), a autoridade anunciou que faria um leilão de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. A operação ocorreu entre 11h30 e 11h40.
Foram ofertados 40 mil contratos com vencimento em 2 de janeiro e 1º de julho de 2014. Desse total, 37,3 mil contratos foram vendidos, pelo valor de US$ 1,828 bilhão.
O leilão de swap tradicional de hoje foi a décima operação desse tipo feita pela autoridade desde o dia 4 deste mês. Ontem, o BC realizou, pela primeira vez desde janeiro, um leilão de linha de crédito em dólar, no valor de US$ 3 bilhões.
Segundo especialistas consultados pela Folha, o governo tem atuado no câmbio constantemente para dar liquidez ao mercado (aumentar o volume de dólares em circulação), que sofre com a escassez da moeda americana. Apenas nos últimos 16 dias, foram injetados US$ 20 bilhões em intervenções do BC.
A tendência de alta da moeda tende a intensificar à medida em que o governo dos EUA começar a reduzir o volume de sua compra mensal de títulos, que tem sido feita desde 2009 para ajudar na recuperação do país.
Alta do dólar pode afetar preços
Em: 24 de junho de 2013
Reajustes serão inevitáveis no custo dos produtos importados, caso a desvalorização do real permaneça em curso
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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