Alta será de 4% nos postos, diz Mantega

Em: 31 de janeiro de 2013
Ministro da Fazenda avalia que a alta para o consumidor deve ser menor do que o percentual de 6,6% anunciado pela Petrobras
Ministro da Fazenda avalia que a alta para o consumidor deve ser menor do que o percentual de 6,6% anunciado pela Petrobras

A alta no preço da gasolina nos postos de combustíveis será de 4% e pode ser absorvida pelo consumidor, afirma o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A alta do preço da gasolina nas bombas é menor do que a alta de 6,6% anunciada ontem pela Petrobras. Isso acontece porque a gasolina recebe uma adição de 20% de álcool nos postos, produto com preço menor.
“Faz muitos anos que o preço da gasolina está defasado em relação à inflação. É uma pequena correção que não vai atrapalhar ninguém”, disse o ministro a jornalistas em encontro com prefeitos promovido pelo Governo Federal. Mantega avalia que a queda na tarifa de energia, nos juros e outras desonerações previstas para o consumidor ao longo de 2013 vão “compensar” o aumento no valor do combustível.
A Petrobras também anunciou ontem o aumento no preço do óleo diesel, que será de 5,4%. A Fazenda avalia que a subida nos preços dos combustíveis causará uma alta de 0,16 ponto percentual no acumulado deste ano do IPCA, o principal índice de inflação no país.
Em anos anteriores, o governo absorveu altas dos combustíveis nas refinarias da Petrobras com a extinção da cobrança da Cide (imposto federal dos combustíveis). Este ano, Mantega acredita que o consumidor tem condições de absorver esse aumento.

Etanol

O Governo Federal também estuda aumentar a proporção de etanol na mistura com a gasolina. Este assunto será discutido hoje na Fazenda com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Comparação
Com o aumento do preço da gasolina anunciado na última terça-feira (29) pela Petrobras, o preço médio final do combustível ao consumidor brasileiro deverá ser 59% mais caro do que o valor pago por um consumidor norte-americano.
Com base em dados da EIA (Energy Information Administration -órgão dos EUA responsável por pesquisas do setor energético), o preço médio do litro de gasolina no varejo norte-americano é de US$ 0,90, sendo que seu preço é cotado por galão de 3,7 litros.
De acordo com a última cotação na instituição, o galão custava US$ 3,35, referente ao dia 28 de janeiro.
Por outro lado, no Brasil, com o aumento de 4% ao consumidor, anunciado pelo ministro Guido Mantega nesta quarta-feira (30), o custo médio do litro irá de R$ 2,76 (conforme a última apuração do dia 26 de janeiro feito pela ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para R$ 2,87. Considerando o valor do dólar a R$ 2 (segundo cotação do Banco Central) –e então o litro da gasolina brasileira custando US$ 1,43. De acordo com o presidente do Sincopetro-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto Gouveia, é a alta carga tributária no Brasil que faz o preço da gasolina ser tão caro em comparação com os valores dos Estados Unidos. Segundo ele, aproximadamente 54% do preço final da gasolina brasileira são destinados a impostos.

Ações caem
Apesar de esperado, o reajuste nos preços do combustível anunciado ontem pela Petrobras foi considerado por analistas como insuficiente, já que, com os novos valores, a estatal do petróleo não conseguiu zerar a diferença de preços entre o mercado interno e o mercado externo.
A decepção parece ter atingido os investidores, com as ações da petrolífera entre as maiores quedas da Bolsa hoje. Às 12h50, os papéis preferenciais (sem direito a voto) da empresa recuavam 3,97%, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, caia em torno de 0,91%.
Em relatório, a analista Lilyanna Yang, do UBS, chama atenção para o fato de que, mesmo com este reajuste, os preços da gasolina e do diesel no Brasil ainda estão 5% e 11% abaixo dos valores praticados no exterior. Em negociação com o governo desde o ano passado, o reajuste de 6,6% da gasolina nas refinarias da Petrobras será o primeiro com impacto ao consumidor desde 2005 -desde então o governo abria mão da arrecadação da Cide (imposto federal dos combustíveis) para anular a alta nos postos.
O diesel, por sua vez, sofreu aumento menor, de 5,4%.
O analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, é cético em relação à reação dos investidores ao anúncio, mas ressalva que a notícia, apesar de tudo, é boa.
“Nós acreditamos que a reação do mercado ao anúncio deve ser negativa, refletindo o desapontamento com a magnitude do preço. O anúncio é positivo como tudo que se refere ao fluxo de caixa da Petrobras. O problema é que este aumento não cobrirá as perdas passadas e não trará os resultados de refinaria da Petrobras de volta ao azul”, avalia Sequeira em relatório.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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