A alta no preço da gasolina nos postos de combustíveis será de 4% e pode ser absorvida pelo consumidor, afirma o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A alta do preço da gasolina nas bombas é menor do que a alta de 6,6% anunciada ontem pela Petrobras. Isso acontece porque a gasolina recebe uma adição de 20% de álcool nos postos, produto com preço menor.
“Faz muitos anos que o preço da gasolina está defasado em relação à inflação. É uma pequena correção que não vai atrapalhar ninguém”, disse o ministro a jornalistas em encontro com prefeitos promovido pelo Governo Federal. Mantega avalia que a queda na tarifa de energia, nos juros e outras desonerações previstas para o consumidor ao longo de 2013 vão “compensar” o aumento no valor do combustível.
A Petrobras também anunciou ontem o aumento no preço do óleo diesel, que será de 5,4%. A Fazenda avalia que a subida nos preços dos combustíveis causará uma alta de 0,16 ponto percentual no acumulado deste ano do IPCA, o principal índice de inflação no país.
Em anos anteriores, o governo absorveu altas dos combustíveis nas refinarias da Petrobras com a extinção da cobrança da Cide (imposto federal dos combustíveis). Este ano, Mantega acredita que o consumidor tem condições de absorver esse aumento.
Etanol
O Governo Federal também estuda aumentar a proporção de etanol na mistura com a gasolina. Este assunto será discutido hoje na Fazenda com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Comparação
Com o aumento do preço da gasolina anunciado na última terça-feira (29) pela Petrobras, o preço médio final do combustível ao consumidor brasileiro deverá ser 59% mais caro do que o valor pago por um consumidor norte-americano.
Com base em dados da EIA (Energy Information Administration -órgão dos EUA responsável por pesquisas do setor energético), o preço médio do litro de gasolina no varejo norte-americano é de US$ 0,90, sendo que seu preço é cotado por galão de 3,7 litros.
De acordo com a última cotação na instituição, o galão custava US$ 3,35, referente ao dia 28 de janeiro.
Por outro lado, no Brasil, com o aumento de 4% ao consumidor, anunciado pelo ministro Guido Mantega nesta quarta-feira (30), o custo médio do litro irá de R$ 2,76 (conforme a última apuração do dia 26 de janeiro feito pela ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para R$ 2,87. Considerando o valor do dólar a R$ 2 (segundo cotação do Banco Central) –e então o litro da gasolina brasileira custando US$ 1,43. De acordo com o presidente do Sincopetro-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto Gouveia, é a alta carga tributária no Brasil que faz o preço da gasolina ser tão caro em comparação com os valores dos Estados Unidos. Segundo ele, aproximadamente 54% do preço final da gasolina brasileira são destinados a impostos.
Ações caem
Apesar de esperado, o reajuste nos preços do combustível anunciado ontem pela Petrobras foi considerado por analistas como insuficiente, já que, com os novos valores, a estatal do petróleo não conseguiu zerar a diferença de preços entre o mercado interno e o mercado externo.
A decepção parece ter atingido os investidores, com as ações da petrolífera entre as maiores quedas da Bolsa hoje. Às 12h50, os papéis preferenciais (sem direito a voto) da empresa recuavam 3,97%, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, caia em torno de 0,91%.
Em relatório, a analista Lilyanna Yang, do UBS, chama atenção para o fato de que, mesmo com este reajuste, os preços da gasolina e do diesel no Brasil ainda estão 5% e 11% abaixo dos valores praticados no exterior. Em negociação com o governo desde o ano passado, o reajuste de 6,6% da gasolina nas refinarias da Petrobras será o primeiro com impacto ao consumidor desde 2005 -desde então o governo abria mão da arrecadação da Cide (imposto federal dos combustíveis) para anular a alta nos postos.
O diesel, por sua vez, sofreu aumento menor, de 5,4%.
O analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, é cético em relação à reação dos investidores ao anúncio, mas ressalva que a notícia, apesar de tudo, é boa.
“Nós acreditamos que a reação do mercado ao anúncio deve ser negativa, refletindo o desapontamento com a magnitude do preço. O anúncio é positivo como tudo que se refere ao fluxo de caixa da Petrobras. O problema é que este aumento não cobrirá as perdas passadas e não trará os resultados de refinaria da Petrobras de volta ao azul”, avalia Sequeira em relatório.







