AM abre mais empresas, apesar dos juros

Em: 12 de maio de 2011
Embora a pesquisa da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças,Administração e Contabilidade) tenha registrado a maior elevação na taxa de juros média em abril,desde agosto de 2009,os amazonenses não ficaram intimidados em abrir novos negócios
Embora a pesquisa da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças,Administração e Contabilidade) tenha registrado a maior elevação na taxa de juros média em abril,desde agosto de 2009,os amazonenses não ficaram intimidados em abrir novos negócios

Embora a pesquisa da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) tenha registrado a maior elevação na taxa de juros média em abril, desde agosto de 2009, os amazonenses não ficaram intimidados em abrir novos negócios.
Mesmo com um aumento na alíquota, de 3,92% para 3,96% no mês e de 58,63% para 59,37% ao ano, houve um incremento na constituição de empresas de 7,02% frente a março (513), segundo dados da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas).
O quarto mês do ano só perde para fevereiro, com a criação de 550 estabelecimentos. Porém, em confronto a 2010, período em que houve um boom nos negócios, o demonstrativo aponta uma elevação de 3,78%, com 549 contra 529.
O dado é animador já que o economista e consultor empresarial José Laredo analisa que o aumento das taxas de juros pressupõe uma diminuição na geração dos empreendimentos. Até porque parte do investimento não é oriundo de capital próprio e sim de financiamentos.

Menos extinções

Quanto ao número de extinções, que vinha ocorrendo em um ritmo de três dígitos, diminuiu 23,85% em relação ao mês imediatamente anterior (109) e 33,07% quando confrontado a fevereiro (124), período com o maior número de extinções em 2011. Além disso, as 83 extinções realizadas ainda são 11,70% menores que as de mesmo mês em 2010 (94).
O economista e conselheiro titular do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Ricardo Reis da Silveira, argumenta que o acréscimo nas taxas não é motivo suficiente para a extinção, até porque os juros variam a cada mês, enquanto um empreendimento leva um tempo para se estabelecer. “É provável que este percentual sofra uma modificação no próximo período”, avaliou.
A alta, de acordo com a entidade, pode ser atribuída às medidas de restrição impostas pelo BC (Banco Central) para frear o consumo e reduzir a inflação.
Como os negócios sobrevivem apenas se houver uma demanda, Silveira comenta que isto pode repercutir depois, caso não hajam recursos suficientes para a empresa se manter. Segundo ele, a fatalidade é comum em empresas com pouca idade. “Sempre na história do Brasil, houve uma incidência maior de empresas que fecham com menos de cinco anos de vida”, avaliou.
Mas, por enquanto, o ritmo de animação dos negócios também é tendência nacional. De acordo com o estudo de Falências e Recuperações do Serasa Experian, a quantidade de processos de abertura de falência no mês teve recuo de 22,67%, com 133 requerimentos ante 172 em março.
O resultado, segundo a pesquisa, expõe o menor número de quebras em seis anos para o mês. No ano de 2010, 146 empresas abriram processo em abril.
Na comparação entre os primeiros quadrimestres dos últimos três anos, houve uma diminuição de 17,4% dos processos em comparação ao referente período em 2009 e de 9,5% ante o de 2010.
Segundo analistas consultados pela entidade, a época da Páscoa gerou liquidez ao mercado em um momento de preços altos, assim como o fato do feriado diminuir em dois dias úteis o mês.
No entanto, os ‘bons ventos’ devem mudar de rumo. Laredo analisa que, em virtude do surto inflacionário na faixa de 6,5%, a perspectiva para 2011 é que haja um desaquecimento. “Provavelmente vamos terminar o ano com valores menores. Se em 2010 o PIB [Produto Interno Bruto] foi de 7,9%. Agora deve ser em torno de 4,5%”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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