AM mira na América do Sul e Caribe

Em: 23 de maio de 2016

O Amazonas está de olho em novos mercados para estreitar mais as relações comerciais do Estado. Pensando nisso, o CIN/AM (Centro Internacional de Negócios) apoia a base produtiva do Estado do Amazonas na área internacional com foco nas exportações, através da oferta de produtos e serviços às empresas de pequeno e médio porte instaladas na região.
De acordo com o gerente do CIN/AM, Marcelo Lima, os alvos do mercado local são países da América do Sul, Mercosul e Caribe. “Hoje estamos voltados, por exemplo, para Colômbia, Peru, Bolívia e Chile. Mas também temos Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela do Mercosul, além dos países do Caribe e do mercado dos Estados Unidos”, comenta. Ele informa os mercados prioritários que a indústria vê possibilidade de bons negócios.
“O Paraguai está abrindo portas de negócios de vendas e compra com o Brasil e com o Amazonas. O Peru está ansioso para elevar as negociações, aproveitando a questão geográfica e a Colômbia que já tem a facilidade do acesso tem interesse de venda. O país tem uma indústria boa no setor têxtil e está dando importância ao setor cosmético, onde inclusive, já levamos as nossas empresas em eventos voltados para a indústria cosmética na Colômbia”, argumenta. Com o governo interino de Michel Temer, Lima acredita que a relação internacional do país ganhe novas transações comercias.
O economista Francisco Mourão Júnior, reforça que o momento é propício para se buscar novos contatos no mercado externo. Segundo ele, a abertura para o comércio exterior deve ser benéfica à ZFM ao incentivar o adensamento da produção. “Para competir devemos adensar e diversificar a produção. A busca por outros mercados também deve ser diversa e diferente do realizado no governo Dilma que priorizou o comércio com países sem dinheiro, como a Venezuela e países africanos”, afirma.
Para Lima, o fortalecimento dos negócios no Amazonas depende do comprometimento das empresas importadoras da região. “O CIN/AM dá apoio para as microempresas se internacionalizarem e tem que haver trabalho mais concentrado nas entidades (não governamentais e governamentais) para buscar mercados da floresta. Atualmente temos demanda da Suíça para comprar óleo vegetal, que tem fábrica de cosmético e quer o produto como matéria-prima, no entanto estamos com dificuldade de identificar os fornecedores”, disse ao destacar que falta ir no interior dos Estados para identificar os potencias.
Em relação ao transporte, o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, diz que há duas possibilidades para atender a logística hidroviária. “A interna é através da BR-319 e o outro acesso é pelo pacífico que agilizariam o escoamento de produtos para o mercado da América Latina”, destaca.
Segundo ele, para atuar no mercado internacional deve-se ter foco e buscar além da logística, energia, comunicação e custos.

Ranking

No primeiro quadrimestre de 2016, o segmento de concentrados de bebidas lidera a lista dos produtos de exportação no Amazonas, segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) com base nos dados do Sistema Aliceweb do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Em seguida aparecem os segmentos de motocicletas, aparelhos de barbear, lâminas e soja. Os cinco produtos da pauta de exportação do Estado, não exclusivamente, são de empresas incentivadas do Polo Industrial de Manaus.
Para a superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, atuar no sentido de ampliar as exportações da produção do PIM (Polo Industrial de Manaus), em especial neste momento econômico pelo qual passa o país e aproveitando a questão cambial, pode beneficiar diretamente as empresas incentivadas da Zona Franca de Manaus.
“Já temos tratado deste assunto com o nosso ministério e temos agendada uma reunião, no início do mês de junho, com a nova equipe do Ministério das Relações Exteriores para continuar com os encaminhamentos necessários”, afirma.
Ainda conforme os dados, Venezuela, Argentina, Colômbia, China e México foram os países que mais importaram produtos oriundos do Amazonas entre os meses de janeiro e abril de 2016.

Nova Rota

Uma nova rota comercial formada por rodovias e hidrovias para unir os oceanos Pacífico e Atlântico, por meio da Amazônia foi um dos principais assuntos debatidos na 7ª reunião ampliada do Parlamento Amazônico realizado nesta última quinta-feira (19), na Alepa (Assembleia Legislativa do Estado do Pará), em Belém. Na reunião, o deputado estadual Sinésio Campos discursou sobre o barateamento da logística na Amazônia Internacional. “Tem um projeto chamado eixo multimodal Manta-Manaus, em desenvolvimento pelos governos brasileiro e equatoriano, para encurtar em 25 dias a duração do transporte de mercadorias entre Ásia e Brasil, e vice-versa, passando por dentro da América do Sul, e não pelo Canal do Panamá, que é mais caro e demorado”, explicou. Um empresário brasileiro do setor de logística e que atua como consultor do governo equatoriano, José Roberto da Silva, esteve na reunião para explicar a importância do projeto. Segundo ele, a rota Manta-Manaus existe e é usada, mas de maneira precária no Brasil. “Do outro lado, as rodovias estão pavimentadas, os portos estão equipados e os rios são de fato hidrovias. Só falta fazer isso no lado brasileiro do percurso”, afirmou.
Atualmente o tempo de viagem para a Ásia via Canal do Panamá, é de 41 a 60 dias. Com as melhorias, o tempo de viagem deve cair para 31 ou 35 dias via Manta.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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