Amazonas cria mais empresas e empregos no 2021, mas média salarial cai

Em: 27 de junho de 2023

O Amazonas registrou aumento de empresas e retomada de empregos com carteira assinada, no segundo ano da pandemia. Passada a segunda onda, e já embalado pela chegada das vacinas, queda nas estatísticas da doença, e flexibilização nas normas de distanciamento social, o Estado ampliou seu número de organizações ativas em 4,2%, entre 2020 (34.981) e 2021 (36.478). A quantidade de pessoal assalariado cresceu 7,6% e chegou a 619.847, superando a média nacional. Embora as mulheres ainda sejam minoria no mercado de trabalho local, sua taxa de expansão foi superior à taxa dos homens.

A atividade de água e esgoto teve a maior alta proporcional em termos de empresas (+16,3%), enquanto os serviços de informação e comunicação foram os que mais ampliaram as contratações (+20%). O movimento de recuperação, no entanto, não se refletiu nos salários, nem no Amazonas, nem na média nacional. A massa de salários e outras remunerações mal se moveu e aumentou apenas 0,3%, totalizando R$ 24 bilhões. Já o salário médio mensal encolheu 2,6%, para R$ 3.074,89, o equivalente a 2,8 salários mínimos – contra R$ 3.266,53, no restante do país.

Os dados são do Cempre (Cadastro Central de Empresas 2021), um grande banco de dados mantido pelo IBGE, que contém informações cadastrais e econômicas da grande maioria das empresas e de outras organizações, legalmente constituídas no território nacional – o que significa ter um CNPJ registrado na Secretaria da Receita Federal. O Instituto Brasileiro de Geografia informa que os MEIs (microempreendedores Individuais) não foram incluídos no estudo, já que estes não têm obrigatoriedade de declaração da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais).

Em todo o país, o número de empresas e “outras organizações ativas” cresceu 5,8% frente a 2020, chegando a 5,7 milhões, ao passo que a quantidade de sócios e proprietários subiu 5,1%, totalizando 7,7 milhões. A quantidade de pessoas ocupadas assalariadas formais ativas chegou a 47,6 milhões, avançando 4,9% frente a 2020, ou mais 2,2 milhões de postos de trabalho formais no país. O comércio puxou as altas de CNPJs (+32,9%) e de postos de trabalho com carteira assinada (+19,2%). Já a administração pública teve a maior participação na massa salarial brasileira (23,8%).

Comércio e serviços

Das 22 “grandes seções de atividade econômica” do Estado, 19 tiveram crescimento de unidade locais, entre 2020 e 2021, com destaque para as atividades de água e esgoto (+16,3%), informação e comunicação (+14,8%) e de eletricidade e gás (+14,3%). Já a seção de administração pública (-4,1%) do Amazonas apresentou uma das maiores quedas do país, ficando à frente apenas da do Piauí (-5,6%).

O grupo que reúne comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (18.052) respondeu pela maior parte das organizações no Estado, seguido pelos serviços de atividades profissionais, científicas e técnicas                         (3.002), de atividades administrativas e serviços complementares ( 2.959) e de saúde humana e serviços sociais (2.637). A indústria da transformação contabilizou 2.358 unidades locais.

Em 2021, 60% (371.945) dos trabalhadores amazonenses atuava em empresas, outros 36,5% (226.621) estavam na administração pública e os 3,4% (21.281) restantes militavam em entidades sem fins lucrativos. A variação de pessoal ocupado assalariado no Amazonas entre 2020 e 2021 chegou a 7,6%, superando as médias da região Norte (+6,2%). Mas, o Estado ficou apenas na 17ª colocação do ranking nacional. Roraima teve a maior alta (10,7%), seguido de perto por Tocantins (10,3%). No outro extremo, Amapá (-3,7%, Sergipe (3,9%) e Rondônia (-4,8%) amargaram quedas.

As atividades econômicas do Amazonas com as maiores altas de contratações foram os serviços, especialmente os de informação e comunicação (+20%) e “outras atividades de serviços” (17,3%) – que inclui atividades de organizações associativas; de reparação e manutenção; e serviços pessoais (lavanderias, cabelereiros, etc). A indústria extrativa veio na sequência, com incremento de 13,8% ante 2020. Carro-chefe da economia amazonense, a indústria de transformação aumentou sua força de trabalho em 5,4%. 

Mulheres e universitários

As admissões cresceram mais entre as mulheres (+7,4%) do que entre os homens (+6,8%), mas estes seguiram ocupando a maior parte das vagas do mercado de trabalho amazonense – 351 mil contra 269 mil, respectivamente. O salário médio dos trabalhadores sexo masculino (2,9 salários-mínimos) também foi superior à remuneração média do contingente de trabalhadores do gênero feminino (2,6 s.m.). Na média brasileira, 55,1% do pessoal ocupado assalariado eram homens e 44,9%, mulheres, sendo que eles absorveram 59,2% dos salários e outras remunerações, enquanto elas ficaram com 40,8%

O contingente com nível superior avançou 8,7% em termos de ocupação, ritmo superior ao alcançado pelos trabalhadores das demais escolaridades (+6,6%). A diferença é ainda maior, quando se levam em conta as respectivas médias salariais (5,5 s.m. e 1,9 s.m). Em todo o Brasil, os trabalhadores que passaram por universidades tinham média salarial (R$ 6.613,47) 195,47% superior à dos demais (R$ 2.238,25). Ao menos 76,7% não tinham nível superior – com destaque para os serviços de alojamento e alimentação (95,9%). Na outra ponta, 23,3% contavam com esse nível de instrução, e estavam principalmente nos serviços de educação (65,2%).

“Cenário de estabilização”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, avalia que os dados foram majoritariamente positivos para o Estado. “Tivemos quase 1.500 novas empresas ativas. Outro reflexo importante veio do pessoal ocupado, que teve bom incremento e fez o Amazonas ter a maior taxa de expansão do Norte. A alta percentual de empregos das mulheres foi superior, embora a média salarial dos homens continue maior. Pessoas com nível superior tiveram maior empregabilidade e ganham quase três vezes mais, indicando a valorização da formação no mercado de trabalho local”, sintetizou.

A consultora empresarial, professora, conselheira do Cofecon (Conselho Federal de Economia) e integrante da seção regional da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia, Denise Kassama, assinala que os números refletem um ambiente em que o empreendedor estava ansioso para recuperar as perdas impostas pela pandemia, sendo que o período foi favorável principalmente para o aquecimento dos serviços de delivery.

“Essas informações casam com o que aconteceu em minha empresa. O ano de 2021 foi aquele em que mais faturei. Quitei dívidas e, de lá para cá, me mantive em patamar de estabilidade. Muitas pessoas que perderam empregos criaram novos negócios naquela época, mas acredito que esse aumento significativo não se manteve em 2022, pois houve um assentamento das atividades. Muitos empreendimentos criados durante a pandemia não necessariamente continuaram. Temos, agora, um cenário de estabilização e recuperação, com inflação menor. Só não é melhor por causa da taxa de juros”, arrematou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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