Amazonas e governo Federal fazem reunião conciliadora no CAS

Em: 21 de outubro de 2022

A 306ª Reunião Ordinária do CAS, ocorrida nesta quinta (20), serviu para as lideranças do PIM apararem as arestas com o Executivo federal, após a crise do IPI, e tratarem de temas mais estruturais para a região, como CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), Reforma Tributária e P&D&I. Foi a segunda vez em que o novo titular da Sepec (Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade) do Ministério da Economia, Alexandre Ywata, visitou Manaus, e a primeira em que ele presidiu a Conselho de Administração da Suframa – que foi seguida por uma reunião com a classe empresarial do Amazonas.

Os meses que se seguiram ao aniversário de 55 anos da Zona Franca de Manaus foi marcado por mais baixos do que altos entre a indústria incentivada, em uma relação estremecida pela sequência de decretos de IPI publicados desde o fim de fevereiro – uma questão que ainda está no STF (Supremo Tribunal Federal). Mas, o entendimento geral das lideranças industriais é que Alexandre Ywata, que está há quatro meses na função, foi vital para desatar provisoriamente o nó da crise, com a publicação do decreto 11.182/2022, embora este ainda não contemple a integralidade dos pleitos da ZFM.   

Em paralelo, o Conselho de Administração da Suframa aprovou uma pauta com 40 projetos industriais e de serviços, sendo 16 de implantação e 24 de atualização e diversificação. Os projetos estimam R$ 1,38 bilhão em novos investimentos para a Zona Franca de Manaus e a geração de 1.589 empregos ao longo dos próximos três anos. O evento também foi marcado pela estreia do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, que tomou posse como novo conselheiro. 

“Segurança jurídica”

Durante o encontro, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, salientou que, embora ainda existam pendências em discussão, o governo federal tem demonstrado posicionamento amplamente aberto ao debate de possibilidades que assegurem a competitividade do modelo Zona Franca de Manaus. “Essa é uma parceria em que ambas as partes saem ganhando, de que estamos diante de uma convergência que trará bons frutos para a região”, afiançou o dirigente, em fala também replicada em texto distribuído por sua assessoria de imprensa. 

O industrial também se mostrou otimista em relação ao novo momento para voltar a tratar não apenas da sobrevivência da ZFM, mas também de seu futuro. “Tenho certeza de que iremos aparar essas arestas ainda remanescentes da questão do IPI e que avançaremos para ações de cunho mais estratégico, como o Centro de Biotecnologia da Amazônia, o CBA, Reforma Tributária e o cenário de inovação e pesquisa da região”, acrescentou.

De acordo com Ywata, graças a um trabalho integrado, chegou-se a uma proposta convergente, com a redução de custos para a indústria brasileira e a proteção da produtividade do parque industrial de Manaus. Segundo o secretário, o Ministério da Economia tinha um backlog de aprovação de PPB (Processos Produtivos Básicos) de, em média, 400 dias, ou até um pouco mais, mas esse prazo já foi reduzido para 96 dias. 

O secretário falou também sobre a importância do Decreto nº 11.182/2022 para a ZFM e das parcerias que garantem a competitividade da indústria amazonense. “Ficou muito claro a necessidade e a vantagem de a gente estar sempre em contato e dialogando com o setor produtivo local. Porque quem entende de Amazonas é quem mora, quem produz, quem emprega aqui na região”, enfatizou.

O representante do Ministério da Economia agradeceu a parceria com a classe empresarial e produtiva da região e reforçou o compromisso do governo federal em fortalecer as bases da ZFM e promover o desenvolvimento socioeconômico e sustentável da Amazônia. “Acho que o investidor e produtor daqui se sente mais seguro, porque agora a gente tem segurança jurídica. O horizonte está muito claro, muito transparente. A produção de Manaus vai ser garantida e mantida, além de competitiva, e com isso, novos investimentos estão previstos para os próximos anos”, garantiu.

Cadeia produtiva

De acordo com o superintendente da Suframa, Algacir Polsin, com a pauta de 40 projetos chancelada nesta quinta-feira, o CAS chega a 177 projetos industriais e de serviços aprovados em cinco reuniões realizadas no ano, os quais estimam aproximadamente R$ 5,6 bilhões em novos investimentos e mais de 7.200 novos empregos na cadeia produtiva regional ao longo dos próximos anos.

Entre os destaques da pauta, o superintendente cita a proposição da Oben Brasil Ltda, para produção de chapa, folha, tira, fita, película de plástico, bopp e resina termoplástica extrudada, com investimentos projetados de R$ 653,7 milhões e expectativa de geração de 310 empregos. Outra iniciativa lembrada foi o da empresa BZH Indústria e Comércio de Plásticos Ltda, para fabricação de artigo de matéria plástica para transporte ou embalagem e chapa, folha, tira, fita, película de plástico (exceto a de poliestireno expansível e a auto-adesiva), com aportes de R$ 2,8 milhões e expectativa de criação de 59 vagas.

Polsin mencionou também a iniciativa da Flextronics, para produção de celulares e estações telemétricas, com previsão de investimentos superiores a R$ 174,6 milhões e geração de 483 novos empregos. A expectativa da Suframa, conforme metodologia de análise do projeto, é que o empreendimento induza a geração de outros 2.091 postos de trabalho, ao longo da cadeia produtiva e dos serviços necessários à operação da nova planta.

Exposição de produtos

Durante o evento em torno de dez fabricantes de bens intermediários e finais do PIM expuseram alguns de seus produtos no hall de entrada da sede da Suframa. O objetivo da mostra foi apresentar aos visitantes o potencial, a diversificação, a qualidade e a inserção tecnológica dos manufaturados dos produtos do Polo Industrial de Manaus. 

O catálogo disponibilizado incluía veículos utilitários, motocicletas, equipamentos de injeção plástica, cabos de força e de dados, bens de informática, eletroeletrônicos da linha marrom, aparelhos de barbear, isqueiros e canetas, entre outros. A iniciativa foi encampada pelas empresas BIC da Amazônia; BMW Motorrad; Effa Motors; I-Sheng Brasil; Positivo; Tutiplast; Voltz Motors da Amazônia; Whirlpool (dona da marca Brastemp) e Yamaha.

“É importante destacar que na composição dos produtos expostos há, também, partes, peças e componentes de outras dezenas de fábricas instaladas em Manaus, o que demonstra todo um ecossistema fabril adensado e o potencial de geração de negócios e empregos do setor industrial”, encerrou o superintendente da Suframa, Algacir Polsin.

Além dos titulares da Suframa e da Sepec, a 306ª Reunião Ordinária do CAS também contou com a presença de lideranças do PIM, e demais autoridades e personalidades ligadas às classes política e econômica da região Amazônica. O prefeito, David Almeida, e o governador do Amazonas, Wilson Lima, não compareceram. O Executivo amazonense foi representado pelo secretário executivo de Desenvolvimento Econômico, José Jhones Correia. Também estiveram presentes representantes dos governos de Roraima (Emerson Baú), do Acre (José Amarísio) e de Rondônia (Jailson Viana).

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Face: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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