O número de pessoas desempregadas no Amazonas subiu de 13,1% no terceiro trimestre de 2018 para 14,4% no quarto trimestre. Com o resultado, o Amazonas passou a ocupar a quinta posição no ranking nacional dos estados com maior taxa de desocupação nos último meses. Segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados na sexta-feira (22), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o número de pessoas desempregadas que era de 241 mil subiu para 268 mil pessoas.
Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o Amazonas subiu 0,9 pontos percentuais a sua taxa de desocupação. Desde de 2012 quando o IBGE passou a divulgar os dados de desempregado para o Estado, o melhor trimestre ocorreu no 3º Trimestre de 2014 (6,7%) e o pior foi no 1º Trimestre de 2017 (17,7%). A Região Metropolitana de Manaus também apresentou aumento na taxa de desocupação e ficou em quarto lugar entre as cidades com as maiores taxas do país, atrás de Macapá, São Luís e Salvador.
Em Manaus, a taxa de desemprego subiu de 17,4% para 18,3%. O resultado deixa a cidade em segundo lugar entre as maiores taxas de desocupação entre as capitais brasileiras, atrás de Macapá, que lidera com 18,5%. Goiânia registrou a menor percentual com 5,7%. Segundo o supervisor de informações do IBGE/AM, Adjalma Nogueira Jacques, o aumento da desocupação na cidade de Manaus e na região metropolitana da cidade potencializou o crescimento a nível estadual.
“Isso foi um reflexo tanto do aumento da capital quanto do aumento da região metropolitana e o resto do município, de forma que os indicadores dentro do último trimestre de 2018 proporcionaram um aumento significativo”, explicou.
Na avaliação de Adjalma, mesmo com o bom aumento da produção na indústria, principal vetor da economia do Estado que influencia outros setores, o cenário atual não tem colaborado para oferta de empregabilidade. Esse fator tem sido fundamental para influenciar o aumento da taxa de desocupação do Estado.
“Isso ocorre devido as plataformas econômicas do Estado serem muito concentradas em atividades que ainda não conseguiram mostrar um bom desempenho de crescimento. Você tem na indústria que ainda não conseguiu decolar, o crescimento da produção que não tem refletido em empregabilidade. As empresas estão produzindo mais do que o ano passado com o mesmo contingente de pessoal, ou seja, as indústrias ainda não voltaram a contratar, e isso reflete em todos setores da economia”, explicou.
Segundo o economista Luiz Roberto Coelho, muitas indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus) estão no processo de adequação de novas formas de constituir seu processo produtivo, com o uso de máquinas e novos equipamentos que tem suprido a demanda.
“Se temos uma região como o PIM com uso de tecnologia a tendência é a produção aumentar com uso de máquinas e equipamentos que substituem a mão de obra. As empresas vão se adaptando à nova realidade do mercado. Mudam o processo de produção, numa área que precisava de três pessoas a máquina tem suprido, disse.
Para o economista Francisco Mourão Júnior, as empresas do PIM ainda aguardam a reação do mercado frente aos sinais de melhora da economia brasileira. Além desse ponto, os empresários estão mais cautelosos para novas contratações, e observam o comportamento do consumidor frente ao seu poder de compra.
“Apesar das empresas sentirem uma pequena reação do mercado elas ainda observam se a economia vai dar sinais de melhora. Com isso as fábricas estão aproveitando a mão de obra existente em seu processo produtivo e agem com cautela sem contratar. Além do mais, as famílias estão ainda muito endividada e o consumo tem diminuído. As pessoas têm evitado contas a longos prazo para não se endividar“, explicou.
Nível de ocupação
No nível de ocupação, o percentual de pessoas ocupadas em relação àquelas com idade de trabalhar, apresentou uma queda de 0,4 pontos em relação ao trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2017 o aumento foi de 0,2 pontos percentuais.
Ocupados por posição
O número de pessoas empregadas teve uma queda de 1,3% de um trimestre para o outro, o que representa 11 mil empregos a menos. O Setor privado apresentou aumento de 1,1% um acréscimo de 6 mil pessoas. Nesse grupo, ocorreu um aumento principalmente no grupo sem carteira assinada (2%) ou 3 mil pessoas. Os trabalhadores domésticos cresceram 3,7% (3 mil pessoas), o setor público teve a maior queda (-7,2%), menos 20.000 pessoas.
O grupo formado pelos trabalhadores que atuam por conta própria teve um acréscimo de 21 mil pessoas. Este foi o grupo responsável pelo maior crescimento do trimestre. Já o setor público, foi o responsável pela maior queda, com menos 20 mil postos de trabalho. Percentualmente, o maior crescimento foi trabalhador com carteira (8,1%) e a maior queda foi do setor público com carteira (41,6%).
“A administração pública não depende tanto da atividade da indústria, porém ela entrou em declínio tanto na área estadual quanto municipal. Elas começaram a demitir, e a pesquisa mostrar que no último trimestre houve um grande aumento de demissões. Isso tem haver com o resultado das últimas eleições que houve trocas no poder. Eles começaram a enxugar a máquina justamente nesse último trimestre”, disse.
Atividades
No quarto trimestre a administração pública continuou sendo a atividade que mais empregou, superou inclusive a agricultura. A atividade empregou 305 mil pessoas. Mesmo assim, ela sofreu uma queda de 9 mil postos de trabalho (-2,9%). No trimestre a atividade que mais cresceu percentualmente foi construção com 23,9% (18 mil). A agricultura foi a segunda atividade com maior número de postos de trabalhos (286 mil), superando o comércio (277 mil). No quarto trimestre informação, comunicação e atividades financeiras perderam 11 mil postos de trabalho, liderando a queda em número absoluto e percentual (-9%).







