O aumento de 79,2% para 79,8% da capacidade fabril instalada no polo industrial detectada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) pode ser apontado como principal razão da desaceleração no processo demissionário em Manaus. Pelo menos para o economista da CNI, Paulo Mol, segundo o qual a UCI (Utilização da Capacidade Instalada) do Estado acompanhou a tendência geral da indústria de transformação em nível nacional, que avançou pelo quarto mês seguido, subindo de 79,4% em abril para 79,8% em maio, no indicador já livre das influências sazonais.
Os setores que mostraram a menor ociosidade no parque industrial em maio foram os de produção de motocicletas (89,2%), metalurgia (89,06%), metal-mecânico (88,84%) e mídias virgens (88,82%). No entanto, mesmo com o aumento da utilização da capacidade na maioria dos setores pesquisados, a UCI ainda está 3,3 pontos percentuais abaixo do nível verificado em igual mês do ano passado (83,1%).
Mol explicou ao Jornal do Commercio que ainda é muito cedo para se pensar cenários consolidados de recuperação da atividade industrial, uma vez que houve crescimento de dois índices (além da UCI, o faturamento real também subiu), ao passo que horas trabalhadas e emprego seguiram em trajetória de queda no mesmo período. “O faturamento cresceu 1,1% em maio, frente ao mês anterior, após descontar a influência sazonal. Esse indicador aumentou em três dos cinco primeiros meses de 2009, o que não sustenta um movimento de recuperação. Mesmo assim, o faturamento de maio ainda foi 7,8% inferior ao registrado no mesmo mês de 2008”, revelou.
A redução da ociosidade nas indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus) durante o mês de maio já havia sido ventilada por vários empresários locais, que cogitam a recuperação definitiva da economia industrial ainda na primeira metade do segundo semestre.
Para o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, esse aumento da capacidade fabril revela sinais de “uma forte tendência à recuperação na atividade industrial ainda neste semestre”. No entendimento do executivo, o percentual detectado pela pesquisa da CNI reflete o avanço da capacidade de consumo que poderá deslanchar com a proximidade da Copa do Mundo de 2010. “Nossa estimativa inicial se volta para uma produção pelo menos 5,5% superior a do ano passado, o que deve refletir no aumento de 2% a 4% no volume de mão-de-obra”, disse.
Renúncia fiscal contribui para avanço na produção
Entre os fatores citados por Périco, a política de renúncia fiscal promovida pelo governo estadual e o licenciamento não-automático da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) foram citados por Périco como apoio fundamental para esse avanço na produção local. A opinião tem fundamento, já que ainda no fim do primeiro semestre a autarquia decidiu por tentar reduzir as importações, principalmente das unidades condensadoras de condicionadores de ar split-system (parte externa), que utilizam a posição 8418.69.40 da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), estabelecendo uma alíquota normal de IPI (Imposto sobre Produção Industrial) de 0% (zero por cento). Em resumo, adensamento da cadeia produtiva no polo industrial.
Entretanto, o coordenador-geral de acompanhamento de projetos industriais da Suframa, Gustavo Igrejas, disse que, quando se tratar de importação das unidades condensadoras, destinadas exclusivamente aos condicionadores de ar split-system, as empresas importadoras deveriam obrigatoriamente utilizar um ‘Ex tarifário’, que eleva a alíquota do IPI para 20%, o que não vinha ocorrendo até então. O principal motivo que levou a Suframa à aplicação das novas regras, disse o coordenador, foram “as elevadas importações, com classificações tarifárias inadequadas realizadas por outras regiões do país, que fizeram concorrência desleal com os fabricantes nacionais de condicionadores de ar tipo split-system”, finalizou.
O indicador dessazonalizado de horas trabalhadas da CNI apontou um recuo de 0,5% em maio, relativamente a abril. Após a forte queda das horas trabalhadas nos meses de novembro e dezembro de 2008, ainda não foi delineada uma trajetória de recuperação desse indicador.
O emprego dessazonalizado recuou 0,3% em maio, na comparação com o mês anterior, acumulando a sétima queda seguida desse indicador. O comportamento do emprego, de acordo com a pesquisa, aponta que o ajuste do mercado de trabalho na indústria ainda está em curso. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, o ritmo de queda do emprego se intensificou para 4,1% em maio – a maior retração, nessa base de comparação, desde o início da série, em janeiro de 2003.
Deterioração do mercado
Em Manaus, essa deterioração do mercado de trabalho parece seguir rumo à estabilização motivada justamente pela redução da capacidade ociosa nas indústrias.
Pelo menos segundo o secretário de formação do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, João Brandão, que revelou que os números de demitidos nas indústrias de transformação caíram pelo segundo mês consecutivo.
Em números gerais, Brandão disse que junho fechou com o menor índice de demissões do ano, 780 operários contra 1.115 demitidos em igual período do ano passado.
Em maio, segundo o secretário, o volume de demissões homologadas tinha sido de 1.175, praticamente 1% a menos que o mesmo mês do ano passado, quando o setor fechou com 1.186 operários fora do mercado de trabalho. “Há uma perspectiva dos trabalhadores de que o retorno dos investimentos industriais a partir do segundo semestre será fundamental para a retomada das contratações nos principais setores da economia, que ficaram praticamente estagnados na evolução da mão-de-obra ao longo do primeiro quadrimestre”, disse.







