Em dezembro, o Amazonas registrou seu primeiro mês de saldo negativo de empregos com carteira assinada, após dez meses seguidos de alta em todas as comparações. Em relação a novembro, foram extintas 3.957 vagas, o pior número para meses de dezembro desde 2016 (5.032). praticamente todos os setores promoveram cortes, sendo que o desempenho foi puxado por serviços, agropecuária e indústria de transformação.
No acumulado dos 12 meses do ano, contudo, o Estado segue em campo positivo. De janeiro a dezembro de 2019, foram criados 11.129 empregos celetistas, que foi a diferença entre admissões (+152.027) e desligamentos (-140.898).A variação em relação ao estoque do exercício anterior foi de 2,49%. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e foram divulgados nesta sexta (24).
Dos oito setores econômicos listados pelo Caged, sete fecharam no vermelho, nenhum cresceu e apenas administração pública pontuou estabilidade, na comparação mensal. Indústria extrativa mineral (-1,36% e -23 empregos) e serviços de utilidade pública (-0,72% e -40), que vinham com bons números, amargaram quedas na comparação com novembro de 2019, embora tenham conseguido sustentar números positivos no acumulado de 12 meses. O primeiro gerou 11.129 vagas (+2,49%) e o segundo, 339 (+6,38%).
A agropecuária foi o setor econômico com a pior variação negativa na comparação mensal (12,55%), ao extinguir 552 vagas. No ano, juntamente com a administração pública, a agropecuária (-018% e -21 postos de trabalho) foi a única atividade econômica do Estado a promover extinguir ocupações (-8,88% e 384).
“A retração entre novembro e dezembro provavelmente teve fator preponderante no término do período de preparo de área para agricultura e pecuária, período este que ocorre no verão. A expectativa é de um bom desempenho em 2020 para a geração de empregos, principalmente no Sul do Amazonas e região metropolitana”, ponderou o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço.
Sazonalidade e MEI
O setor econômico do Amazonas que mais eliminou vagas entre novembro de dezembro foi o de serviços (-1.637), com variação negativa de 0,76%. Os segmentos de ensino (-3,66% e -673 vagas), imobiliário (-1,60% e -787) e de transportes e comunicações (-0,36% e -251) puxaram os números globais para baixo.
“Há a sazonalidade e o fato de muitas empresas trabalharem com MEIs [microempreendedores individuais]. No caso dos transportes, a maior parte das fábricas do Distrito entrou em férias e reduziu a demanda. Pelo mesmo motivo, o segmento de ensino diminuiu suas atividades. Já o setor imobiliário ainda não acordou, apesar dos lançamentos das construtoras terem aumentado”, avaliou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Amazonas), Aderson Frota.
Férias e ociosidade
A indústria de transformação eliminou 1.473 vagas (-1,45%). De seus 12 segmentos listados, apenas três cresceram na variação mensal: minerais não metálicos (+0,06 e +1 vaga), papel e papelão (+0,30% e +19) e de roupas e calçados (+10% e +1). Os cortes mais severos foram sentidos nas divisões de material elétrico e comunicações (-404 empregos) e de produtos alimentícios e bebidas (-2,18%). No acumulado (+3,27% e +3.168), apenas as indústria metalúrgica e de borracha retrocederam, e os melhores resultados vieram dos subsetores de material de transporte (+1.290 vagas) e de madeira e mobiliário (+8,82%).
“Isso é normal, porque o setor reduz a atividade nesta época e as empresas dão férias coletivas. O importante é que o país está avançando e a confiança, voltando. A indústria vem se recuperando, embora ainda trabalhe com capacidade ociosa. O ano começa com indícios de que vai ser melhor e esperamos que isso se reflita, mais adiante, nos empregos”, amenizou o vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo.
Menos investimentos
Depois do ensaio de recuperação no mês anterior (+0,13% e 27 postos de trabalho), a construção civil do Amazonas voltou a mergulhar entre novembro e dezembro (-0,86% e -184). O setor, contudo, ainda sustentou números robustos no acumulado dos 12 meses do ano (+11,09% e +2.125).
Em depoimento anterior, o diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, disse ao Jornal do Commercio que a redução de ritmo no setor é normal nessa época e que o único crescimento esperado era nas vendas do mercado imobiliário – o que não ocorreu. “A construção civil ainda tem problemas de baixo investimento”, lamentou.
Compras antecipadas
A despeito do período natalino, o comércio registrou seu primeiro saldo negativo mensal, após emendar dois meses de incremento. O setor recuou 0,05%, ao enxugar 48 empregos, tendo apresentado recuos no atacado (-0,12% e -21 postos de trabalho) e no varejo (-0,03% e -27). No acumulado, entretanto, avançou 2,18% e gerou 2.113 vagas, alavancado pelo segmento varejista (+2,76% e 2.188), mas não pelo atacadista (-0,42% e -75).
“Isso é normal, em virtude da distância em relação aos fornecedores e de nossas dificuldades logísticas. Estamos a 35 dias do Nordeste e a 40 dias do Sudeste. Além disso, o normal é que os embarques marítimos priorizem produtos perecíveis. Por isso, o comércio antecipa suas compras, o que se reflete também nas contratações para o setor”, concluiu Aderson Frota.







