Pesquisa do IPC Maps 2019 (Índice de Potencial de Consumo), aponta que consumo do amazonense com itens básicos cresceu nos últimos cinco anos. A partir de 2014 até 2019, artigos de primeira necessidade como transportes urbanos e alimentação em domicílio tiveram um crescimento de 86,9% e 85,8% respectivamente. Produtos não essenciais como lazer e gastos com veículos próprios foram um dos destaques entre os itens que tiveram o consumo reduzido.
No Amazonas, o potencial de consumo por categorias, possui os seguintes itens no topo da lista: transportes urbanos 86,9%; alimentação no domicílio (produtos adquiridos em supermercados para ser consumidos em casa) 85,8%, artigo de limpeza 74,8%; gastos com medicamento 72,4%; manutenção do lar (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás) 59%; higiene e cuidados pessoais 58,7%.
De acordo com Marcos Pazzini, diretor da IPC Marketing, quanto maior o gasto em itens essenciais, os gastos com itens de primeira necessidade como alimentação moradia são os pontos onde mais o consumidor investe recursos para sobreviver em meio a crise econômica que o país atravessa. Com isso, itens como lazer e outros produtos não essenciais acabam ficando em segundo plano.
"Você tem algumas categorias interessantes como alimentação no domicílio, transporte urbano e artigos do lar. São itens essenciais, dos quais a população precisa para viver no dia a dia. Quanto mais você gasta em categorias essenciais, menos sobra para produtos que não são de primeira necessidade. Então, o cobertor está curto. Você puxa de um lado e descobre do outro", explicou.
Para o economista Farid Mendonça Júnior, a consciência da sociedade em relação ao planejamento das finanças vem amadurecendo e as crises são importantes para a mudança de comportamento do consumidor. Ele reforça, que devido a uma questão cultural, o brasileiro ainda vive um processo de dura aprendizagem em relação ao consumo. Desde a infância, noções de finanças quase sempre não são passadas na escola ou na família, o que o leva aprender de forma dolorosa na prática.
“A crise econômica que estamos atravessando tem impulsionado a acelerar este processo de tomada de consciência e transformação da nossa realidade. O brasileiro acaba tendo que aprender na prática, quando já está adulto e tem que enfrentar diversos problemas e tentar conciliar os diversos gastos (casamento, filhos, saúde, educação, moradia, alimentação). O brasileiro não pensa muito no futuro. Em geral só gosta de focar no presente. Trata-se uma questão cultural de nosso povo, mas que uma hora aperta e faz com que atitudes sejam tomadas”, disse.
Potencial de Consumo
Em 2019, o consumo das famílias brasileiras continuará não só em crescimento, como também deverá impulsionar o PIB (Produto Interno Bruto) do País. Segundo a pesquisa, a economia tem potencial para movimentar cerca de R$ 4,7 trilhões, sendo responsável por 64,8% da somatória de bens e serviços deste ano.
No ranking de estados brasileiros, o Amazonas está em 18º colocação com potencial de consumo de R$ 64,7 bilhões. A nível de Amazonas, Manaus ocupa o primeiro lugar dos cinco maiores municípios com grande potencial de consumo em 2019, seguido de itacoatiara, Parintins, Manacapuru e Coari.
Em escala nacional e ordem decrescente, os 10 município com maior potencial de consumo são: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, que subiu uma posição e ultrapassou Brasília, seguidos por Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Manaus, que recuperou o 9º lugar, derrubando Goiânia para o 10º. Os 50 maiores municípios brasileiros, embora continue em ligeira queda, equivale a 39,43%, ou R$ 1,848 trilhão de tudo o que é consumido no território nacional. O estudo é especializado no cálculo de índices de potencial de consumo, e apresenta em números absolutos o detalhamento do potencial de consumo por categorias de produtos para cada um dos 5.570 municípios do País.
Pesquisa mostra consumo no Brasil
Dentro do hábito de consumo nacional, o estudo revela onde os consumidores gastam sua renda. Nesse quesito, o cenário continua praticamente igual ao do ano passado, com os seguintes itens básicos no topo da lista: manutenção do lar (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás) com 26,8%; alimentação (no domicílio e fora) 17,3%; transportes e veículo próprio 7,4%; medicamentos e saúde 6%; vestuário e calçados 4,8%; materiais de construção 4,3%; recreação, cultura e viagens 3,2%; eletrodomésticos e equipamentos 2,4%; educação e higiene pessoal 2,2% cada; móveis e artigos do lar 1,9%; bebidas 1,3%; artigos de limpeza 0,7%; e fumo com 0,6%. Para Farid, o hábito de consumo do amazonense não foge a tendência nacional.
“Numa economia que ainda se recupera dos efeitos da pior crise econômica, onde o número de desempregados é grande, cerca de 13,2 milhões, e quem está empregado não tem ganho nominal e muito menos real em seus salários, o consumidor se concentra no consumo do essencial (alimentos, moradia, principalmente aluguel, energia, água, gás). O luxo de hoje é conseguir pagar a conta do telefone celular e conseguir comer uma carne de primeira, comprando no supermercado. O consumidor tem que fazer um verdadeiro malabarismo para equilibrar suas contas”, ressaltou.







