Empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus), principalmente as fabricantes de celular e motocicletas, podem ser afetadas pela ampliação da exigência de licenças não-automáticas para as importações da Argentina que entrou em vigor na semana passada. Desde então, a obrigatoriedade de licenças foi ampliada de 400 para 600 produtos, sob a justificativa de proteção da indústria argentina da concorrência.
O Amazonas, que em 2010 exportou o montante de US$ 391.17 milhões para a Argentina, pode ter reduzidas as exportações para o país vizinho, que exige licença para produtos como eletrônicos de consumo, metalúrgicos, fios e tecidos, moldes e matrizes, bicicletas e autopeças.
De acordo com a coordenadora-geral de Comércio Exterior da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Gracilene Belota, “dos produtos que estão na lista da Argentina apenas dois são do PIM, embora de grande relevância. São os celulares (o que nos preocupa em função da Terra do Fogo) e as motos de 125 até 250 cilindradas”.
MDIC confirma
As exportações em motocicletas representaram quase 23% do valor obtido com as negociações do Amazonas com a Argentina em janeiro (US$ 27.04 milhões), conforme dados fornecidos pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
No total, foram US$ 6.18 milhões exportados em motocicletas, sendo, 2.806 motocicletas de cilindradas de 125 a 250 centímetros cúbicos (representando US$ 5.665 milhões), mais 280 motocicletas de 250 a 500 centímetros cúbicos (US$ 918.40 mil) e, as de motor menos potente, com 50 a 125 centímetros cúbicos, chegaram a 460 motocicletas (US$ 486.97 mil).
Celulares respondem pela maior parte das compras do país vizinho no PIM
A maior fatia das exportações do Estado no primeiro mês do ano para o país foi em terminais portáteis de telefonia celular. Os US$ 15.52 milhões em 370 mil unidades representaram o equivalente a 57% do vo‑ lume de capital entre todos os produtos e insumos das exportações.
“Nesse contexto e dada à relevância de tais produtos [motocicletas e celulares] na pauta de exportações do Amazonas, qualquer interferência no mercado provocará invariavelmente queda no faturamento do Parque Industrial de Manaus e nas exportações nacionais e locais do produto para a Argentina”, reiterou a coordenadora de comércio da Suframa, sem estipular as perspectivas em números.
Gracilene Belota disse ainda que empresas do PIM do setor de duas rodas com fábricas também na Argentina devem exportar kits de componentes para as filiais de lá, “ressaltando que este segmento já foi afetado com a perda da linha de produção das motos de até 125 cilindradas para a filial da Moto Honda na Argentina, gerando redução nas exportações”.
Para o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares), Wilson Luiz Buzato Périco, deve haver redução no volume de exportações do PIM para Argentina, ainda que não no curto prazo. “É possível que não de imediato, as empresas daqui busquem parceiros com as [instaladas na província argentina da] Terra do Fogo para oferecer produtos com competitividade”, frisou. O dirigente destacou como itens de exportação além de aparelhos de telefonia celular os receptores de sinal de satélite.







