Importações puxam crescimento da balança comercial do Amazonas

Em: 21 de junho de 2023

A corrente de comércio exterior do Amazonas cresceu em maio. Com isso, a soma das exportações e importações subiu 5,13% e chegou a US$ 5.13 bilhões. Mas, o avanço se restringiu às compras de insumos e bens finais no estrangeiro. As vendas externas de manufaturados e produtos primários, por outro lado, seguiram em baixa, apesar da liderança dos concentrados para refrigerantes e das motocicletas e da maior participação de produtos ‘made in ZFM’ na pauta de exportações do Estado É o que revelam, em síntese, os números do Mdic, disponibilizados no site Comex Stat.

A base de dados alimentada pelo governo federal informa que as vendas externas não passaram de US$ 74.80 milhões, configurando um tombo de 29,80% em relação a abril (US$ 106.55 milhões) – que teve quatro dias úteis a menos. Na comparação, com maio de 2022 (US$ 77.55 milhões), a queda foi de 3,55%. As importações foram na direção contrária. Avançaram 37,37% na variação mensal, de US$ 909.97 milhões para US$ 1.25 bilhão, além de ficarem 5,04% acima do dado de 12 meses atrás (US$ 1.19 bilhão).

Em cinco meses, o saldo é positivo em 15,33% para exportações, com US$ 399.20 milhões (2023) contra US$ 346.14 milhões. O mesmo não pode ser dito das importações, que apresentaram recuo de 3,20%, ao passar de US$ 5.94 bilhões (2022) para US$ 5.75 bilhões (2023). A análise trimestral, que é usada para captar tendências, confirmou um acréscimo de 4,75%, para as compras do Estado no estrangeiro (US$ 3.28 bilhões), e uma escalada de 23,09%, para suas vendas ao mercado exterior (US$ 265.58 milhões).

O comparativo da pesagem das mercadorias apresenta desempenho ainda menos desfavorável para as exportações, em razão dos impactos da variação cambial e da inflação internacional nos valores em moeda. O volume ficou em 22,92 mil toneladas, 64,01% a menos do que em abril (63,69 mil toneladas) e praticamente empatou (+0,83%) com a marca do mesmo mês de 2022 (22,73 mil toneladas). Já as importações (420,82 mil toneladas) foram em sentido inverso. Decolaram 128,74% na comparação com o mês anterior (183,97 mil toneladas), além de ficarem 171,49% acima do que foi contabilizado em igual intervalo do exercício anterior (157,53 mil toneladas).

Mais insumos

Dominada por insumos para o PIM, a lista de importados foi encabeçada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 235.93 milhões), óleos de petróleo” (US$ 118.83 milhões) e discos, fitas e suportes para gravação de sons (US$ 114.32 milhões). As posições seguintes foram ocupadas por celulares (US$ 65.98 milhões), partes e acessórios veículos de duas rodas (R$ 54.49 milhões), polímeros de etileno (US$ 46.25 milhões), platina (US$ 39.49 milhões), componentes para eletroeletrônicos (R$ 33.66 milhões) e aparelhos de ar condicionado (US$ 31.96 milhões), entre 549 itens.

A China (US$ 464.51 milhões) confirmou liderança no ranking de fornecedores para o PIM, embora tenha sofrido recuo 4,37% em relação a um ano atrás. Na sequência estão EUA (US$ 160.94 milhões), Coreia do Sul (US$ 90.39 milhões), Vietnã (US$ 77.89 milhões), Rússia (US$ 71.44 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 65.56 milhões), Japão (US$ 50.69 milhões) e Tailândia (US$ 45.92 milhões), entre 89 nações que negociam com o Amazonas. 

Na análise do diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, e professor da Ufam, Augusto Cesar Rocha, os números mostram estabilidade para as importações, em um “ano neutro”, mas que pode melhorar nos próximos meses, em razão da sazonalidade e do câmbio. “O real segue apreciando em relação ao dólar, e isso favorece as importações. O viés é de melhora e vamos começar a ver isso efetivamente daqui a 90 dias. Até o mês passado, esse movimento estava dentro de uma flutuação normal, mas acho que vai continuar acontecendo e produzir aqui vai se tornar mais interessante”, avaliou.

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, avaliou que o PIM esteve “bastante suprido” de insumos até o acumulado dos quatro meses iniciais do ano, período de declínio nas aquisições. Na análise do dirigente, essa teria sido uma forma de a indústria incentivada driblar eventuais problemas de fornecimento e variações cambiais, mas a tendência seria de recuperação, em virtude dos preparativos do setor para atender o varejo nas festas de fim de ano.

Colômbia e concentrados

Do lado das exportações, a Colômbia (US$ 12.81 milhões) manteve a liderança, com 9,02% de alta ante o mesmo mês de 2022. A Argentina (US$ 9.70 milhões) caiu para a terceira posição, sendo precedida pela Venezuela (US$ 11.12 milhões). A lista inclui também China (US$ 7.52 milhões), Vietnã (US$ 5.40 milhões), Bolívia (US$ 4.81 milhões), EUA (US$ 3.95 milhões), Estônia (US$ 3.26 milhões), México (US$ 1.18 milhão) e Equador (US$ 1.12 milhão), em um total de 68 países. 

As vendas externas de preparações alimentícias/concentrados (US$ 16.34 milhões) aumentaram 5,49% e confirmaram o primeiro lugar. As motocicletas (US$ 12.58 milhões) apresentaram expansão de 26,56% e vieram em segundo lugar, sendo seguidas por ferro-ligas/nióbio (US$ 9.03 milhões), extratos de malte (US$ 6.61 milhões), circuitos integrados (US$ 5.01 milhões) e barbeadores (US$ 2.82 milhões), entre 344 itens. Os próximos manufaturados do PIM na lista só aparecem na nona, décima, 11ª e 12ª, 15ª posições em diante – autorrádios (R$ 1.74 milhão), televisores (US$ 1.32 milhão), canetas (US$ 1.15 milhão) e celulares (R$ 1.06 milhão), respectivamente.

Marcelo Lima salientou que o comportamento das exportações está “mais tímido e vegetativo” neste ano, embora estime que as vendas devem crescer. “A Colômbia tem tendência de alta e é um mercado bastante promissor, assim como a Bolívia. A Argentina vem se mantendo, apesar da crise. A tendência é abrir mais o leque de países importadores, principalmente de compradores de manufaturados da ZFM. Temos perspectivas de alavancar mais as exportações e o sistema Fieam está incentivando as empresas a participaram de feiras internacionais”, asseverou.

Dólar e hub

Embora saliente que o câmbio pode oferecer obstáculos ao crescimento das exportações, Augusto Cesar Rocha diz que prefere ver o “lado cheio do copo”, que aparece nos acumulados do ano e do trimestre. “Essa queda do mês parece flutuação de ponto de corte e registro de declaração de exportações, em razão de um número pequeno de operações. Não me parece que seja uma mudança de tendência”, justificou.

O especialista avalia que, a despeito do viés do câmbio ser mais favorável às importações, a tendência ainda é de crescimento para as vendas externas do Amazonas. “Há uma rota de cargas direto de Manaus para a Bogotá, na Colômbia, com destino final nos EUA. O voo ainda não está lotado, mas há interesse da empresa que isso aconteça. É uma mega oportunidade para incrementar o comércio exterior e transformar nosso aeroporto em um hub para a América do Sul”, arrematou, acrescentando que há planos de organizar uma reunião entre a operadora do aeroporto, a Fieam e a Ufam, para tratar do tema.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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