O consultor Fábio Guarnieri aponta quatro jornadas importantes para uma empresa se manter viva num mercado tão competitivo como o de hoje – o crescimento, a transformação, a longevidade e a UTI para administrar as crises, encontrar soluções, nos momentos de grandes dificuldades.
Fábio Guarnieri é CEO da Lumit, antiga OBS, uma empresa que nasceu em Manaus, desenvolvendo metodologias e estratégias para alavancar as atividades de organizações empresariais, executivos e empreendedores. O grupo está ligado à Fundação Dom Brasil, formadora de expertises dos mais diversos segmentos da economia, com renome internacional.
Segundo ele, a Lumit está hoje presente em cinco cidades, entre elas Manaus, Belém e São Paulo que possuem peculiaridades e culturais empresariais muito diferentes num contexto de vários ‘brasis’, dadas as características econômicas, sociais e antropológicas de cada região brasileira.
Guarnieri avalia que, hoje, o mundo está muito mais complexo, desafiador, devido à pandemia que atingiu a todos os países, obrigando profissionais e empresas a se reinventarem para atender às necessidades dos clientes
Para o consultor, as dificuldades que apareceram durante a crise sanitária global trouxeram também muitas oportunidades para alavancar os negócios.
Segundo Guarnieri, o mundo digital tornou as relações pessoais mais híbridas e poucos, porém, se adaptaram às mudanças impostas pela pandemia que ainda faz milhares de vítimas, apesar do avanço da cobertura vacinal.
“Uma parte aderiu satisfatoriamente às ferramentas digitais e a outra prefere ainda mais o contato pessoal. Mas o mundo dá lugar para as duas coisas, para um relacionamento híbrido, reunindo o digital e o presencial”, ressalta o consultor.
Fábio Guarnieri afirma que a Lumit chega agora com uma proposta diferente, avançada e muito mais amadurecida. Ao contrário de 18 anos atrás quando nasceu a OBS em Manaus, tendo como principal meta encontrar soluções e definir estratégias para o crescimento das empresas.
“Queremos que a Lumit tenha um papel relevante na sociedade. Contribua para um ambiente de negócios próspero e com um olhar no futuro”, diz ele. “A longevidade é o grande desafio das empresas”, acrescenta o consultor.
Ele participou da live ‘JC às 15h’, do Jornal do Commercio, que acontece de segunda a sexta-feira, veiculada pelas redes sociais em Manaus.
Jornal do Commercio – Muitos conheciam a OBS que agora passou a ser a Lumit. Como foi essa mudança e de que forma acontece a atuação da consultoria em parceria com a Fundação Dom Cabral para a formação de potenciais empreendedores?
Fábio Guarnieri – A Lumit é a nova marca da OBS que fez 18 anos. É uma empresa que nasceu em Manaus. E que na verdade acompanha a minha trajetória enquanto consultor e empreendedor.
Lá atrás, surgiu desenvolvendo treinamentos vivenciais para lideranças do Polo Industrial de Manaus. Gradativamente, fomos evoluindo, trazendo expertises não só na área de pessoas, mas também na área de governanças, de gestão. Rapidamente, a gente migrou e compôs nosso portfólio de assessoria de empresas familiares.
Há dez anos, tivemos a felicidade de sermos escolhidos pela Fundação Dom Cabral que é a escola número um de negócios da América Latina e nona do mundo, segundo o ranking Financial Times, pra representar a fundação no Amazonas.
A partir daí, fomos indo para outros Estados e, este ano, chegaremos em São Paulo também. Então, é uma empresa amazonense que representa uma escola internacional de primeira que hoje está em cinco Estados.
Depois de 18 anos e de pós-pandemia, a gente resolveu fazer um up (aperfeiçoamento) em nossa marca em decorrência muito dessa maturidade. A empresa não é a mesma, estamos muito diferentes do que éramos 18 anos atrás, E representa muito mais do que a gente é.
JC – Muitas vezes, uma empresa não consegue identificar a necessidade de se renovar no mercado. Porém, fica todo um legado nessa trajetória. Como agregar tudo isso trazendo coisas novas no portfólio…?
FG – As motivações de uma organização para mudar o nome são as mais diversas. A minha decisão de mudar o nome da minha marca foi dizer para o mercado que a gente chegou diferente com a pandemia
Continuamos com a mesma reputação, associados a uma escola de renome, de muita reputação. Queremos mostrar para o mercado, e até para meu time também, que estamos diferentes, na nossa maneira de atender, no portfólio de soluções, na curadoria de soluções, no formato que vamos entregar, na experiência.
E tudo isso nos dá a oportunidade de criar uma série de histórias nessa nova marca. Na verdade, a decisão foi baseada nisso, de contar uma história diferente honrando o passado do qual me orgulho demais. Mas a gente precisava dizer pro mercado que o mundo mudou muito em quase dois anos.
E reafirmar ainda a parceria e a consistência que a gente carrega com a Fundação Dom Cabral. Enfim, ficou muito mais ágil, potente, mais multidisciplinar com as soluções híbridas.
Com a pandemia, sempre houve uma dificuldade do que levaríamos pra Manaus, tem sempre as barreiras logísticas. Então com o mundo híbrido, o que era barreira virou oportunidades. Posso trazer hoje especialistas do mundo todo pra transitar no mercado empresarial de Manaus.
Então, é isso, um frescor de uma marca, de identidade visual, na maneira de atender, e até de design na experiência dos clientes. Estou muito sensível a essas questões.
JC – Quais são os serviços que a Lumit oferece e como a empresa se relaciona com os clientes?
FG – Hoje, o empresário não precisa mais fazer uma colcha de retalhos de consultores, de escolas e treinamentos quando pensar em gestão e governança.
A ideia é que a Lumit seja uma plataforma onde o empresário possa ter todas as soluções de gestão e governança, seja para o alto escalão, o médio escalão. O objetivo é ser um elo de confiança entre o empresário na pavimentação da jornada de seus negócios.
Temos empresas de grande, médio e pequeno portes, executivos e gestores públicos. E toda vez que você pensar numa dor de gestão e de governança, a ideia é que nós sejamos a primeira opção para esse diálogo.
Fazemos essa curadoria para apoiar empresas e executivos ou um empreendedor de pequena empresa. Temos a ousadia agora de termos soluções customizadas, semicustomizadas e até de prateleira para esse público.
JC – Hoje, a Lumit está presente em Manaus, Belém e São Paulo. O Brasil é muito vasto, reunindo vários ‘brasis’ com suas peculiaridades próprias. O que levou a empresa a escolher esses polos?
FG – Morei 14 anos em Manaus e me reconheci como empreendedor e consultor na cidade. É de fato onde a gente criou musculatura. E Belém porque tinha um espaço naquela geografia, eu já atendia alguns clientes, e lá apresentei um projeto para a Fundação Dom Cabral.
Depois, vieram Macapá, Roraima e agora, por fim, São Paulo. Moro em Alphaville, a fundação remodelou o mapa de atuação dela para a região metropolitana oeste que engloba municípios da grande São Paulo.
Foi muito mais oportunidade onde eu tinha espaço e alguma correlação de mercados. E fomos estruturando estratégias e times. Manaus e Belém, apesar de estarem na Amazônia Legal, são mercados e culturas empresariais completamente diferentes.
Precisa estudar origem, antropologia, não só da Amazônia, mas de toda a sociedade. Em cada cidade, temos especialistas aculturados para entenderem aquela região, falarem a mesma língua da região. E o nosso papel é traduzir o que uma escola internacional faz para as regiões.
Temos gerentes internacionais para ajudar nesse apoio em termos de estilos, temáticas, formas de atender, pra gente conseguir trazer inovação e melhorar a vida da população.
JC – Nesse período de pandemia, o que os clientes têm buscado para se ajustar em termos de negócios, agora quais são essas dores?
FG – A gente costuma dividir nosso mercado em indivíduos e organizações. Em termos de indivíduos, temos percebido um amadurecimento do mercado de não comprar mais cursos, mas como é que eu estruturo o meu plano de desenvolvimento de vida.
E o meu plano de aprendizado de vida. Então, a ideia é que a gente seja um parceiro de transformação de executivos pra lidar com essa complexidade. O mundo está muito mais complexo, veloz, caótico, multidisciplinar.
E quando a gente fala em organizações, posso resumir que estão ou estarão em quatro jornadas – a jornada do crescimento, quando a empresa perpassa pelas dores do crescimento, já que crescer dói.
A jornada da transformação, e ela tem sido muito relevante pré e agora durante a pandemia com a digitalização. A transformação digital tem sido muito demandada.
As empresas precisam rever os serviços, rever a cultura digital, precisam se reinventar pra continuarem vivas. A terceira jornada é a longevidade que envolve governança, sucessão, gestão de risco, proteção e planejamento patrimonial.
É uma jornada em que as empresas estão relativamente robustas no presente, mas que não sabem como será no futuro, como vão prosperar e ser longevas.
E, por fim, o que a gente implantou durante a pandemia que se chama de UTI, quando as empresas passam por necessidades e buscam soluções.
A gente instala um comitê de crise, um comitê de guerra. E passa a assessorar as empresas para poderem sobreviver. O mercado ficou muito mais demandado em soluções ambidestras – demandas de curto prazo e de médio e longo.
Hoje o empresário tem que lidar com ambidestria – olhar o curto prazo e pavimentar o médio e longo.
JC – Nesse período de pandemia, acha que as pessoas têm buscado novas formas de se relacionar com as ferramentas tecnológicas, isso tem facilitado a corrida pela qualificação?
FG – Percebemos que metade do mercado, as pessoas, os executivos, se deram muito bem com as capacitações digitais, de não se descolocar para participar de algo.
A outra metade não se adaptou, não gostou, e não consegue se performar. Por isso, acredito nas soluções híbridas – algumas presenciais e outras digitais.
Quando a questão é mais técnica, o digital vai muito bem. Na questão da interação, o presencial vai melhor.
Tenho dito pro meu time sobre a nossa estratégia – a gente vai estar cada vez mais high tech (tecnologia) e ao mesmo tempo high-touche (toque afetivo).
O digital vai continuar muito presente, mas quando a gente estiver no presencial a experiência precisa ser maior.
O digital facilitou muito a vida, mas acho que as pessoas estão ávidas por contato. E hoje o mundo permite as duas coisas.
JC – Em Manaus, temos uma tradição de empresas familiares. Como avalia essa questão?
FG – É bom falar sem arrogância. Manaus é o nosso principal mercado de atuação. Conseguimos enxergar o quão relevantes temos sido para a longevidade empresarial da cidade.
Estamos muito sensíveis a essa questão. Empresa familiar é um assunto muito complexo, principalmente na gestão porque envolve emoções e estilos.
E temos conseguido, falo com muita humildade, auxiliar a longevidade empresarial dessa cidade.
Os clientes que estão com a gente prosperam e têm mais longevidade. A estatística diz que, no Brasil, de cada dez empresas três chegam à segunda geração. E dessas três 10% chegam à terceira.
Então, a tendência é dar errado. Estamos trabalhando em uma série de metodologias para inverter as estatísticas. Se deixar no natural, no fluido, vai dar errado, não tem como dar certo.
A tendência da empresa familiar é dar errado em dado momento por uma série de questões. E o que a gente vem fazendo com a jornada da longevidade é pavimentar para inverter a lógica natural pra mortalidade.
O mundo está muito mais complexo do que antes. A gente precisa de métodos, de troca. Não dá mais pra ficar no cheiro, na intuição. Com a Lumit, queremos ter um papel relevante na sociedade e contribuir para um ambiente melhor de negócios. A longevidade é o grande desafio das empresas. Esse é o nosso propósito.
Não queremos que Manaus ache que não somos acessíveis, mas chamem a gente pra conversar. Se não pudermos ajudar diretamente, a gente dá o caminho.
JC – É importante integrar os futuros profissionais do mercado desde o período de formação com as universidades, permitindo novos empreendedores. Vocês enxergam também essa necessidade?
FG – A gente posiciona a solução executiva já na formação mesmo. O que recomendamos para quem está na base é que procure vivências. Não ficar somente no mundo acadêmico, que é muito distante da realidade.
Quanto mais se tiver vivência multidisciplinar, mais vai se conseguir correlacionar. Lembro que não conseguia fazer link nenhum com o que aprendia no período da faculdade. Quanto mais correlação se tiver com o aprendizado, mais eficiente ela vai ser.







