Ritmo de recuperação no mercado de franquias

Em: 25 de novembro de 2021
Apesar da expansão de novas unidades e a chegada de novos cases no Amazonas, o mercado de franquias no Estado, também demonstrou retração de 8% no número de unidades no terceiro trimestre deste ano.

O mercado de franquias vem se adaptando após um cenário desafiador causado pela pandemia. A recuperação no 3º trimestre de 2021, descreve bem o comportamento do mercado, que de forma estável vem superando levemente o desempenho do mesmo período de 2019. que faturou R$ 47,203 bilhões. As receitas deste ano chegaram a R$ 47,385 bilhões.  É o que mostra a Pesquisa Trimestral de Desempenho do Setor realizada pela ABF (Associação Brasileira de Franchising).

Apesar da expansão de novas unidades e a chegada de novos cases no Amazonas, o mercado de franquias no Estado, também demonstrou retração de 8% no número de unidades no terceiro trimestre deste ano. A ABF identificou que operam 1.408 unidades no Estado, quantitativo menor que no mesmo período de 2020, um reflexo totalmente motivado pela pandemia, contudo, foi observado uma tendência de retomada dos pontos nos próximos trimestres.

Silvana Buzzi, diretora executiva da Associação Brasileira do Franchising, considera que assim como a economia no geral, o mercado de franquias no Amazonas teve um grande impacto da pandemia, mas vem-se desenhando uma curva de recuperação, pelo menos nos últimos três trimestres. “Com o reaquecimento da economia e a retomada gradual dos hábitos dos consumidores, esperamos que os resultados do setor se aproximem dos pré-pandemia, ainda mais no último trimestre do ano, cujo resultado costuma ser alavancado por datas fortes do varejo como a Black Friday, o Natal e o Ano Novo”.

Ela afirma a evidência do potencial de mercado no Amazonas. “Certamente, o Amazonas é uma referência na região Norte, sendo uma das praças prioritárias, tanto pelo polo industrial que abriga, como pelos shoppings, pontos turísticos e demanda por serviços especializados”. 

O dinamismo no mercado de franquia local é observado com a chegada de novos cases no Estado, bem como a expansão de marcas. Ela explica que identificaram  dois movimentos que se completam. Primeiro, a melhoria da economia, associado a um mercado de trabalho ainda em ritmo lento, estimula profissionais a empreender e ingressar em uma franquia é um caminho que facilita esse processo uma vez que dá acesso a um modelo de negócio, produto ou serviço, formatado e testado, e a uma marca reconhecida também. De outro lado, a melhora do cenário também incentivou redes de franquia de todo o país a retomarem seus planos de expansão. “O Brasil é um país de dimensões continentais e construir uma presença realmente nacional é um desafio e não se pode fazer isso sem a região Norte e o Amazonas”, justifica ela.

Cases

Apesar dos desafios do setor, com a retomada da economia, as redes já acenam com planos de expansão e devem chegar ao estado.

É o exemplo  da Casa do Construtor – maior rede franqueadora de locação de equipamentos para construção civil e soluções para o dia a dia da América Latina – que está com planos muito bem desenhados para expandir para a região Norte. 

O balanço do primeiro semestre da Casa do Construtor – maior rede franqueadora de locação de equipamentos para construção civil e soluções para o dia a dia – aponta um crescimento de 57,2%, atingindo a marca de 219,5 milhões de faturamento. Isso mostra que, mesmo em meio à pandemia, a construção civil se manteve aquecida. Aproveitando estes bons ventos, a rede acaba de anunciar seu plano de expansão direcionado à região Norte do Brasil.

Segundo estimativas da empresa, a região tem potencial para 45 ou mais unidades, o que representa um investimento no mercado de, no mínimo, R$ 11,25 milhões dependendo do modelo de negócios. Neste contexto, o destaque vai para o estado do Pará, com 31 oportunidades, o que corresponde a cerca de R$ 7,75 milhões, no mínimo, a depender do modelo. Neste primeiro momento, a prioridade é o estado do Amapá, com destaque para a capital, Macapá; e Rondônia, com foco principal na cidade de Ariquemes.

“O norte do país possui uma economia representativa, focada tanto no extrativismo mineral quanto no vegetal, além da pecuária e da indústria de bens e serviços. Tais riquezas, direta ou indiretamente, geram reflexos na construção civil. Outro ponto que fez com que voltássemos os olhos para a região é a quase total inexistência de um mercado de locação de equipamentos. Não temos concorrência e há muito a se explorar ali. E é de olho nestas janelas de oportunidades que buscamos investidores na região”, explica o diretor de Expansão da Casa do Construtor, Bruno Arena.

Outros números

Segundo o estudo, feito em parceria com a empresa de pesquisas AGP, o faturamento no 3º trimestre de 2019 foi de R$ 47,203 bilhões, passou a R$ 43,954 bilhões no ano passado e chegou a R$ 47,385 bilhões de julho a setembro deste ano. A variação foi de -6,9% de 2019 para 2020 e de +7,8% para 2021. Do 3º tri de 2019 para o 3º de 2021, houve um crescimento de 0,4%. É possivel perceber uma recuperação graddativa A variação foi de -6,9% de 2019 para 2020 e de +7,8% para 2021. Do 3º tri de 2019 para o 3º de 2021, houve um crescimento de 0,4%.

As pesquisas da ABF e sondagens com redes de todo o País apontam que este movimento está muito ligado à gradual retomada da atividade econômica e da vida social, com o consumidor retomando hábitos até mesmo em áreas como alimentação fora do lar e turismo. No 3º tri, já estava bem adiantada a agenda de liberação das restrições relativas à Covid-19, inclusive com um retorno mais robusto das aulas presenciais. Os shoppings vêm registrando recuperação na movimentação de pessoas, assim como os aeroportos. De outro lado, os canais digitais se mantêm aquecidos, principalmente no delivery, e temos uma convivência entre atividades e serviços online e presenciais, conforme o contexto de cada rede, cidade e mercado.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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