Avanço de 0,9% no PIB brasileiro traz otimismo para empreendedores

Em: 2 de setembro de 2023

Puxado pela indústria e pelos serviços, o PIB brasileiro avançou 0,9%, na virada do primeiro para o segundo trimestre. Foi o oitavo aumento seguido nesse tipo de comparação. A soma dos bens e serviços produzidos em solo nacional totalizou R$ 2,65 trilhões em valores correntes, ficando 3,4% acima do mesmo período de 2022. O semestre (+3,7%) e o acumulado dos 12 últimos meses (+3,2%) também registraram expansão. Os números foram divulgados nesta sexta (1º), pelo IBGE. A base de dados indica que a alta se deu em um cenário de recuperação do consumo das famílias e do governo, mas também de estabilidade para os investimentos e taxa de poupança em queda. 

Os resultados seguem em linha com os números antecipados pelo IBC-Br. Embora tenha metodologia diferente, o indicador do Banco Central também apontou incrementos para a economia brasileira na base trimestral (+0,43%) e nos acumulados de seis (+3,42%) e 12 meses (+3,35%). O mesmo BC indicou números divergentes para o Amazonas (+0%, +5,51% e +5,31% na ordem), mas a confirmação do desempenho do Estado só será disponibilizada pelo IBGE no próximo ano. A Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), entretanto, deve divulgar seu estudo a respeito das Contas Nacionais do IBGE, nos próximos dias.

A taxa de expansão do PIB na virada trimestral foi menor do que a do acumulado dos três meses encerrados em março (+1,8%). Especialistas apontam que a desaceleração ocorre por efeito estatístico, em virtude do fortalecimento da base de comparação. A performance, entretanto, possibilitou à atividade econômica operar 7,4% acima do patamar pré-pandemia – o quarto trimestre de 2019 –, atingindo o ponto mais alto da série histórica do IBGE, iniciada em 1953. 

Serviços e comércio

A agropecuária foi o único dos três grandes setores da economia a recuar no trimestre (-0,9%). Em texto postado pelo site da Agência de Notícias IBGE, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, informa que o número foi comprometido pelo “aumento expressivo” da atividade no trimestre anterior e pelo fato de que 60% da produção da soja é concentrada no primeiro trimestre. O café, por outro lado, aumentou sua participação no bolo, mas teve desempenho mais fraco. Em contrapartida, a atividade cresceu 17,9%, em seis meses, e 11,2%, em 12 meses.

O setor de serviços, que responde por 70% da economia brasileira e inclui também o comércio, foi um dos pilares da performance positiva do PIB. Cresceu 0,6%, ante o trimestre anterior, e 2,3% diante de igual intervalo de 2022. Em seis meses, alta foi de 2,6%, e em 12 meses, de 3,3%. De acordo com Rebeca Palis, o resultado foi puxado pelos serviços financeiros, especialmente os seguros. “Também se destacaram os serviços voltados às empresas, como os jurídicos e os de contabilidade, por exemplo”, completou.

Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, os números do IBGE são “extremamente positivos” e indicam que a economia vai entrando em um “processo de acomodação” e “ganhando ares de estabilidade”. O dirigente salienta que o comércio ainda depende da recuperação de um consumidor “combalido por uma inadimplência alta” e “juros elevados”. Mas, considera que os prognósticos são positivos para os próximos meses.

“Estamos saindo de um momento de expectativas pela troca de governos, que estão cedendo a uma realidade que começa a deslanchar. Estamos saindo do cenário de preocupações com as taxas de juros, que complicam a vida do consumidor e da empresa. Acreditamos que isso vai melhorar, aos poucos. Há uma retomada do emprego, que melhora a situação financeira das famílias e, principalmente, de quem está negativado. O certo é que o cenário é positivo e o crescimento é motivo de festejo”, avaliou.

Indústria e construção

A indústria foi outro motor de crescimento da economia brasileira, mas os dados indicam que a contribuição do Amazonas para esse resultado ficou abaixo da média. O setor ficou no campo positivo pelo segundo trimestre seguido, com acréscimo de 0,9% sobre os três meses anteriores. Foi favorecido principalmente pelas indústrias extrativas (+1,8%), em especial, o segmento de petróleo e gás. Construção (+0,7%), atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (+0,4%) e indústrias de transformação (+0,3%) – na qual está inserido o PIM – também contribuíram. O incremento de 1,5%, no confronto com 2022, favoreceu o semestre (+1,7%) e o acumulado dos 12 meses (+2,2%). 

O presidente da Fieam, Antonio Silva, assinalou que o desempenho da indústria de transformação vem em linha com o esperado, com “crescimento baixo” no trimestre e queda de 1,7% na comparação com o mesmo trimestre de 2022. Entre os principais motivos apontados pelo dirigente para o “desempenho fraco” estão os “efeitos restritivos da política monetária” e o “ambiente de crédito desfavorável”. “A expectativa para esse segundo semestre permanece de crescimento moderado para a indústria do Amazonas. Precisamos avançar em questões importantes como a redução da Selic e a Reforma Tributária, para uma alavancagem da dinâmica econômica”, enfatizou.

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, avalia que a indústria da construção tende a contribuir ainda mais para o crescimento da economia, no segundo semestre. “Isso acontece por dois motivos principais, que são os empreendimentos imobiliários do programa Minha Casa Minha Vida e o pacote de obras do PAC. A construção puxa a economia. O ponto negativo ainda é a Selic, que puxa os juros de mercado para cima. Mas, esperamos que a taxa consiga cair pelo menos 1,5 ponto percentual até o fim do ano, o que daria alento às empresas”, ponderou. 

Consumo e investimentos

O consumo da família (0,9%) e do governo (+0,7%) também subiu na variação trimestral. O desempenho foi favorecido pelo crescimento do crédito, incentivos fiscais para segmentos como o de automóveis, e reajustes em programas de transferência de renda. A Formação Bruta de Capital Fixo marcou estabilidade (+0,1%), mas a taxa de investimento recuou de 18,3% para 17,2% do PIB, sendo impactada pela menor produção interna de bens de capital. A taxa de poupança encolheu de 18,4% para 16,9%, seguindo tendência do período que se seguiu às ondas da pandemia.

A ex-vice-presidente do Corecon-AM e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, destaca que a alta do PIB favorece o poder de compra do consumidor e os investimentos do governo. Ela concorda que os números resultam da queda da inflação e da elevação da renda disponível das famílias, além do aumento da empregabilidade. 

“Ainda como reflexo do período de maiores apertos da economia, os resultados da conta de investimentos e da poupança ficaram abaixo do ano anterior. Mas, em breve, também devem apresentar resultados positivos, dada a melhora no cenário macroeconômico nacional. O Amazonas se insere neste cenário acompanhando a performance nacional com perspectivas positivas de recuperação para os meses restantes de 2023”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar