Amazonas tem aquecimento nas importações, mas recua nas exportações

Em: 1 de setembro de 2023

A corrente de comércio exterior do Amazonas reagiu em julho. A soma das exportações e importações avançou 13,51% e encostou em US$ 1.23 bilhão. O desempenho foi favorecido pela retomada nas aquisições de insumos para o PIM, que compõem a parte majoritária da balança comercial amazonense. Em contraste, as vendas externas trocaram de sinal e caíram, em um mês ainda positivo para concentrados para refrigerantes e motocicletas. Em sete meses, o panorama segue positivo para exportações, em detrimento das importações. É o que indicam os números do Mdic, disponibilizados no site Comex Stat.

A base de dados alimentada pelo governo federal confirma que as exportações do Amazonas não passaram de US$ 73.38 milhões, configurando um retrocesso de 6,87% em relação a junho (US$ 78.79 milhões) – que também teve 21 úteis. Já a comparação, com o sétimo mês de 2022 (US$ 79.08 milhões) apontou queda de 7,21%. Em contraste, as importações escalaram 11,65% na variação mensal (de US$ 1.03 bilhão para US$ 1.15 bilhão), além de ficarem 15% acima do dado de 12 meses atrás (pouco mais de US$ 1 bilhão).

A análise do acumulado do ano mostra que a balança comercial do Amazonas segue desequilibrada, em prejuízo das importações. Em sete meses, o saldo das compras do Estado no estrangeiro ainda se mantém negativo em 2,46%, com US$ 7.93 bilhões (2023) contra US$ 8.13 bilhões (2022) – embora essa diferença venha diminuindo nos últimos meses. O mesmo não pode ser dito das vendas externas, que cresceram 8,12%, ao saltar de US$ 510.24 milhões (2022) para US$ 551.66 milhões (2023). A análise trimestral, que é usada para captar tendências, confirmou um acréscimo de 4,67% nas importações (US$ 3.19 bilhões), e um tombo de 9,14% nas exportações (US$ 260.10 milhões).

O comparativo da pesagem das mercadorias apresenta desempenho ainda menos desfavorável, sendo possivelmente impactado pela variação cambial e pela inflação internacional. O volume das vendas externas ficou em 18,39 mil toneladas em julho, 6,74% a menos do que em junho (19,72 mil toneladas), embora tenha sido 27,88% superior ao do mesmo mês de 2022 (14,38 mil toneladas). Já as importações (244,11 mil toneladas) ficaram 26,36% mais baixas na comparação com o mês anterior (331,48 mil toneladas), mas também cresceram em uma escala de dois dígitos (+89,20%) sobre o valor contabilizado em igual intervalo de 2022 (129,02 mil toneladas).

Insumos e primarização

Dominada por insumos para o PIM, a lista de importados é encabeçada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 194.18 milhões) e discos, fitas e suportes para gravação de sons (US$ 143.82milhões), além de partes e acessórios veículos de duas rodas (US$ 53.55 milhões). As posições seguintes foram ocupadas por platina (US$ 52.79 milhões), polímeros de etileno (US$ 46.18 milhões), óleos de petróleo” (US$ 46.18 milhões) e componentes para aparelhos eletroeletrônicos (R$ 35.81 milhões). A lista inclui também manufaturados, como aparelhos de ar condicionado (US$ 45.62 milhões) e celulares (US$ 38.05 milhões).

A China (US$ 488.32 milhões) confirmou liderança no ranking de fornecedores para o PIM, alimentada pelo incremento de 28,66% na comparação com o valor de um ano atrás (US$ 379.54 milhões). Na sequência estão Estados Unidos (US$ 121.42 milhões), Coreia do Sul (US$ 74.15 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 62.06 milhões), Vietnã (US$ 60.54 milhões), Japão (US$ 50.93 milhões) e Tailândia (US$ 39.78 milhões), entre 89 nações que negociam com o Amazonas. 

A pauta de exportações voltou a ser encabeçada pelas preparações alimentícias/concentrados (US$ 16.40 milhões), com uma decolagem de 69,95% sobre o dado de 12 meses atrás (US$ 9.65 milhões). As motocicletas (US$ 12.96 milhões) caíram para o segundo lugar, sendo sucedidas por ouro (US$ 9.73 milhões) e ferro ligas/nióbio (US$ 5.30 milhões), em um rol de 330 itens. Em função da primarização da pauta e da presença de muitos produtos acabados, os próximos manufaturados do PIM só aparecem na sétima, oitava, 16ª e 17ª em diante – barbeadores (US$ 2.47 milhões), autorrádios (R$ 2.44 milhões), isqueiros (US$ 631.895) e canetas (US$ 614.692), entre outros.

A Argentina (US$ 10.27 milhões) galgou da quarta para a primeira posição da lista de destinos dos produtos remetidos pelo Amazonas o exterior, embora tenha recuado 3,02% na variação anual. Alavancada pela compra de ouro (US$ 9.73 milhões) e outros produtos primários, a Alemanha (US$ 9.76 milhões) ocupou a segunda colocação, superando parceiros tradicionais do Estado, como Venezuela (US$ 7.30 milhões) e Colômbia (US$ 6.67 milhões). Na sequência estão EUA (US$ 5.93 milhão), Bolívia (US$ 5.78 milhões) e China (US$ 5.62 milhões), em um total de 65 países.

“Sensação de retrocesso”

O diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, e professor da Ufam, Augusto Cesar Rocha, considerou que a volta da Argentina ao topo da pauta de exportações surpreende, mas acrescentou que “a natureza da exportação” para o país vizinho, assim como o perfil de vendas para a Alemanha dá uma “sensação de retrocesso”. O dirigente chamou a atenção também para a ausência de novas tendências positivas em produtos do PIM, e disse que já está na hora de compreender melhor o quadro, assim como de maior interação dos “entes institucionais” para melhorar dessa condição.

“Entendo que parece haver uma tendência de redução das exportações, o que é negativo para o Amazonas. Seria interessante uma investigação das causas e uma busca de ajuste o quanto antes. Como há uma nova gestão da política industrial no Amazonas e uma equipe empossada há cerca de quatro meses na Suframa, seria oportuno uma interação entre os dois entes institucionais na busca de razões para uma atuação institucional no sentido de mitigar a condição”, recomendou.

Rocha estima que o crescimento das importações parece indicar um crescimento da produção do PIM “em um futuro breve”. Mas ressalva que o fator clima pode contribuir para uma nova retração. “Para os próximos meses, se não houver ações institucionais, é muito provável que o cenário deteriore, uma vez que começaremos a ter restrições de calado na cabotagem e na navegação de longo curso (importação) e isso afetará negativamente a balança comercial. É possível que algo do aumento de volume tenha sido decorrente dos aumentos de estoque para enfrentar esta incerteza”, ponderou.

Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do Centro Internacional de Negócios da Fieam, Marcelo Lima, ressaltou que as oscilações mensais da balança comercial do Amazonas ainda estão dentro de um “parâmetro aceitável”, diante das variações cambiais, embora concorde que a “demanda do Distrito” desacelerou. “No caso das exportações, chama a atenção o aumento da participação do ouro. Quanto ao nióbio, não é nenhuma surpresa, porque o minério vem se destacando nos quatro últimos anos. Os produtos do PIM que vinham sendo âncoras das vendas externas estão se mantendo em nível aceitável. A ideia é aumentar exportações, mas dependemos de políticas de governo”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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