Balanço de vendas no Dia das Mães frustra maioria dos empresários

Em: 6 de junho de 2023

O desempenho médio de vendas do comércio da capital amazonense ficou dentro do esperado pelo setor, no Dia das Mães. Mas, menos da metade dos estabelecimentos conseguiu resultados positivos. O crescimento foi de 3%, conforme a CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), mesmo índice projetado pela entidade – mas bem abaixo do registrado no ano passado (+4,2%). Com isso, a renda bruta do varejo manauense somou R$ 154,5 milhões, na segunda maior data comemorativa do calendário comercial. O ticket médio foi de R$ 165, mantendo-se também dentro das expectativas.

Pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas revela, por outro lado, que o crescimento de vendas foi uma realidade para apenas 47% dos comerciantes, em número muito aquém ao de 2022 (81%). Já a proporção de lojistas com vendas estagnadas (29%) ou em queda (24%) subiram em relação ao ano passado (13% e 3%, respectivamente). “Com números positivos e significativos, a esperança é que o resultado do dia das mães 2023 ajude a trazer mais insights sobre o consumo para as próximas datas do segundo semestre do ano, tão importantes para o comércio e varejo no geral”, assinalou o Ifpeam, no texto do estudo.

As vendas a crédito confirmaram primazia, apesar do patamar elevado dos juros, embora a fatia de consumidores que buscaram pagar nas modalidades à vista tenha aumentado. Outro dado relevante é o aumento expressivo na procura do consumidor por compras online, em sintonia com as mudanças de costumes impostas pela pandemia, o que demandou investimentos das empresas. Mas, o ímpeto nas contratações de trabalhadores temporários no “segundo Natal do ano” foi baixo. Apenas 26% das empresas sondadas aumentaram seus quadros, patamar pouco superior ao de 2022 (23%).

“Em relação aos índices de crescimento nas vendas, dentre os maiores destaques em categorias de produtos, estão os segmentos comerciais de perfumaria e cosméticos, beleza e saúde, e acessórios (pequenas lembrancinhas). A pesquisa também mostra que o setor de bens e serviços puxou as vendas para cima, tendo como resultado aumento nas vendas, conforme 47% dos empresários entrevistados”, pontuou o texto do Ifpeam.

Promoções e descontos

Em um ambiente de inflação desacelerando, mas ainda marcado por taxas elevadas de juros e endividamento, a estratégia empregada para atrair o consumidor foi apostar nas ofertas e nos descontos, atrativo utilizado por 62% das empresas entrevistadas. O Ifpeam destaca que o resultado confirmou o panorama mostrado pela pesquisa de intenção de compras para a data comemorativa, que apontava maior peso para promoções e descontos (26%) e preços (24%). Para driblar a erosão nos orçamentos das famílias e fazer o consumidor ir além das compras básicas, lojas também ofereceram brindes e sorteios (25%), vendas parceladas sem juros (11%) e frete grátis (2%). 

Mas, conforme o instituto de pesquisa, o avanço das vendas foi sentido principalmente nas vendas remotas, a despeito do arrefecimento da pandemia e da maior circulação de pessoas. “As vendas online têm crescido ano a ano, e investir nelas, portanto, é o caminho para alcançar o desenvolvimento nas empresas. Nesse levantamento, 60% das empresas entrevistadas utilizam alguma plataforma de vendas online, contra 40% que ainda não têm nenhuma plataforma”, frisou o texto do Ifpeam.

Entre as formas de pagamento, confirmando as preferências apontadas pelas sondagens preliminares do Ifpeam e da CDL-Manaus com os consumidores, o cartão de crédito parcelado (48%) foi o meio mais utilizado nas compras. Mas, em sintonia com o medo dos juros e da inadimplência, 41% preferiram pagar à vista (Pix, dinheiro, transferência bancária, etc). Na sequência estão o crediário/carnê da loja (6%) e cartão de crédito à vista (5%).

Sobre contratação de mão de obra, 23% das empresas responderam que houve contratação de até 3 funcionários. Uma minoria de 3% dos entrevistados contratou entre 3 e 10 funcionários. Mas, 74% dos estabelecimentos consultados pelo Ifpeam preferiram brecar as contratações neste ano. “Entre as dificuldades encontradas para se contratar, segundo os entrevistados, estão a falta de qualificação, a falta de experiência, a falta de profissionais e a dificuldade econômica enfrentada pelo estabelecimento”, ressaltou o Ifpeam.

O estudo também tratou da situação da segurança no Dia das Mães e revela que as áreas centrais de Manaus concentraram a maior parte das ocorrências de furtos, em “avenidas e vias movimentadas, essenciais para a mobilidade da cidade”. Mas, de acordo com a pesquisa de campo aplicada junto aos empresários do Centro, apenas 10% dos entrevistados relataram ter sofrido furtos em seus estabelecimentos comerciais.

“Indicativo positivo”

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), avaliou que o balanço geral foi positivo, mas não falou de expectativas. “Houve crescimento. Como era esperado, os formatos de pagamento mantiveram as mesmas características e, em um momento em que o poder aquisitivo caiu, os consumidores priorizaram os descontos. Não houve contratação expressiva de funcionários e o que foi mais positivo foi o ticket médio”, sintetizou.

O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, não comentou os resultados do balanço do Dia das Mães. Em entrevista concedia à reportagem do Jornal do Commercio, por ocasião da pesquisa de intenção de compras, o dirigente chegou a estimar que as vendas poderiam até “furar” as projeções, diante da notícia de que o governo do Estado tinha decidido antecipar o pagamento do 13º salário dos servidores e pensionistas estaduais, o que injetaria mais de R$ 290 milhões na economia do Amazonas. 

Em seu relatório sobre o balanço da data comemorativa, a entidade destacou que, após a conclusão das vendas, a constatação foi de um desempenho “bastante próximo do esperado”, refletindo “a precisão das projeções realizadas”, em dado considerado positivo pelo setor. “Esses resultados evidenciam a solidez do mercado durante o Dia das Mães e fornecem um indicativo positivo para o setor, demonstrando que as estratégias adotadas pelas empresas, bem como a preferência dos consumidores, continuam impulsionando o crescimento econômico no comércio local”, concluiu o texto da CDL-Manaus.

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa do Ifpeam (só se tiver espaço)

Realizado entre 15 e 19 de maio, o estudo do Ifpeam ouviu representantes de 102 empresas comerciais da capital. Os entrevistados são gerentes (73%), proprietários dos estabelecimentos (25%) ou ocupam cargo de líder de departamento (2%). A maior parte das lojas sondadas está nos shoppings centers da cidade (36%), seguidas de perto pelo Centro (34%), e mais de longe pelos comércios de bairros (24%) e pelas empresas com estabelecimentos com unidades em “mais de uma localização” (6%). Metade são empresas de pequeno porte (10 a 49 pessoas ocupadas) e 24% são microempresas (até nove pessoas). Empresas de grande (100 ou mais pessoas) e médio (50 a 99 pessoas) portes responderam por fatias respectivas de 13%. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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