Existem grandes possibilidades do crédito para as pequenas e microempresas crescerem neste último trimestre, por força da Circular 3.471, publicada pelo Banco Central, que altera o FPR (Fator de Ponderação de Risco) dos bancos, de 11% para 5,5%, em operações cobertas pelos fundos garantidores de crédito.
A iniciativa vai beneficiar todas as pequenas e microempresas que desejem ou já possuam empréstimos para capital de giro obtidos junto ao FGO (Fundo Garantidor de Operações), operado pelo Banco do Brasil, ou através do FGI (Fundo Garantidor de Investimentos), do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O gerente de mercado e operações com pessoa jurídica do Banco do Brasil no Amazonas, Osmar Tonini Júnior, estimou que sejam injetados R$ 260 milhões no Estado até o fim deste ano, dos quais R$ 240 milhões são específicos para tomada de empréstimos e formação de capital de giro. Segundo o executivo, a iniciativa do governo federal ajudará o Banco do Brasil a atingir a meta estabelecida no início do segundo semestre de alcançar 25 mil contas de pessoas jurídicas em 2009. “A adesão das pequenas e microempresas será fundamental para este objetivo e uma influência positiva para a recuperação mais rápida da economia, já que teremos mais dinheiro circulando no mercado”, considerou.
Questionado sobre como o banco tem se portado na economia pós-crise, Tonini lembrou que a continuidade da valorização da moeda nacional e otimismo nos mercados consumidores em função dos corporativos favoráveis nos EUA fizeram a Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo) fechar em alta, o que é um bom negócio para as operações bancárias. “Justamente por conta dos bons números do mercado interno, não vejo mais crise financeira, mas uma aceleração crescente da economia como um todo e o Banco do Brasil tende a acompanhar esse movimento”, declarou.
“Fluxos intensos”
O otimismo de Tonini em relação à estabilidade tem razão de ser, já que, de acordo com o Panorama Setorial analisado pela equipe do Banco Schahin e assinado pelo economista Silvio Campos Neto, a manutenção dos fluxos intensos de capitais estrangeiros em direção ao Brasil deu continuidade à valorização da moeda nacional, cuja cotação se encontra 26% mais apreciada do que no fim de 2008.
Em nota assinada ao Jornal do Commercio, Campos Neto asseverou que “nos mercados, segue a indefinição sobre a continuidade da trajetória de valorização das bolsas e do real no curto prazo” e que existem “poucos fatores de reversão neste momento, mas os fortes ganhos acumulados recentemente podem limitar novos movimentos financeiros nos próximos dias”.
Para o técnico do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), Roberto Marinho Zica, a redução do FPR é explicada pela garantia dada pelos fundos às micro, pequenas e médias empresas, que assegura até 80% do empréstimo em caso de inadimplência. “A decisão do Banco Central vai fortalecer os fundos frente ao Sistema Financeiro Nacional, como instrumentos ágeis, seguros e fidedignos. Por outro lado, sobra mais dinheiro para emprestar”, explicou.
Recursos próprios
Na prática, segundo Zica, o FPR é uma reserva que o banco é obrigado a fazer com recursos próprios para garantir parte do crédito que emprestará ao cliente. O valor da reserva, conforme explicou o técnico, vai depender de quanto a instituição está emprestando e da ponderação que ele fará com relação ao nível de risco da operação. “Quanto maior o risco, maior deve ser o valor provisionado pelo banco. Para as pequenas e microempresas significa mais recursos disponíveis no mercado, na medida em que permite ao agente financeiro reduzir o capital próprio nas operações, aumentando ainda mais o interesse dos bancos em apoiar os fundos”, afirmou Zica.
Ao reduzir os riscos de inadimplência para as instituições financeiras, o FGO permite oferecer empréstimos com taxas de juros até 30% menores. Para se habilitar a utilizar o fundo, as instituições financeiras devem contribuir com 0,5% do valor garantido em carteira. O fundo pode garantir até 12 vezes o valor de seu patrimônio.







