O custo da construção civil no Amazonas voltou a escalar, na passagem de outubro para novembro. O indicador pontuou 0,93% de expansão na variação mensal, em alta mais forte que a anterior (+0,74%). O dado ficou perdeu novamente para o número brasileiro (+1,07%) e encostou na inflação do período (+0,95%). Com isso, o valor do metro quadrado no Estado passou de R$ 1.428,45 (outubro) para R$ 1.441,68 (novembro). É o que revela a pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgada pelo IBGE, nesta sexta (10).
O aumento no custo local da atividade voltou a ser puxado pelos dispêndios com materiais, que passou de R$ 878,43 para R$ 888,53, entre outubro e novembro, uma diferença de 1,15% – pouco abaixo dos 1,21% do levantamento precedente. Já o passivo médio das construtoras amazonenses com mão de obra subiu 0,57%, ao sair de R$ 550,02 para R$ 553,15, após a estabilidade anterior. Em 11 meses, o Sinapi do Amazonas já acumula expansão de 13,59%, tendo alcançado acréscimo de 14,99% na variação anualizada.
A elevação mensal do Sinapi do Amazonas ficou pouco aquém da inflação oficial, na variação mensal, conforme o mesmo IBGE. Pressionado novamente pelo aumento dos combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,95%, em outubro, desacelerando ante outubro (+1,25%). Ainda assim, foi o maior percentual para o mês desde 2015 (+1,01%). A diferença entre o indicador da construção civil e o IPCA, contudo, segue com vantagem para o primeiro no acumulado do ano (+13,59% contra +9,26%, na ordem) e no aglutinado dos últimos 12 meses (+14,99% contra +10,74%).
Apesar do aumento na variação mensal (+0,93%), o Estado se manteve no 18º lugar do ranking nacional de maiores altas percentuais, além ficar abaixo da média brasileira (+1,07%). Roraima (+4,64%), Distrito Federal (+2,96%) e Espírito Santo (+1,66%) registraram os valores mais elevados. Em contrapartida, Minas Gerais (+0,30%), Amapá (+0,40%) e Bahia (+0,67%) figuraram nas últimas posições. No acumulado do ano, o Estado (+13,59%) também perdeu para o dado nacional (+18,04%) e desceu da 22ª para a 24ª colocação. Mato Grosso do Sul (+23,61%) e Amapá (+11,40%) ficaram nos extremos da lista.
Abaixo da média
Mesmo com a alta renovada, o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.441,68) segue bem abaixo da média nacional (R$ 1.506,76). E, a despeito do aumento no Sinapi abaixo do dado brasileiro, o Estado se segurou na 17ª colocação, entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.709,75), Rio de Janeiro (R$ 1.668,08) e São Paulo (R$ 1.602,73) seguiram no pódio. Os valores mais baixos ainda se situam no Rio Grande do Norte (R$ 1.314,23), Sergipe (R$ 1.314,25) e Alagoas (R$ 1.350,73).
Com o reajuste de novembro, o custo de mão-de-obra da construção do Amazonas (R$ 553,15) ainda permaneceu como um dos mais baixos do país, mantendo-se inferior ao da média nacional (R$ 603,54), embora tenha subido da 17ª para a 16ª posição do ranking brasileiro. Santa Catarina (R$ 790,86), Rio de Janeiro (R$ 738,79) e Paraná (R$ 693,61) ainda representam os maiores valores. Em contraste, Sergipe (R$ 466,22), Alagoas (R$ 482,65) e Rio Grande do Norte (R$ 491,35) seguem no fim da fila.
A despeito da expansão no custo de materiais para a construção civil (+1,15%), o Amazonas (R$ 888,53) caiu da 15ª para a 16ª posição do ranking nacional do IBGE, ficando igualmente aquém do número brasileiro (R$ 903,22). Os maiores números se situaram no Acre (R$ 1.000,79), Distrito Federal (R$ 971,98) e Tocantins (R$ 969,75). No outro extremo, Rio Grande do Norte (R$ 822,88), Espírito Santo (R$ 838,20) e Pernambuco (R$ 850,55) ficaram com os menores números.
“Tendência nacional”
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o panorama do Sinapi no Amazonas não difere qualitativamente do nacional e avalia que, comparado aos índices detetados em outras unidades federativas, no mesmo período, o aumento foi “pequeno”. No entendimento do pesquisador, o indicador ainda sinaliza altas para os materiais da construção civil, nos próximos meses, mas a sazonalidade pode contribuir para um arrefecimento no ritmo dos reajustes.
“A subida do custo da construção em novembro elevou o acumulado anual de aumento para a casa dos 13,50%, em 2021. Esse número está bem acima da inflação, mas vem a confirmar uma tendência nacional ocorrida durante todo o ano. Os insumos foram os responsáveis pela elevação mensal do indicador, situação ocorrida em praticamente todos os meses anteriores. Para os próximos meses, a tendência da média trimestral é que o comércio continue elevando seus preços. Mas, pode haver mudanças de comportamento, já que o consumo, que é elevado em dezembro, geralmente sofre quedas no começo do ano seguinte”, analisou.
Em texto divulgado pela Agência de Notícias IBGE, o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, ressaltou que a taxa nacional foi a quarta menor do ano para o indicador e que, desde agosto, os índices estão “mais ou menos no mesmo patamar”. Acrescenta ainda que a parcela de materiais continua pesando mais, com aumento generalizado em todos os Estados. “Como tivemos diversos insumos com alta, mas com intensidade menor, é difícil destacar um material que tenha impacto significativo. Mas o segmento de tintas teve um número maior de estados apresentando altas”, comentou.
Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, salientou que, a despeito da continuidade dos aumentos dos preços de materiais, os valores já apresentavam desaceleração, o que apontaria para uma tendência de estabilização O jogo de gato e rato entre IPCA e juros básicos, entretanto, ainda preocupa o setor. “O ponto negativo é que o custo ainda está acima da inflação, fator que já está corroendo o salário do interessado em comprar imóveis. E isso puxa a taxa Selic para cima, encarecendo a prestação para o comprador”, arrematou.







