Serviços ensaiam recuperação

Em: 18 de março de 2026
Setor cresce em janeiro no Amazonas, mas resultado anual ainda permanece negativo após sequência de quedas.
"Turismo impulsiona reação do setor de serviços." Divulgação
"Turismo impulsiona reação do setor de serviços." Divulgação

A prestação de serviços no Amazonas ensaiou recuperação em janeiro, depois de fechar 2025 no vermelho. A variação mensal marcou alta de 0,7% diante de dezembro, que teve um dia útil a menos. O resultado deixou para trás dois meses seguidos de retração, sendo suficiente para repor apenas a perda de dezembro (-0,7%) – e não a de novembro (-3,1%). O confronto com janeiro de 2025 resultou em escalada de 5,7%, após seis meses consecutivos de quedas. No acumulado dos 12 meses, no entanto, os serviços amazonenses (-0,6%) ainda não conseguiram sair do vermelho e marcaram sua pior performance desde janeiro de 2019 (-0,9%), nesse tipo de comparação.

Os serviços de todo o país tiveram arrancada mais modesta. A atividade acelerou 0,3% entre dezembro e janeiro, no segundo aumento seguido. O incremento se disseminou em três das cinco atividades (principalmente “outros serviços”) e 12 das 27 unidades federativas do país. Na comparação com janeiro de 2025, houve elevação de 3,3%, a 22ª consecutiva, situando o setor 20,1% acima do nível pré-pandemia e novamente no pico da série histórica. O desempenho foi induzido por todos os cinco subsetores e 48,2% dos 166 tipos de serviços investigados, em 16 Estados. O acumulado gerou expansão de 3%. Os números são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE.

O turismo, que é contabilizado a parte, também ganhou velocidade, consolidando o crescimento dos meses anteriores. Entre dezembro e janeiro, o Amazonas avançou 4,7% no IATUR (Índice de Atividades Turísticas), que mede os segmentos de alojamento, alimentação, aluguéis não imobiliários, locação de automóveis, agências de viagens, operadoras turísticas e transporte coletivo. Foi o melhor desempenho do país, e compensou o tropeço anterior (-2,7%). O Estado decolou 13,7% ante o mesmo mês de 2025, mantendo o aglutinado dos 12 meses (+11,8%) à tona e na vice-liderança nacional. A média brasileira (-1,1%, +3,5% e +4,6%) foi mais fraca em todas as frentes.

 

Estados e atividades

Segundo o IBGE, mesmo com o acréscimo de 0,7% perante dezembro, os serviços do Amazonas caíram da 11ª para a 12ª posição em todo o país, em uma lista com 15 desempenhos negativos, tendo Mato Grosso (+5,6%) e Acre (-20,8%) nos extremos. Em relação a janeiro do exercício anterior, os serviços amazonenses (+5,7%) galgaram da última para a nona colocação, em um rol iniciado pelo Mato Grosso (+44,8%) e encerrado pelo Acre (-9,4%). No acumulado dos 12 meses, Estado (-0,6%) passou do 25º para o 21º lugar, tendo o Mato Grosso (+9,6%) e o Rio Grande do Sul (-3,9%) nas duas pontas.

O fortalecimento do IPCA de janeiro (+0,33%) evidenciou o descolamento das vendas efetivas em relação à receita nominal dos serviços do Amazonas, principalmente nas comparações de longo prazo. Vale notar que essa diferença é maior no Amazonas do que na média do país, e se tornou mais pesada após a crise hídrica da vazante. O faturamento cresceu 3,2% na variação mensal, enquanto a comparação com janeiro de 2025 apresentou incremento de 6,7%. Em 12 meses, houve alta de 3%. O Estado ficou atrás da média nacional (+2,3%, +7% e +7,7%) em quase todas as comparações.

O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos de serviços. Em âmbito nacional, a elevação de 0,3% observado na PMS de janeiro foi induzida por três dos cinco subsetores acompanhados pelo órgão de pesquisa: “outros serviços” (+3,7%), informação e comunicação (+1%) e transportes, serviços auxiliares e correio (+0,4%). Já os serviços prestados às famílias (-1,2%) amargaram a única queda da lista, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares (0%) estabilizaram. 

“O resultado de janeiro manteve o setor de serviços em seu nível mais elevado e teve como destaque serviços diversificados investigados em setores distintos, como o agenciamento de espaços de publicidade, os serviços de TI, os financeiros auxiliares e atividades de correio”, assinalou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, em texto veiculado pelo site da Agência de Notícias IBGE. 

 

“Força e resiliência”

A ex-presidente do Corecon-AM e professora do departamento de Economia da Ufam, Michele Lins Aracaty e Silva, disse à reportagem que “modesta recuperação” dos serviços surpreendeu especialistas e confirma a “força e resiliência” do setor, sufocado por juros elevados, endividamento dos agentes econômicos e economia desacelerada. Na análise da economista, o desempenho é animador, em função da relevância macroeconômica da atividade, que tem peso de 60% no PIB nacional e a principal empregadora de capital humano em todas as regiões, reforçando sua importância no crescimento e desenvolvimento.

“O aumento do setor de serviços foi impulsionado por fatores comportamentais e tecnológicos sustentados pela renda, digitalização econômica crescente e terceirização de atividades essenciais. Destaque para o turismo estadual (Manaus no Top 5) com forte recuperação em comparação às demais unidades federativas. O turista que visita a região busca experiência de natureza, conhecer a cultura e se deliciar com a rica gastronomia. Apesar de promissor, o segmento requer política pública forte, assertiva e integrada, com a participação de todas as esferas de governo, e necessidade de elevação de investimento em infraestrutura e logística”, recomendou. 

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, ressaltou à reportagem que os números são animadores, apesar da conjuntura atual. “A prestação de serviços atravessou um período de baixo crescimento, mas veio realmente a se recuperar. O turismo foi realmente o que mais cresceu, muito motivado pelo turismo de natureza e de pesca esportiva, e sempre com uma grande participação de brasileiros e pessoas que vêm do exterior. Isso resulta do esforço das empresas, é muito alvissareiro, e nos deixa mais otimistas, apesar do quadro ainda de dificuldades da economia e do cenário internacional de escalada de guerra”, arrematou.

 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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