O governo está finalizando política de redução definitiva de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos menos poluentes. Em contrapartida, as empresas terão de investir em tecnologia para motores mais eficientes e que emitam menos gases nocivos, como o CO2.
Um dos impasses que tem travado a discussão no governo passa pela posição do Ministério da Agricultura. Para os técnicos da Pasta, a diminuição tem de vir acompanhada de maior eficiência dos motores em relação à queima de combustíveis. A dificuldade em aperfeiçoar os veículos estaria na pressão que as montadoras, grandes empregadoras e pagadoras de impostos, fazem no governo.
Além de trazer uma redução da emissão de gases, a nova política faria com que a demanda por álcool e gasolina também fosse menor. A redução do uso de combustíveis é um objetivo do governo neste momento em que elabora medidas para evitar a oscilação dos preços do álcool.
A redução definitiva de IPI com foco ambiental chegou a ser discutida no passado com as montadoras, depois que o Ministério da Fazenda retirou os incentivos fiscais que as empresas receberam durante a crise financeira internacional. Os carros movidos a álcool, bicombustíveis (flex) e com motores de baixa cilindrada foram os que tiveram a maior redução do imposto justamente por serem menos poluentes. A intenção foi abandonada na época porque a equipe econômica decidiu trabalhar com uma meta mais elevada de superávit primário em 2010.Com o caixa reforçado e uma nova política industrial em gestação, a situação mudou.
Carros bicombustíveis
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) defende a necessidade de priorizar os carros bicombustíveis, já que o Brasil é líder na tecnologia do uso do etanol. O país, no entanto, encontra um obstáculo no descompasso entre o crescimento da oferta de álcool e o aumento do consumo do combustível. Com a elevação do número de veículos rodando com etanol, os preços tendem a continuar a disparar em cada fim de ciclo de cana. A situação poderia até se agravar, mantendo os preços elevados por mais tempo, o que traria impacto na inflação.
Participante da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Júnior, disse desconhecer a discussão sobre melhora do perfil energético dos automóveis.







