Casas de câmbio registram queda de até 50%

Em: 14 de julho de 2009
As empresas especializadas em operações de câmbio de Manaus estão sentindo os efeitos negativos, da desvalorização do dólar nos últimos três meses
As empresas especializadas em operações de câmbio de Manaus estão sentindo os efeitos negativos, da desvalorização do dólar nos últimos três meses

As empresas especializadas em operações de câmbio de Manaus estão sentindo os efeitos negativos, da desvalorização do dólar nos últimos três meses. Apesar da onda de perdas, os empresários esperam superar os índices negativos com a temporada de viagens de férias para o exterior em julho. O acumulado de abril a junho chega a 15,7%, o maior da série histórica desse período.
Três das cinco casas de câmbio atuantes em Manaus registraram diminuição de 20% a 50% no movimento nas lojas e no atendimento via telefone. De acordo com a gerente da Alternativa Turismo e Câmbio, Sandra Dias, a perda de valor do dólar faz com que a empresa deixe de oferecer seu principal serviço, a venda de moeda estrangeira.
“Quando o dólar cai desse jeito é difícil encontrar a moeda no mercado e não temos como oferecer aos clientes que nos procuram”, disse. Sandra explicou que isso também afeta os pacotes de viagens para outros países. “Apesar de barato, o cliente não viaja porque não consegue dólares para se manter durante a viagem”, completou.
A Cortez Câmbio e Turismo espera que o faturamento cresça até 20% neste mês. Mário Cortez, sócio do empreendimento, disse que a procura pelos serviços se manteve estável. “Este ano estamos registrando um movimento normal para a época, apesar da queda brusca do dólar e dos efeitos da crise, que ainda rondam o setor. Estamos apostando na temporada de férias de julho para alavancar os lucros”, enfatizou Cortez.
Nenhuma das empresas divulgou dados dos o faturamento, apesar de declararem que houve redução. A maioria classificou a informação como “segredo comercial”. A Cortez Câmbio e Turismo foi a única que não apresentou diminuição na procura de serviços relacionados à compra e venda de dólares.
A nacional Fitta Câmbio e Turismo, franquiada em Manaus desde o segundo semestre do ano passado, marcou redução de 20% na busca por transações cambiais com dólar. O gerente Jorge Abreu avalia a situação como preocupante.
Abreu comparou a venda de pacotes de viagens para a Orlando, na Flórida (EUA), onde as famílias visitam a Disney. Na temporada de férias de julho de 2008, a empresa vendeu 120 pacotes completos. Neste mês, a procura por esta viagem chegou a 10 unidades.
“O dólar está baixo e ideal para viagens ao exterior, mas a dificuldade de encontrar a moeda para gastar durante o passeio, e o medo da gripe A, impedem que mais pessoas comprem esses pacotes”, declarou Abreu.
Na avaliação do economista José Laredo, a situação atual do dólar é recorrente e não há como ser evitada para benefício de um setor, ou em detrimento de outro. Quando a moeda americana está baixa em relação ao real, por exemplo, as empresas importadoras de produtos finalizados ou insumos industriais aproveitam para economizar, trabalhando com o real valorizado. Entretanto, os exportadores têm prejuízo, pois perdem os valores investidos nas vendas quando o dólar estava a seu favor.
Para Laredo, o preço de equilíbrio do dólar frente à moeda brasileira, seria de R$ 2. “Com esta cotação o dólar agradaria aos importadores, exportadores e turista, porque possibilitaria maior competitividade no comércio e evitaria os altos e baixos do mercado de ações”, complementa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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