Comércio busca recuperação no 2º semestre

Em: 14 de julho de 2009
Empresários e dirigentes de entidades do comércio varejista de Manaus estão apostando neste segundo semestre para recuperar as vendas perdidas com a desaceleração econômica decorrente da crise global
Empresários e dirigentes de entidades do comércio varejista de Manaus estão apostando neste segundo semestre para recuperar as vendas perdidas com a desaceleração econômica decorrente da crise global

Empresários e dirigentes de entidades do comércio varejista de Manaus estão apostando neste segundo semestre para recuperar as vendas perdidas com a desaceleração econômica decorrente da crise global. A retomada dos investimentos na indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) somada a intensificação das obras públicas e particulares no Estado, além da antecipação do pagamento do 13º salário ao servidor público, o que representa uma injeção de R$ 70 milhões na economia local –além da folha mensal de pagamento hoje na faixa de R$ 170 milhões- são motivos suficientes para aquecer o ânimo dos lojistas.
Os beneficiados com a antecipação do 13º salário são os funcionários públicos, que representam cerca de 85 mil contratos que serão beneficiados com o dinheiro extra que cai na conta depois do dia 20 de julho, conforme anunciou recentemente o governador Eduardo Braga.
Para o diretor-presidente da rede de lojas Belmiro’s, empresário Belmiro Vianez Filho, a notícia do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de que a produção industrial do Amazonas avançou 11,8% em maio é um excelente sinalizador porque traz reflexos positivos e imediatos para o varejo. “Se a indústria se restabelece e volta a empregar o comércio se beneficia disso porque o salário do trabalhador volta a circular”, disse ele, lembrando que a antecipação do 13º salário é uma medida excelente do governo porque faz o dinheiro girar. “Mesmo que parte seja para pagar dívidas, sempre sobra alguma coisa para gastar”, completou.
O empresário avaliou que o primeiro semestre de 2009 teve um desempenho razoável porque enquanto alguns segmentos cresceram a exemplo do eletrodoméstico e de venda de carros zero, ambos foram beneficiados com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), outros tiveram queda de 3% a exemplo de confecções, se comparado a igual período do ano passado. “A expectativa é que este setor cresça a partir de agora em torno de 2%”, apontou.
Quanto aos produtos importados – principalmente confecções que é o foco das lojas Belmiro’s,- está dando sinais de aquecimento. Belmiro disse que a queda do dólar- ontem fechou em R$ 1,961para venda- facilita as importações deixando produtos como perfumes, confecções e brinquedos mais competitivos no mercado.

Lojas de material de construção espera bons negócios

Segundo o empresário Belmiro, as lojas de material de construção devem realizar bons negócios a partir de agora com a venda de insumos –areia, seixo, cimento, ferro, aço, tijolo e madeira. Ele disse que a chegada do verão estimula novas frentes de trabalho de obras governamentais e particulares que neste ano deverão incrementar por conta do compromisso do governo estadual e municipal com a Fifa (Federação Internacional de Futebol) de preparar a capital amazonense para a Copa de 2014.
O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ralph Assayag, também comunga da opinião de que a Copa de 2014 já começa a gerar resultados positivos porque várias obras estão sendo feitas por conta desse compromisso. “As frentes de obras são como injeção na veia, porque geram negócios imediatos”, assegurou.
O início da vazante do rio Negro é na opinião de Assayag um sinalizador de que a produção de produtos regionais na várzea amazonense será grande.

Enchente histórica

Segundo Ralph Assayag, o fato do governo do Estado ter ‘presenteado’ com R$ 300 os ribeirinhos prejudicados pela enchente histórica que atingiu 29,77 metros foi positivo porque essas pessoas ficaram com poder de compra. “Se o governo tivesse dado rancho (cesta básica) elas não tinham como comprar o que estava faltando”, disse.
O dirigente lembrou que o comércio de Manaus amargou perdas em torno de 1% do faturamento no mês passado decorrente da enchente, a maior de todos os tempos que é feita a medição, com mais de 100 anos. Os lojistas das ruas dos Barés, Barão de São Domingos, Marques de Santa Cruz e Eduardo Ribeiro, nas proximidades do relógio, foram os maiores prejudicados, alguns continuam com as portas fechadas porque as ruas estão alagadas e os clientes não têm como chegar para comprar.

Mesmo com crise, setor fecha em alta de 1,90%

Ao avaliar o primeiro semestre de 2009, Ralph Assayag disse que o setor, apesar de ter encolhido no primeiro trimestre por conta da crise, fechou em alta de 1,90% em relação a igual período de 2008. “As vendas de abril e maio ajudaram a recuperar o que havia se perdido e na junção do semestre os negócios ficaram positivos”, justificou, ressaltando que o resultado propiciou uma arrecadação 5% maior nos cofres do governo do Estado. “Nos últimos 12 meses, o setor teve um saldo de 3.982 empregos com carteira assinada”, completou.
As datas estiveram aquém do projetado pelos lojistas. Para o Dia dos Namorados a projeção era vender 3% a mais em relação a igual período do ano passado, mas o comércio computou apenas 2%; para a festa dos bois Garantido e Caprichoso a expectativa era crescer 3%, mas não passou de 2%. Para o segundo semestre, o dirigente não apresenta percentual de projeção, mas está apostando nas novas frentes de obras e na prorrogação dos incentivos fiscais para a indústria do PIM, que está estimulando o setor produtivo. “Se os lojistas conseguirem torrar seus estoques e o setor industrial mantiver em alta suas linhas de produção os empregos serão mantidos e o varejo será o beneficiado”, disse Assayag.

Dia dos Pais e Dia das Crianças

A ACA (Associação Comercial do Amazonas) está apostando nas duas datas comemorativas do ponto de vista econômico que antecedem o Natal, a data de maior venda. Trata-se do Dia dos Pais, festejado no segundo domingo de agosto, e o Dia das Crianças, em 12 de outubro. O primeiro puxa as vendas do segmento de calçados e vestuário, além de produtos de informática, enquanto o segundo foca suas vendas em brinquedos. “Como os estoques de importados estão em baixa, decorrente da crise, os produtos nacionais vão estar em pauta”, disse.
O presidente da entidade, Gaitano Antonaccio, disse que a cada bimestre o comércio tem um ciclo de vendas, que beneficia alguns setores do varejo em detrimento de outros. Daí, segundo ele, a necessidade de cada lojista apresentar diferenciais como preços competitivos, prestações com parcelamentos elásticos, promover promoções, etc.
Na opinião do dirigente alguns setores como eletroeletrônico e de carros novos devem continuar em alta por conta da redução do IPI. No primeiro caso as reduções no preço de geladeiras, por exemplo, oscilam, entre 12% e 20% dependendo do valor do produto. Os carros novos também ficam em torno de 7% mais baratos com a redução do IPI. “A maior dificuldade é para os produtos supérfluos, que continuam com as vendas engessadas”, disse Antonaccio.
Para o presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio do Estado do Ama­zonas), José Roberto Tadros, as perspectivas atuais são ascendentes, o viés de baixa já faz parte do passado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar