Caulim desperta interesse estrangeiro

Em: 13 de janeiro de 2015

O estudo socioambiental que prevê a implantação de uma usina de beneficiamento de caulim no Amazonas deve ser entregue até o final deste ano pela empresa Kal Amazon ao Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas). No último ano a empresa recebeu a aprovação das reservas por parte do DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral). As reservas estimam a extração de 80 milhões de toneladas do minério.
Após a apresentação e posterior aprovação dos estudos ambientais pelo Ipaam, a Kal Amazon dependerá da liberação da concessão de lavra concedida pelo DNPM. As reservas de caulim foram descobertas no Estado na década de 80 na região localizada entre Manaus e o município de Presidente Figueiredo. A área de atuação da empresa está prevista para os seguintes pontos: na extensão da rodovia AM-010, na área do distrito agropecuário que delimita a ZFM (Zona Franca de Manaus), a BR-174 e a região do Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva).
De acordo com o secretário da SEMGRH (Secretaria Estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos), Daniel Nava, a empresa, que conta com investidores brasileiros, chineses, americanos e australianos e está instalada em Manaus, já realizou uma série de sondagens e apresenta reservas que estimam a extração de 80 milhões de toneladas do minério. A empresa deve ser instalada na região do distrito agropecuário da Suframa. “A ideia é que a produção inicial seja entre 300 a 400 toneladas de caulim por ano. Esse número deve chegar a um milhão de toneladas”, informou.
O secretário afirma que a matéria-prima encontrada no Amazonas apresenta qualidade superior ao caulim encontrado em outros Estados brasileiros que exportam o recurso como o Pará e o Amapá. Ele explica que além do uso na fabricação de papel, o caulim pode ser utilizado como subsídio na fabricação de porcelanato, pisos e louças cerâmicas, vasos em geral, tintas, indústria de fármacos e cosméticos e até mesmo na produção de pneus. “Os investidores chineses estão atentos à extração do caulim regional, que é branco, porque o material encontrado na China é marrom e para transformar esse caulim na cor branca é preciso dispor de maiores recursos para o processo. Enquanto o nosso caulim é branco por natureza e pode proporcionar um papel brilhoso e alvo”, disse. “Além de importar o caulim, os chineses têm o interesse de trazer empresas para Manaus, até porque eles têm interesse nos incentivos fiscais proporcionados pela ZFM”, complementou.
O processo de beneficiamento do caulim traz ainda outra possibilidade de atuação que é a fabricação com base na sílica, a areia obtida junto ao caulim em seu processo de retirada do solo. A sílica pode ser utilizada na fabricação de materiais óticos, vidros e até microscópios. “É uma areia pura que pode ser contribuinte para a indústria de bens de informática”, comenta o secretário.
Apesar de o Amazonas apresentar reservas em abundância da matéria-prima, até hoje nenhuma empresa conseguiu obter o licenciamento que permitisse o funcionamento de uma indústria no Estado. Nava explica que o processo de implantação de uma mina custa em torno de US$ 200 milhões, daí a justificativa para a dificuldade no investimento dessa estrutura. “São investimentos pesados que só se tornam viáveis quando há alguém que compre esse material em quantidade. Neste caso, somente a indústria de papel faz isso e os Estados do Pará e de Amapá já atendem ao mundo com suas exportações. Para termos um preço competitivo precisamos estar à frente em qualidade”, analisou.

Priscila Caldas
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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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