Porto em Itacoatiara atrai Holanda

Em: 16 de janeiro de 2015

Grande porto em Itacoatiara, PIM e SETOR naval ganham força entre Amazonas e Holanda

O governador José Melo recebeu nesta quinta-feira, (15), o embaixador da Holanda, Johannes Petters, para discutir a criação de parcerias bilaterais. Além da piscicultura, o PIM (Polo Industrial de Manaus), o setor naval e a instalação de um grande porto em Itacoatiara dominaram as conversas. Com 20 empresas instaladas no PIM, a Holanda é o terceiro maior investidor estrangeiro no Estado. Somente em 2013, foram aplicados cerca de US$ 681 milhões, 10,44% do total de investimentos estrangeiros no polo.
“Os países baixos têm uma tradição muito grande na aquicultura. São anos e anos de experiência. Vislumbro uma relação muito forte entre nossa universidade e eles no sentido de absorver tecnologias para facilitar o nosso grande projeto de criação de peixe. Conversamos sobre a vinda de outras empresas para se instalar no Polo Industrial de Manaus e também a possiblidade de termos uma parceria para a construção de um grande porto em Itacoatiara”, disse o governador.
Com a perspectiva de expansão dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus para a Região Metropolitana, o governador defende a implantação do grande porto do PIM em Itacoatiara e espera desenvolver o projeto em parceria com o setor privado, o que atraiu os holandeses. A piscicultura também despertou grande interesse. Segundo o embaixador, o país domina tecnologias na aquicultura e espera estreitar cooperação com o Amazonas no segmento.
Melo explicou ao embaixador que, na contramão da retração financeira que deverá se abater sobre o Brasil este ano, o desafio atual do Amazonas é buscar novos parceiros comerciais e industriais que queiram investir no modelo ZFM (Zona Franca de Manaus), mais especialmente em setores como infraestrutura portuária, indústria do pescado, fruticultura, construção de navios, mineração e turismo. O governador ressaltou ainda o projeto de expansão para a Região Metropolitana de Manaus dos incentivos fiscais da ZFM como diferencial para a chegada de novas oportunidades de negócios com os europeus.
“A economia holandesa é a quinta maior na ‘zona do euro’ e é conhecida por suas relações industriais estáveis, inflação e desemprego moderados e tem papel importante como um hub de transporte europeu. Ora, o que precisamos neste momento é de mais investimentos e novas tecnologias. Entre as principais atividades industriais dos Países Baixos estão justamente o processamento de alimentos, produtos químicos, maquinaria pesada e estaleiros. A agricultura é altamente desenvolvida e fornece grande excedente para a indústria de processamento de alimentos e para a exportação. É dessa tecnologia de produção que o setor primário no Estado precisa”, completou Melo.

Piscicultura
Eleita prioridade para a economia no interior pelo governo Estadual, a criação de peixe em cativeiro receberá fortes investimentos e aperfeiçoamentos na legislação ambiental. E, para a industrialização, etapa fundamental segundo o governador, o capital privado será imprescindível. “Precisamos de megainvestimentos”, destacou o governador.
“A Holanda tem tecnologias interessantes para o Amazonas. Temos grande experiência no setor agropecuário e de peixe, somos o segundo maior exportador de produtos agrícolas do mundo e temos a melhor universidade agrícola. Espero que possamos ajudar. Vamos voltar com certeza. Manaus é muito interessante e importante, além de ser uma cidade bonita. Vamos continuar a cooperação”, afirmou o embaixador holandês.
Nos próximos meses, técnicos da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento) e do governo Holandês devem se reunir para definir as agendas. A expectativa é que no próximo semestre uma comitiva, formada por agentes do governo e empresários, venha a Manaus aprofundar as conversas.
De acordo com Melo, o capital financeiro privado tem papel fundamental no projeto de piscicultura que será implantado. Para isso, a busca por investidores continuará. Além de incentivar a produção por pequenos produtores, a meta é a industrialização do pescado. A expectativa é que o peixe produzido no Estado seja processado e vendido em lata para o mercado consumidor nacional e estrangeiro. “Vamos começar pequeno, claro, mas é preciso dar os primeiros passos porque o mercado nos diz que esse é o momento”, frisou.
Melo afirmou que deve enviar para a Assembleia Legislativa do Estado uma nova lei facilitando as licenças ambientais para a criação de peixe em cativeiro. A ideia é passar a contemplar projetos de grande porte. Na atual legislação (lei 3.875/12), por exemplo, que já trouxe avanços, em projetos de até cinco hectares o licenciamento é simplificado, gratuito e permanente. Cerca de 1,3 mil piscicultores estão licenciados, conforme o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas).
“Tanto Rondônia quanto Roraima licenciam grandes projetos, com 50 ou 100 tanques. Aqui, até pouco tempo, as nossas leis, a partir de 5 tanques havia muitas dificuldades. É preciso adequar as nossas leis para ter locais com alta produção. Estamos trabalhando nisso levando em consideração que o nosso grande patrimônio é o meio ambiente”, adiantou o governador.
Melo afirmou, ainda, que vai negociar com o governo federal a criação de uma linha de crédito exclusiva do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para incentivar a piscicultura no Amazonas. O governo do Amazonas concede subsídio de até 50% para a abertura de tanques escavados e de 20% para aquisição da ração, mas o financiamento será um atrativo maior para empresários brasileiros e estrangeiros.
“Tenho esperança de convencer o governo federal a abrir uma linha de crédito especial para quem quiser produzir peixe. O BNDES empresta para o exterior, porque não faz aqui ajudando a gerar renda e proteger a Amazônia?”, ressaltou o governador.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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