O varejo da capital amazonense espera que as vendas para o Dia das Mães sejam 3% mais fortes neste ano, em comparação aos dados de 2022. A receita bruta aguardada é de R$ 154,50 milhões, para um ticket médio de R$ 165. Os dados estão na pesquisa da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus). O percentual de crescimento aguardado, contudo, é menor do que o projetado pela entidade para a mesma data comemorativa de 2022 (+4%), e também está abaixo da inflação acumulada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo), nos 12 meses encerrados em março (+4,65%).
A média de gastos por presente cresceu de R$ 160 para R$ 165, em um panorama de reajustes de ICMS, inflação em rota de desaceleração e juros ainda subindo. A boa notícia é que a sondagem mostra um aumento na quantidade de consumidores de Manaus dispostos a comprar. No ano passado, essa fatia era de 77%, mas já aumentou para 93%. É um percentual próximo ao mostrado na pesquisa do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), que apontou 92% de intenções de consumo. Além disso, a maior parte dos entrevistados espera presentear duas ou mais pessoas.
Em sintonia com a disposição de aumentar o leque de presenteados, e também com as mudanças de comportamento e com as dificuldades impostas pela alta do endividamento das famílias, a lista de compras ainda tem predomínio de produtos de menor valor agregado. O consumidor também mantém preferência por pagar parcelado e nos shoppings. Chama a atenção, entretanto, que o atendimento e a facilidade de pagamento, já estão no topo das prioridades, juntamente com o fator preço.
Motivos e gastos
Entre os 93% de consumidores da cidade que já manifestaram interesse em comprar no Dia das Mães, a faixa de gastos predominante é a que vai de R$ 101 a R$ 200 (39%). Na sequência, estão aqueles que pretendem dispender entre R$ 51 e R$ 100 (34%), até R$ 50 (17%) e de R$ 201 a R$ 500 (10%). Algumas das justificativas apontadas para não comprar são o falecimento (30%), a distância (10%) ou falta de contato (10%) com a mãe. Mas, fatores econômicos, como desemprego (20%), pagamento de dívidas (11%) e falta de dinheiro (10%) e “outros motivos” (9), também se destacam.
Em torno de 34,6% vão comprar presentes apenas para uma pessoa. A maioria, entretanto, informa que vai presentear duas (39,1%), três (19,5%), quatro (4,5%) ou a partir de cinco (2,3%) pessoas. As homenageadas não são apenas mães (89,5%), mas também irmãs (22,6%), sogras (17,3%), esposas (15,8%), amigas (11,3%), avós (11,3%), tias (9%), filhas (6%), cunhadas (4,5%), noras (3%), namoradas (1,5%), madrastas (1,5%), madrinhas (1,5%) ou mães dos filhos dos entrevistados (0,8%). A CDL-Manaus destaca que “o gráfico não fecha em 100%” porque as respostas vieram de múltiplas escolhas.
A lista de compras dos consumidores é encabeçada por perfumes e cosméticos (34,6%), calçados (32,6%) e vestuário (30,8%). Bolsas e acessórios (21,8%), almoço/jantar (15,8%) e artigos de cama, mesa e banho (13,5%) também são bem cotados. Jóias e relógios (8,3%), eletrodomésticos (7,5%), eletrônicos (3,8%), viagens (3%) e smartphones (3%) aparecem em seguida. Há também quem opte por buquês de flores (4,5%). A lista de desejos das presenteadas é liderada pelos mesmos quatro produtos, mas tem maior destaque para viagens, celulares e ourivesaria, além de incluir artigos esportivos (3,8%).
Pagamentos e locais
Apesar da escalada das taxas de juros, e em linha com a redução da renda, o consumidor de Manaus ainda mantém preferência por prazos de pagamentos mais folgados. A maioria diz que vai parcelar as compras no cartão de crédito (44%) e há quem prefira as prestações dos cartões das lojas (20%) ou pagar no cartão em uma única parcela (20%). Mas, dinheiro (32%), Pix (29%) e cartão de débito (20%) vêm avançando no ranking.
Assim como ocorrido nas pesquisas mais recentes, a maioria (44%) confirma predileção por shoppings centers como locais de compra. O comércio do Centro de Manaus é a escolha de 45%. Já a parcela de consumidores disposta a comprar pela internet e lojas virtuais (9%) supera o comércio presencial das lojas de bairro (8%) e dos supermercados (2%).
Um diferencial da pesquisa é que, desta vez, o atendimento (44%) e a facilidade de pagamento (44%), aparecem empatados com o valor do frete (44%), preço (44%) e promoções/descontos (44%), entre os fatores que influenciam na escolha do local de compras para a data comemorativa neste ano. A CDL-Manaus salienta que os entrevistados também puderam escolher mais de uma opção nesse quesito.
“Expectativa realista”
O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, diz que uma notícia de última hora pode fazer os resultados do Dia das Mães “furarem” as projeções da pesquisa. “Nesta segunda [1º], o governador decidiu antecipar o pagamento do 13º salário dos servidores e pensionistas estaduais, o que deve estar sendo feito até esta sexta [5]. É uma injeção de mais de R$ 290 milhões [na economia do Amazonas]. Espero que as pessoas comprem e, com isso, o setor possa contratar mais e voltar a ter uma certa tranquilidade”, considerou.
O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, avalia que a mudança de costumes ajuda a explicar a redução de intenção de compras de eletrodomésticos em favor de itens de consumo pessoal. E lembra que a aquisição de celulares foi maior nos meses mais duros da pandemia e do isolamento social. Mas, destaca que o consumidor e o comércio estão contendo gastos.
“Não devemos ter um Dia das Mães tão forte, porque as pessoas estão meio sem dinheiro. Temos esse aumento do ICMS, que vai descolar ainda mais os preços do poder aquisitivo da população. Abril foi um mês de diminuição de vendas e os empresários estão gastando mais com pagamento de impostos, além de contar com menos capital de giro. Por isso, reduziram a formação de estoques. A expectativa de crescimento de 3% é realista”, frisou.
Na mesma linha, o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, concorda que, embora o Dia das Mães seja a segunda data mais importante do comércio, o cenário econômico ainda é adverso. “Há uma variedade maior de produtos para poder aquisitivo de médio a baixo. Por isso, a opção do varejo, mesmo com o desafio do aumento de tributos, tem sido por itens de maior consumo e de pequeno valor, em detrimento da linha branca, por exemplo”, encerrou.
Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa
A pesquisa da CDL-Manaus foi realizada via Google Formulários e aplicada através de e-mail marketing e aplicativo de mensagens instantâneas, entre 10 e 20 de abril. No total, foram ouvidas 1.876 pessoas, entre mulheres (59%) e homens (41%), divididos entre as faixas etárias de 18 a 34 anos (46,1%), entre 35 e 49 anos (42,7%), e com 50 anos ou mais (11,2%). A maior parcela de consumidores ouvidos está na zona Leste (21,6%), sendo seguida pelos residentes nas zonas Norte (20,6%), Oeste (15,4%), Centro-Sul (14,3%). Centro-Oeste (14,1%) e Sul (14%).







