Cervejas também fazem ‘bonito’ nas ceias

Em: 24 de dezembro de 2021

As festividades de Natal e Ano Novo são marcadas por ceias fartas de comidas. Mas nada de exageros no consumo. Melhor ainda se você souber harmonizar comidas e bebidas para extrair um melhor sabor de ambas. Uma boa escolha do que beber nas celebrações pode potencializar sabores e aromas do cardápio, transformando a experiência em algo ainda mais especial. Mas quem disse que apenas vinhos e espumantes entram no brinde para as festas? A sommelier de cerveja Ana Carolina do Vale, formada pela EAC (Escola Amazônia da Cerveja), apresenta uma harmonização exclusiva com cervejas para os pratos clássicos da temporada.

“As bebidas de festas seguem uma tradição. Normalmente no Natal se toma vinho e no Ano Novo, espumante. Como não trabalhamos com nenhum dos dois produtos, adequamos as cervejas mais próximas a cada época, Natal e Ano Novo, especificamente. No caso do Natal temos uma diversidade de cervejas, inclusive cervejas híbridas com vinhos que podem agradar bastante aos paladares mais restritos; e para o Ano Novo, segundo uma tradição mais antiga ainda, escolhemos o ‘néctar dos deuses’, que traz dulçor e prosperidade para o próximo ano, o famoso (mas não tanto aqui) hidromel”, falou.

Segundo Ana Carolina, o peru, o chester, o frangão e o pato possuem cervejas que harmonizam muito bem com suas carnes brancas.

“Recomendo as cervejas do estilo APA (American Pale Ale). É um estilo que traz frescor, com um pouco mais de corpo por conta dos temperos normalmente fortes dos pratos com aves. As APA trazem um amargor médio do lúpulo que não se sobressai ao prato, pelo contrário, irá só complementar e agregar com isso”, ensinou.

Para todas as carnes

Hoje, nas ceias, além do bacalhau, estão cada vez mais comuns os peixes, como pirarucu e tambaqui, e para eles também existem cervejas que lhes realçam o sabor. Um clássico da harmonização para peixes são as cervejas do estilo Witbier (raspas de casca de laranja ou limão e coentro).

“Essas são cervejas mais leves à base de trigo e com alta refrescância. Elas irão somente agregar ao prato com a sua cítridez e uma especiaria, nada que você já não visse nos temperos mais comuns aos peixes, em geral. Aqui separamos dois pratos tradicionais, o bacalhau e os frutos do mar”, disse.

“Para aumentar com a leveza do prato do bacalhau, além da Witbier indicamos um estilo alemão bem antigo para dar um contraste maior e é ótimo para aqueles que gostam de cervejas um pouco mais amargas, esse é o estilo Kolsch. Já os frutos do mar têm um sabor mais forte. Um ‘bom casamento’ seria com cervejas de amargor médio. Para esse fim servem lagers mais amargas e se você quiser ser mais ousado, uma New England IPA, que normalmente tem aromas de frutas tropicais, ainda harmoniza com o camarão e polvo”, completou.

Para o tender, ou pernil, Ana Carolina recomenda cervejas mais caramelizadas que combinam com o suíno, não ao dulçor do caramelo em si, mas à sua tosta. Como também são pratos fortes, a sommelier ensina que a combinação precisa ter um amargor um pouco maior que o normal e até mesmo uma cerveja de trigo escura clássica (Dunkel) ou então uma cerveja vermelha (Red Ale), seriam as ideais.

“Para os iniciantes causam um alto impacto positivo no paladar, além de desmistificar a associação da cerveja escura com algo sempre muito alcoólico e potente”, esclareceu.

Personal sommelier

Já para os doces tradicionais da época, como panetones, rabanadas, além de mousses, pavês e pudins, também existem cervejas que combinam muito bem.

“Para o panetone recomendamos uma Stout com notas de café e torra ou então para quem gosta demais da intensidade, um expresso alcoólico com panetone é o ideal, ótimo com as frutas cristalizadas e o sabor característico da massa. Os dois cortam o dulçor”, afirmou.

Quanto às rabanadas, para cortar um pouco do açúcar, a sommelier recomenda uma Sour, que são cervejas com uma acidez mais pronunciada e normalmente acompanhadas de uma fruta na sua composição.

“Se for para uma experiência clássica, recomendo uma cerveja escura com médio amargor, uma Stout. Agora, se você busca inovação, indico uma cerveja escura, que tenha em sua composição uma fruta mais ácida, as Dark Sours, por exemplo”, revelou.

Ana Carolina lembrou que as cervejas podem, e devem, ser consumidas durante a ceia, junto de cada prato específico, para se obter uma harmonização mais potente. Também podem ser consumidas como uma entrada, com um sabor mais neutro, e cervejas mais pesadas, para finalizar.

Neste final de ano Ana Carolina está promovendo um serviço de personal sommelier, dando dicas gratuitas de harmonização. As dúvidas podem ser enviadas diretamente para seu Instagram @drinkability3.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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