Ceia com sabor amazônico é realidade

Em: 22 de dezembro de 2021

Até a popularização da televisão, em Manaus, a partir da década de 1970, as pessoas não davam muita atenção à ceia de Natal. Era só distribuição de brinquedos para as crianças e de Bolo Rei por parte de algumas padarias, e pronto. O novo meio de comunicação trouxe uma série de informações até então desconhecidas do manauara, entre elas, o panetone, a ceia, o estourar de champanhes, que hoje não podem faltar na passagem do dia 24 para o dia 25. Mas os tempos mudam, e também as tradições, principalmente no Brasil onde as tradições morrem facilmente. O peru, por exemplo, o maior símbolo da ceia natalina, começa a perder o posto para outras aves e até para os nossos peixes nobres.

“Quem gosta, e quer manter a tradição, não pode deixar faltar na ceia o peru, o pernil, o bacalhau, o panetone e as frutas européias”, afirmou Michel Brito, chef e professor do curso de gastronomia da Faculdade Santa Teresa.

Para Michel, o que tem forçado muitas pessoas a substituir, principalmente o peru e o bacalhau, são os preços pouco convidativos, sem falar que outras aves estão sendo colocadas no mercado com preço mais acessível à maioria dos bolsos.

“Uma das opções encontradas pelas pessoas é a troca do peru pelas aves natalinas, que têm um valor mais em conta e uma grande variedade de marcas, o que faz o preço diminuir bastante. Mas, os peixes regionais como o pirarucu e o tambaqui dentre outros que proporcionam magníficos filés, podem resultar em excelentes pratos para essa época”, ressaltou o chef e professor.

Ceia com sabor amazônico é realidade - chester

Peru no segundo plano

Um forte rival do peru chegou ao Brasil no início da década de 1980, trazido da Escócia, o chester, o frango peitudo que desde então, ano a ano, vem desbancando o peru de seu trono. Geneticamente modificado, o chester (chest significa peito, em inglês) apresenta peito e coxas carnudas. A moda agora é o ‘frangão’, uma variedade do chester, também com peito e coxas carnudas, porém, com um pouco menos de peso devido ser abatido em menos tempo.

“Não tenha dúvidas de que as aves natalinas, primeiro o chester, e mais recentemente o frangão, estão tomando o lugar do tradicional peru”, disse.    

Aves à parte, Michel Brito tem ensinado a seus alunos que uma ceia natalina não precisa ficar presa ao tradicional, até porque os produtos que vemos comumente numa ceia são todos importados, como o peru, dos Estados Unidos; o panetone, da Itália; o bacalhau, da Noruega; o champanhe, da França; nozes, uvas e passas são asiáticas, mas o costume de consumi-las no Natal vem de vários países da Europa. O chef/professor mostra que nossa culinária é riquíssima e pode ser servida nas festividades de final de ano.

“Na sugestão que criei, procurei demonstrar toda a riqueza de ingredientes típicos que temos na nossa região e que se forem explorados com criatividade, podem resultar em pratos maravilhosos. Sem contar que a valorização dos ingredientes do Amazonas faz com que possamos mostrar o que temos de melhor na nossa gastronomia”, ensinou.

“Os ingredientes locais são muito ricos e únicos e, quando misturados, garantem uma experiência gastronômica especial. Soltar a criatividade e ousar. Essa é a dica para quem quer oferecer uma ceia diferenciada e cheia de sabor”, completou.

Ceia com sabor amazônico é realidade - farofa

Era uma vez o bacalhau

A farofa, ou as farofas, também têm lugar de destaque numa ceia natalina, ainda mais agora que a farofa com ovinha torradinha e banana está sendo servida em vários restaurantes locais.

“É fato que o amazonense adora farinha e utilizar a ovinha, com banana ou outros ingredientes como, por exemplo, castanha do Brasil, são opções que vão agradar bastante nas ceias das famílias”, falou.

Os peixes também ganham destaque.

“O pirarucu fresco, os filés de peixes, hoje disponíveis no mercado, bem como o próprio tambaqui, são opções excelentes. Os modos de preparo são os mais diversificados. Com os peixes podem sem feitos os mesmos pratos que seriam feitos com as receitas tradicionais com bacalhau. Os peixes regionais sejam eles frescos, salgados ou defumados, hoje em grande abundância de ofertas no comércio local, substituem facilmente o bacalhau”, garantiu.

Quanto às frutas, Michel destacou que fica a critério dos gostos de cada pessoa.

“Mas uma mesa montada com frutas regionais (goiaba, mamão, biribá, banana, pupunha, abacaxi entre outras), não tenho dúvidas de que vai agradar bastante”, assegurou.

Ceia com sabor amazônico é realidade - cupuacu

Finalizando, as sobremesas

“Utilize as frutas regionais em forma de mousses, pavês, pudins e até mesmo a Taça da Felicidade pode ser preparada com ingredientes amazônicos. Tortas de cupuaçu com chocolate, crocante com castanhas. Torta de banana pacová. Pudim de açaí com calda de buriti. Mousse de araçá boi, e uma infinidade de combinações que podem ser feitas”, concluiu.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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