As medidas da CEF (Caixa Econômica Federal) para maior acesso a financiamento imobiliário e juros mais baixos prometem reaquecer os diversos setores que dependem deste mercado em Manaus. De construtoras e imobiliárias, a corretores, as promessas de bons negócios residem na volta das classes média e alta amazonenses ao mercado, impulsionadas por linhas de crédito mais acessíveis para imóveis até R$ 650 mil e elevação do SIF (Sistema Financeiro Imobiliário) de R$ 1,5 milhão para R$ 3 milhões. Trabalhadores do setor privado e funcionários públicos também são contemplados com as medidas anunciadas para valer a partir desta segunda-feira (25).
As medidas animam, sobretudo, o mercado imobiliário que já vinha comemorando vendas crescentes. Em junho passado, os imóveis com preço médio de R$ 400 mil até R$ 600 mil, representaram 28% dos negócios (98 unidades), sendo 46 unidades no bairro da Ponta Negra (zona Oeste), comemora o presidente da Ademi-Am (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Romero Reis.
“As medidas implantadas para dar maior teto aos financiamentos unem-se a flexibilidade da negociação das taxas de juros junto às construtoras, assim como nos imóveis em pronta-entrega. Todos os descontos e facilidades são fundamentais para quem sonha com a casa própria”, explicou Reis.
Os outros bairros com maiores vendas foram o Bairro da Paz (42) e Santa Etelvina (41), confirmando um aquecimento de mercado, 80% superior ao do mês de maio. Segundo o presidente da Ademi-Am, os números representam uma nova realidade que ainda pode ganhar impulso com as novas medidas. “Isso mostra uma variação no perfil do comprador, que adquire imóveis tanto em áreas de metro quadrado mais barato, quanto nas zonas mais valorizadas”, afirma Reis.
Corretores confiantes
A possibilidade de negociar com imóveis mais caros (e consequentemente maiores comissões) anima os corretores, explica Rildo Castro. “Isso trará a possibilidade de novos negócios. A confiança de investidores e de quem quer sair do aluguel vai ganhando fôlego. A aquisição de um apartamento ou casa com valores mais altos é benéfica para o setor imobiliário e para o segmento de corretores”, afirma. Para o corretor, a chegada das medidas renova a confiança. “O mercado já estava animado com a entrada do segundo semestre, um período natural de boas vendas. A isso se junta ainda o pagamento do 13º salário e as férias de fim de ano”, conclui Castro.
Novos tetos
A “Agenda de Desenvolvimento e Reformas para o Crescimento” do governo interino analisa cerca de 20 medidas para o setor imobiliário. Entre elas maior facilidade nas concessões de projetos de infraestrutura e nas privatizações. Outros pontos são os de ampliação do crédito para microempreendedores, a securitização da dívida ativa da União e a liberação da compra de terras por estrangeiros também podem fazer parte do pacote.
O financiamento para trabalhadores do setor privado e funcionários públicos esteve em baixa nos últimos anos. Quem trabalhava no setor privado conseguia financiar até 80% do valor do imóvel, porcentagem que caiu para 50% em maio 2015. No caso dos funcionários públicos, o limite era de 90% e caiu para 60%. As previsões indicam que as categorias terão o poder de financiamento de volta com 70% e 80% respectivamente.
Os imóveis de alto padrão financiados pela CEF via SFI tiveram o teto estendido para R$ 3 milhões o valor máximo, sem uso do FGTS (o teto anterior era de R$ 1,5 milhão). Para o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, apesar de ser voltada para um mercado mais restrito, a medida é muito bem-vinda para o setor. “Quando se trabalha com financiamento, acaba-se tendo dinheiro mais barato e facilitando-se os negócios. E tem-se um conforto maior”, disse Martins.
Para a aquisição de imóveis usados por meio do SIF, a cota de financiamento subiu de 60% para 70% do valor total. Para a compra de imóvel novo, construção em terreno próprio, aquisição de terrenos e reforma ou ampliação, a cota passou de 70% para 80%.







