A tragédia ocorreu na Bahia, mas reverberou aqui em Manaus. Foi preciso que parte da arquibancada do estádio da Fonte Nova, em Salvador, caísse, matando sete pessoas, para que nós ficássemos sabendo que o Vivaldo Lima está classificado entre os cinco piores estádios do Brasil. Uma equipe formada por engenheiros e arquitetos vistoriou vinte e quatro estádios, apontados como possíveis palcos para os jogos da Copa do Mundo de 2014, e constatou que o Vivaldão está com o prazo de validade vencido. Isto tem duas implicações. A imediata é que o público corre algum risco quando vai assistir aos jogos de futebol. A de longo prazo é que o local não tem condições nenhuma de receber as partidas de algum grupo da Copa.
Manaus é forte candidata à sede de algum grupo do mundial de 2014, a ser realizado no Brasil, que deverá ocorrer em alguma cidade da região Norte. Pleiteiam também esta condição as cidades de Belém, cujo estádio Mangueirão foi apontado por esta mesma equipe como um dos melhores do país, e Rio Branco. Até a divulgação da notícia sobre a saúde estrutural do Vivaldão, Manaus era considerada favorita para sediar os jogos, porque é a maior metrópole da região e o governador Eduardo Braga foi figura de destaque em Zurique, na Suíça, na cerimônia que efetivou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. No momento do anúncio da Fifa, aconteceu até festa em frente ao Teatro Amazonas, com a indefectível apresentação de grupos de boi-bumbá e belas dançarinas. Parecia até que Manaus já estava confirmada para sede dos jogos da Copa, que merecidamente lhe cabe.
Infelizmente, depois da festa veio a ressaca, e com brigas, que começaram no meio político, com o ministro Alfredo Nascimento tentando jogar areia nos planos do governador, ao afirmar que Braga, sozinho, não teria força para trazer os jogos para Manaus. Depois os fatos se impuseram e foram minando o favoritismo da capital amazonense. Um deles é o isolamento de nossa cidade. Hoje, a única ligação de Manaus com o mundo, por via terrestre, é precária a quase intransitável BR 174, que vai até Boa Vista e de lá para a Venezuela. Outros caminhos são os rios ou então via aérea. Também tem o problema da malária, que o governo deve controlar se quiser mesmo trazer os jogos para cá. É claro que temos ainda sete anos pela frente para nos adequarmos às exigências da Fifa, mas o tempo urge, porque são medidas colossais de infra-estrutura que não se têm e precisam ser implementadas.
Sediar uma Copa do Mundo não é fácil. No caso do Brasil é mais complicado, porque a Fifa exige que hajam doze sedes, mas por conta do “jeitinho brasileiro” a CBF, entidade responsável pala organização do evento, quer que sejam quatorze, para acomodar interesses cartoriais de seu presidente Ricardo Teixeira. Assim, corre-se o risco de perdermos muito tempo somente na discussão para escolher as cidades sedes de grupos. Até que sejam definidos esses pontos, continua a polêmica se Manaus tem ou não condições de ser sede de jogos da Copa do Mundo.
Para tanto, serão necessárias transformações urbanas muito mais profundas que o Prosamim, porque será preciso oferecer transporte, hospedagem e condições sanitárias, tudo de primeira qualidade, para multidões de visitantes que virão assistir aos jogos da Copa. Pra começar, há o problema do Vivaldo Lima, que está com prazo vencido e não obedece às regras da Fifa para jogos internacionais. É imprescindível a construção de um novo estádio, em local de fácil acesso, e uma obra desse porte não se faz da noite para o dia.
Ser ou não ser sede dos jogos da Copa, no entanto, fica a questão de segurança do Vivaldo Lima. Embora o estádio receba sempre um público pequeno, por causa do pouco interesse dos torcedores amazonenses pelo campeonato local e pelo fato de o Amazonas ter representante apenas na terceira divisão do Brasileirão, mesmo assim pode repetir tragédia igual à ocorrida em Salvador. Nestas condições, com o prazo de validade vencido, o Vivaldão dificilmente







